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Xperia XZ Premium: novo por dentro, velho por fora

Desde que a Sony mudou sua estratégia no mercado de smartphones, vem investindo principalmente nos segmentos mais altos. O fruto mais recente é o Xperia XZ Premium, um aparelho que reúne o que a fabricante japonesa pode oferecer de melhor.

O Xperia XZ Premium traz o processador mais potente da Qualcomm, uma tela de 5,5 polegadas com resolução 4K e uma câmera de 19 megapixels com gravação de vídeo em 960 quadros por segundo.

Será que ele é uma boa opção de topo de linha? A câmera é tudo isso mesmo? E a duração de bateria, foi prejudicada pela resolução altíssima do display? Eu utilizei o Xperia XZ Premium como meu smartphone principal na última semana e conto os detalhes nos próximos minutos.

Em vídeo

Design

O Xperia XZ Premium tem um excelente design… se tivesse sido lançado em 2015. Não que ele pareça barato ou seja mal desenhado, mas a Sony aparentemente desaprendeu a fazer aparelhos com bordas compactas justamente no momento em que os concorrentes seguem por esse caminho, caso do Galaxy S8 e LG G6. Mesmo o Xperia ZQ, apresentado em 2013, tinha um aproveitamento de tela bem superior.

É verdade que a Sony segue uma estratégia mais parecida com a da Apple: o design quadradão dos Xperia é icônico, muda pouco ao longo das gerações, e de longe você sabe que está vendo um smartphone da marca. Mas já passou da hora de uma renovação de verdade: ele é desnecessariamente grande, o que acaba prejudicando a ergonomia; e o efeito de vidro espelhado é um ímã de marcas de dedo.

Ainda assim, o design da Sony merece alguns créditos. O alto-falante, que possui boa qualidade de som, é bem posicionado na frente. A empresa também continua colocando um botão de duas fases para a câmera, que facilita na hora de fotografar. Por fim, o sensor de impressões digitais, integrado ao botão liga/desliga, é ergonômico e fica sempre acessível na lateral.

Tela

Um dos destaques do Xperia XZ Premium é a tela IPS LCD de 5,5 polegadas com resolução de 3840×2160 pixels. Assim como o Xperia Z5 Premium, estamos falando de um painel com densidade de 807 pixels por polegada; é uma definição irrepreensível.

Mas vale lembrar que a interface do Android, os jogos, o navegador e a maioria dos aplicativos são executados em 1080p. A tela só chega a 4K em players de vídeo ou na galeria de fotos, por exemplo, quando o display pode ser aproveitado ao máximo. Pena que esses momentos ainda são raros, já que existe pouco conteúdo em 4K — e menos ainda em 4K com HDR.

A qualidade do painel é muito boa, não sofrendo do brilho fraco das primeiras telas 2K em smartphones. O vidro da tela reflete bastante a luz, mas isso não chega a atrapalhar a visualização do conteúdo mesmo sob a luz do sol. A saturação e o contraste são excelentes, com uma profundidade de preto dentro dos limites tecnológicos de um painel LCD.

Um detalhe bacana é que a Sony colocou três modos de cor. O padrão é equilibrado, sem forçar demais a saturação; e também há um modo super-vívido, que transforma sua tela em um carnaval de cores. Eu preferi deixar no modo profissional, que pode dar um aspecto de “lavado” para algumas pessoas, mas as cores naturais tendem a me agradar mais.

É uma das melhores telas que você vai encontrar no mercado.

Software

O Android 7.1.1 Nougat do Xperia XZ Premium roda a interface da Sony que a gente já conhece. Ela mantém algumas características do Android puro, como a central de notificações, e traz um launcher personalizado, com ícones sóbrios, animações rápidas e telas mais limpas.

Há vários aplicativos de fábrica, mas quase todos são desinstaláveis. Além do pacote do Google, a Sony inclui players de mídia próprios; um atalho para o blog da marca; ferramentas de integração com TVs e PlayStation; um aplicativo de notícias com propaganda (?); o Rascunhar, que permite fazer rabiscos (ainda que o Xperia XZ Premium não traga nenhum tipo de caneta); e um trial de antivírus de 180 dias.

É um software que me agrada por ser mais limpo, sem deixar uma festa de cores na tela (e tem melhorado nas últimas versões). Além disso, outro ponto a favor da Sony é que a marca costuma manter seus topos de linha atualizados por mais tempo que a concorrência, o que pode ser atraente para alguns usuários.

Câmera

Quem acompanha meus reviews há mais tempo sabe que eu nunca elogiei muito as câmeras de smartphones da Sony. E isso é curioso, já que a empresa produz sensores de imagem para quase todo mundo, incluindo Samsung e Apple, que muitas vezes conseguem ter resultados melhores em seus smartphones. Isso não mudou no Xperia XZ Premium, infelizmente, mas houve avanços notáveis.

O sensor de 19 megapixels da Sony tem um alcance dinâmico muito bom. À noite, as fotos têm saturação na medida certa e a iluminação é bastante equilibrada, sem estouros em pontos de luz. Em dias nublados, como os últimos que apareceram na capital paulista, o céu continua sendo um céu, sem deixar as áreas de sombra subexpostas.

Mas a câmera apresenta uma leve distorção nas bordas. Isso é um problema conhecido da lente do Xperia XZ Premium e não parece ser uma distorção típica de uma grande angular; você pode observá-la nesta foto. De qualquer forma, não é um defeito que será perceptível em condições normais, a não ser que você seja um fotógrafo de arquitetura.

Além disso, embora a definição das fotos seja satisfatória, o Xperia XZ Premium tira fotos com maior nível de ruído que as melhores câmeras do mercado, como o Galaxy S8, provavelmente devido à lente com abertura menor (f/2,0), que obriga o software a elevar a sensibilidade. O pós-processamento por vezes remove informações de vegetações ou objetos mais detalhados.

Na filmagem, a Sony faz questão de destacar o super slow motion, que permite gravar em 960 quadros por segundo. Mas há dois detalhes a se considerar:

  • A resolução é 720p e a qualidade da imagem não é tão boa, deixando o quadro mais escuro e com nível de ruído maior.
  • A gravação em 960 fps é acionada manualmente e dura menos de um segundo (na verdade, 0,184 segundo). Seria mais interessante se o recurso gravasse continuamente em super slow motion e permitisse que o usuário escolhesse depois o melhor momento (mas isso esbarra em limitações de hardware).

É um recurso legal, mas que precisa melhorar nas próximas gerações para se tornar útil.

Hardware e bateria

O Xperia XZ Premium é o primeiro smartphone do Brasil com processador octa-core Snapdragon 835, o que fez muito bem para o desempenho do aparelho. O software da Sony faz um bom gerenciamento de memória, permitindo abrir e alternar entre vários aplicativos sem o menor sinal de engasgo.

Como praticamente tudo roda em 1080p, não 4K, a GPU Adreno 540 também consegue lidar com jogos pesados com um pé nas costas. Mesmo com os gráficos no máximo, games como Breakneck e Unkilled rodam com taxa de quadros alta e constante.

A autonomia da bateria de 3.230 mAh não foi ruim e ficou dentro da média de um topo de linha, diferente do que eu esperava — vale lembrar que, embora o fato da interface rodar em 1080p dê uma folga para o processador gráfico, a tela ainda continua tendo fisicamente mais de 8 milhões de pixels.

Nos meus testes, com duas horas de streaming de música no 4G e duas horas de navegação, também pela rede móvel, eu sempre cheguei em casa com algo entre 30% e 35% de bateria, dentro do que os concorrentes da mesma faixa de preço entregam. O aparelho ficou com brilho no automático e permaneceu das 9h às 23h longe da tomada.

Conclusão

O Xperia XZ Premium tenta reunir tudo o que a Sony tem de melhor. Ele realmente é o melhor aparelho da marca e, pela primeira vez em anos, parece que a empresa está minimamente disposta a brigar com a concorrência, lançando o aparelho por um preço mais normal, de R$ 3.999. Não é barato, mas pelo menos não está mais caro que outros topos de linha.

O problema é que a competição é bem difícil. Hoje, dá para afirmar que todos os smartphones caros estão mais ou menos no mesmo nível em termos de tela, bateria e desempenho. Tanto o Xperia XZ Premium quanto o Galaxy S8, LG G6 ou iPhone 7 Plus possuem bons displays, uma bateria que normalmente dá conta do recado e um desempenho sensacional.

Nesse cenário, o fator de diferenciação acaba sendo a câmera. E o Galaxy S8 ainda está na frente da concorrência, entregando um conjunto mais ágil, com mais detalhes e menos ruído, acompanhado de um design que certamente chama mais a atenção na prateleira da loja. Ele seria minha opção atual de smartphone topo de linha.

O flagship da Sony é um smartphone poderoso, equilibrado, que dificilmente desaponta e traz boas novidades por dentro. Mas bem que ele poderia ser atualizado por fora também.

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Especificações técnicas

  • Bateria: 3.230 mAh;
  • Câmera: 19 megapixels (traseira) e 13 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, BDS, Bluetooth 5.0, USB-C 3.1, NFC;
  • Dimensões: 156 x 77 x 7,9 mm;
  • GPU: Adreno 540;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 256 GB;
  • Memória interna: 64 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 191 gramas;
  • Plataforma: Android 7.1.1 (Nougat);
  • Processador: octa-core Snapdragon 835 de 2,45 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola, giroscópio, barômetro, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5,5 polegadas com resolução de 3840×2160 pixels e proteção Gorilla Glass 5.

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