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Zika vírus causa esterilidade em camundongos, mostra estudo

Por outro lado, novos testes com a vacina em dose única demonstraram mais resultados animadores. Confira as novidades da ciência na luta contra o zika.

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25 set 2017, 11h07

Estamos há três meses do verão, época de calor, festas e… pernilongos! Agora, há uma probabilidade de alerta não só para as gestantes, mas também para os homens. É que cientistas do Instituto Evandro Chagas, no Pará, acabam de observar que o zika vírus pode afetar os espermatozoides de camundongos.

Ao testarem nos animais o efeito da vacina atualmente em desenvolvimento por eles, os pesquisadores notaram que, nos desprotegidos, houve um ataque ao sistema reprodutor promovido pelo vírus. “A infecção causou atrofia nos testículos deles e uma redução significativa no número de espermatozoides, que também tiveram queda quase total da mobilidade, sinais que indicam esterilidade”, comenta Pedro Vasconcelos, virologista do Instituto Evandro Chagas, no Pará, e autor do trabalho. O achado inédito foi publicado na Nature Communications na última sexta-feira, 22.

Já os camundongos machos vacinados durante a pesquisa mantiveram o gameta e sua fábrica em segurança. Mas ainda é cedo para dizer que o efeito é o mesmo nos humanos. “Precisa ser investigado, mas diversos estudos já demonstraram que o zika permanece no esperma do homem infectado por até seis meses depois do contágio”, relaciona Vasconcelos. O grupo analisa agora o efeito em macacos, ainda sem achados conclusivos.

O lado positivo

Junto com a descoberta, o instituto paraense divulgou mais resultados da vacina em dose única produzida por eles, em parceria com a Universidade do Texas. Primeiro, os efeitos já observados na proteção de ratos adultos e de gestantes e fetos foram confirmados.

Além disso, a vacina se mostrou eficaz pela primeira vez na imunização de macacos adultos. Falta saber se o efeito protetor é o mesmo para os testículos dos machos dessa espécie e para as fêmeas que engravidarem – o que já está sendo apurado pelos cientistas.

Foi nos macacos, aliás, que o zika foi observado pela primeira vez, nos anos 1940, em Uganda. E são eles uma etapa do caminho importante para que a versão para humanos fique pronta – a expectativa é que ela seja colocada à prova em 2019. É preciso, primeiro, que o imunizante se mostre eficaz nos símios.

“A vacina para humanos depende de uma série de testes e procedimento que levam algum tempo, mas a previsão da Fundação Oswaldo Cruz, que é quem produzirá as doses, é que ela esteja disponível a partir do final de 2021”, aponta Vasconcelos.

Participaram dessa bateria de pesquisas também a Universidade de Washington e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

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