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Vale salta 12% em 7 dias, CSN cai 4% e queridinha das seguradoras desaba 7% após sofrer grande revés

SÃO PAULO – O Ibovespa teve pregão de poucos ganhos nesta quinta-feira (29), pressionado entre avanços das commodities, piora dos mercados externos e incertezas políticas, apesar do governo de Michel Temer ter aumentado os esforços para gerar boas notícias no campo econômico. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou ontem à noite o projeto de reforma trabalhista, enquanto o CMN (Conselho Monetário Nacional) fixou hoje a meta de inflação de 2019 em 4,25% e a de 2020 em 4%, favorecendo a redução dos juros no longo prazo.

Com isso, o principal índice de ações da bolsa encerrou o pregão em alta de 0,36%, a 62.238 pontos, enquanto o dólar subiu 0,70% frente ao real, a R$ 3,3080 na venda, acompanhando a baixa de outras moedas emergentes. A alta do dólar favoreceu as empresas com perfil exportador. A Fibria, do setor de papel e celulose, subiu 4% e liderou os ganhos do benchmark nesta sessão.  

Veja mais: Uma operação que pode render 200% com o dólar – mas somente amanhã

Do lado oposto, o destaque ficou com a CSN, que quebrou uma sequência de seis altas e fechou em queda. Na máxima do dia, os papéis subiram cerca de 3%. As demais siderúrgicas Gerdau e Metalúrgica Gerdau acompanharam o movimento e também fecharam no negativo. A exceção foi Usiminas, que conseguiu se manter no campo positivo.  

Confira abaixo os principais destaques de ações desta quinta-feira:

Vale (VALE3, R$ 28,90, +0,38%; VALE5, R$ 26,88, +0,49%)
As ações da Vale subiram pelo sétimo pregão seguido, acumulando no período ganhos de 12%, em meio à escalada do minério de ferro. A commodity spot (à vista) negociada em Qingdao, na China, subiu 3,82%, a US$ 64,71 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian avançaram 4,38%, a 477 iuanes. 

Por sua vez, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 20,64, -0,10%) – holding que detém participação na Vale – viraram para o negativo, assim como as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 10,16, -1,07%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,93, -0,60%) e CSN (CSNA3, R$ 6,87, -3,92%). A exceção foi a Usiminas (USIM5, R$ 4,52, +0,44%), que conseguiu se manter no positivo. Com o movimento, a CSN interrompe uma sequência de seis altas. 

Petrobras (PETR3, R$ 13,01, +1,01%; PETR4, R$ 12,18, +12,18%)
As ações da Petrobras subiram na esteira dos preços do petróleo, cujos contratos WTI registraram sua sexta sessão seguida de ganhos, com declínio na produção da commodity nos EUA sustentando um mercado que vinha pressionado por um excesso na oferta global. Hoje, os contratos futuros do petróleo WTI subiam 0,27%, a US$ 44,86 o barril, enquanto os contratos do Brent registravam alta de 0,17%, a US$ 47,39 o barril.  

No radar da empresa, segundo o jornal Valor Econômico, a Petrobras deverá contar, com opinião de firmas de auditoria que não prestam serviço para a empresa para defender a adequação da adoção da prática de contabilidade de hedge pela empresa desde meados de 2013, que foi questionada pela área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Kroton (KROT3, R$ 14,50, +2,40%) e Estácio (ESTC3, R$ 14,40, -2,04%)
As ações da Kroton e Estácio fecharam em sentidos opostos após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ter rejeitado, ontem à noite, a fusão entre as empresas por 5 votos a 1. Proferido pela relatora Cristiane Alkmin, o único voto favorável, porém, apresentava uma série de restrições que deveriam ser cumpridas.

Veja abaixo as análises dos bancos sobre o veto à fusão:

Em relatório, os analistas do Bank of America Merrill Lynch dizem que, embora reconheçam que o negócio foi adicionou valor para os acionistas da Kroton, ainda há um atrativo risco-retorno sobre o as ações. Eles destacam que há alavancas de eficiência a serem capturadas, como a implantação do KLS 2.0 e outras iniciativas de modelos acadêmicos até 2019, além de oportunidades de investimentos para a sólida posição de caixa. Nesse sentido, eles estabelecem um novo preço-alvo para o papel de R$ 16,00 (contra R$ 18,50 anteriormente), refletindo apenas oportunidades de crescimento para a empresa. Eles comentam ainda que, em meio à queda recente das ações, há uma oportunidade particularmente atraente de entrada no ativo.

Em relação à Estácio, eles esperam que as ações voltem aos fundamentos, com o preço-alvo em R$ 16,00, o que implica um potencial de valorização ainda de 8% frente ao fechamento de ontem. “Reconhecemos que, embora os fundamentos possam ser suaves, pois a empresa ainda está em processo de ‘turnaround’, concentrando-se na recuperação dos tickets médios, redução de custos e geração de fluxo de caixa, poderíamos ver potenciais ofertas pela empresa (como era o caso antes do acordo entre Kroton e Estácio), o que poderia ser um potencial catalisador para as ações. Os analistas destacam a Ser Educacional (SEER3, R$ 23,41, -0,76%) como a grande beneficiada pela rejeição à fusão, ressaltando que a fusão resultaria em uma concentração de mercado prejudicial. Isso porque a empresa possui um plano orgânico agressivo de 45 novas unidades em campus e 400 novos centros de aprendizagem à distância, que poderiam enfrentar uma competição mais forte em um cenário Kroton/Estácio, comentam. 

Já o Credit Suisse diz que o impacto do veto à fusão traz pouco impacto para a Kroton. “O papel nos parece barato quando o olhamos sozinho”, comentam os analistas, que seguiram com recomendação “outperform” (desempenho acima da média) para a ação, com preço-alvo em R$ 16,00. 

Já quando olham para a Estácio, a percepção dos analistas do Credit é de que os próximos dias ainda podem ser marcados pela saída de investidores do “spread”, podendo o papel sofrer mais um pouco. “O desconto de 14% já indicava um elevado grau de ceticismo com a aprovação mas olhando pra frente nos parece razoável esperar que a Estácio negocie com um desconto tanto para Kroton quanto para Ser Educacional, nossos nomes preferidos dentro do universo de educação”, comentam. Por conta disso, os analistas decidiram reduzir o preço-alvo da ação de R$ 18,00 para R$ 14,00.

Por sua vez, o JPMorgan reduziu a recomendação das ações da Estácio de “overweight” (exposição acima da média) para neutra, enquanto o HSBC cortou a classificação para equivalente à venda. A Kroton foi reduzida para manutenção.

Já o Santander disse que espera pequena correção em Kroton e Estácio após a decisão e destaca que a Ser poderia se beneficiar de fusão com Estácio. Isso porque, conforme ressalta o Bradesco BBI, a Estácio aparece como ‘alvo natural’ para outros players.

Diante do veto do Cade, Kroton anuncia que vai ao mercado “comprar mais Kroton”

Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira, o presidente da Ser disse que vai entender o novo momento da companhia, ver que tipo de reestruturação foi feita nesse período [de negociação com a Kroton]. “A Estácio tem que tentar criar seu próprio caminho e se for fazer parte de uma fusão, nós vamos avaliar, mas nesse momento não é o nosso foco principal”, disse (veja mais).

Papel e celulose
Com perfil exportador, as ações do setor de papel e celulose – Fibria (FIBR3, R$ 34,32, +3,84%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,19, +2,01%) – subiram forte na esteira da alta do dólar frente ao real nesta sessão. A exceção foi a Klabin (KLBN11, R$ 16,26, -2,75%), que encerrou no negativo. 

No radar da Fibria, outra notícia chamava atenção. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a empresa planeja firmar sociedade com a chilena Arauco na Eldorado, que pertence à J&F, holding dos irmãos Batista. A companhia chilena assinou acordo de confidencialidade no último dia dia 16 com a empresa de celulose dos donos da Friboi para possível compra e é apontada como favorita para ficar com o negócio. A Eldorado também é cobiçada pela Suzano, ressalta a publicação. 

Porém, aponta a publicação, a empresa faz mais sentido à Fibria, que tem o grupo Votorantim e o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDESPar, como principais acionistas. A fábrica da Eldorado fica também em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, onde a Fibria tem seu complexo industrial instalado.

De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, a potencial venda da Eldorado Brasil (sem rating) para um par do setor pode transformar o fragmentado segmento latino-americano de celulose, melhorando as perspectivas de negócios para qualquer uma das quatro grandes produtoras de celulose da região com rating, afirma a Moody´s Investors Service em um relatório. No entanto, qualquer eventual acordo também pode afetar a qualidade de crédito destas companhias. 

“Todas as grandes produtoras latino-americanas de celulose de fibra curta expandiram significativamente suas capacidades de produção desde 2012”, afirma Barbara Mattos, vice-presidente sênior da Moody´s. “A consolidação do fragmentado setor de celulose global traria mais disciplina à cadeia de fornecimento”.

Já a Reuters informa que a Caixa Econômica Federal apoia o BNDES em seu esforço para remover o fundador José Batista Sobrinho e o CEO Wesley Batista do conselho da JBS, citando três pessoas com conhecimento do assunto. O BNDES pediu assembleia de acionistas para remover membros da família Batista. A JBS tem 30 dias para se reunir.

Wiz (WIZS3, R$ 18,20, -7,38%)
Pouco mais de um ano e meio negociando na bolsa, as ações da Wiz viraram uma das queridinhas no mercado de seguros. Porém, um dos grandes trunfos da companhia – que era o monopólio de vendas de seguros na Caixa Econômica Federal – veio abaixo. As ações da empresa afundaram 6% na última hora deste pregão, fechando com perdas de mais de 7% nesta quinta-feira, após a Caixa Seguridade rejeitar proposta da sócia francesa CNP  Assurances pela renovação antecipada do contrato de exclusividade. 

Em comunicado, a empresa diz que a Caixa Seguridade encerrou o período de negociação exclusiva com a companhia francesa. 

A companhia, antiga Par Corretora, tem como principais acionistas a Fena (Federação dos Funcionários da Caixa), a Caixa Seguradora e a GP Investments.

Entenda: Queridinha das seguradoras pode sofrer grande revés com decisão da Caixa (leia aqui)

Light (LIGT3, R$ 22,10, -2,21%)
O Conselho de Administração da Light aprovou na quarta-feira a eleição de Luís Fernando Paroli Santos para os cargos de diretor-presidente e diretor de Desenvolvimento de Negócios e Relações com Investidores, segundo fato relevante.

Paroli Santos substituirá a executiva Ana Marta Horta Veloso, que renunciou à presidência da elétrica na última sexta-feira, cargo que ocupava desde dezembro de 2015.

Paroli Santos foi indicado ao cargo pelo Conselho de Administração da Cemig, onde atuava como diretor de Distribuição e Comercialização.

Segundo o comunicado, o conselho da companhia também aprovou a eleição de Roberto Caixeta Barroso para os cargos de diretor de Finanças e diretor de Gente e Gestão Empresarial. Os dois executivos deverão ocupar os cargos até o fim do mandato, que se encerra em 31 de agosto de 2018.

Ainda sobre a Light, o Valor informa que a Cemig pretende vender sua participação na Light por meio de um leilão público na B3. Segundo presidente do conselho de administração da elétrica fluminense, Nelson Hubner, o objetivo é realizar o processo “em um prazo rápido”, até meados de outubro.

Ações de tecnologia
A comissão mista do Congresso que analisa a Medida Provisória 774/17 aprovou nesta quarta-feira a retomada da contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamentos para todos os setores da economia, com algumas exceções. Os 15 destaques apresentados ao texto serão analisados na próxima terça-feira.

 O BTG Pactual ressalta  as 2 principais mudanças propostas pelo relator: 1) empurrar a vigência para o ano que vem e 2) permitir 6 setores (incluindo empresas de TI) a continuar desfrutando da desoneração (pagando 4,5% sobre as vendas ao invés de 20% da folha de pagamento) foram mantidas e aprovadas. Isso é positivo para Linx (LINX3, R$ 17,30, -0,29%) e Totvs (TOTS3, R$ 29,60, -1,37%)  – apontando que a reoneração poderia impactar o EBITDA de ambas (se não houver repasse para preços) em 8.5% e 8%, respectivamente. 

Oi (OIBR4, R$ 3,41, +2,10%)
Atenção ainda para duas notícias sobre a Oi. O fundo de investimento da TPG Capital em Hong Kong e a fabricante chinesa de equipamentos ZTE avaliam fazer investimentos na Oi, disseram 2 pessoas com conhecimento direto do assunto à Bloomberg.

O Banco Modal está assessorando os dois potenciais investidores na transação, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. Ainda não há decisão sobre o montante do investimento, disseram. Os futuros investidores estão rondando a Oi à medida que sua situação financeira se deteriora, com fluxo de caixa negativo. A Elliott Management, de Paul Singer, Cerberus Capital Management e o bilionário egípcio Naguib Sawiris também demonstraram interesse em injetar capital na companhia, que protagonizou o maior pedido de recuperação judicial da história brasileira no ano passado. Um dos investidores, Nelson Tanure já ampliou sua fatia na Oi para 7%, passando a indicar dois dos 11 conselheiros. Oi e Modal não quiseram comentar. A TPG não quis comentar, segundo sua assessoria de imprensa ZTE do Brasil “não possui informações sobre o assunto até o momento”, segundo comunicado por e-mail à Bloomberg. 

O Globo destaca que a Oi pode ter uma capitalização de cerca de R$ 2 bilhões ainda neste ano. A decisão foi tomada em reunião do comitê estratégico da operadora na quarta-feira, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal. Esse comitê é formado por acionistas, diretores e membros do conselho. Esse aporte deverá vir acompanhado de outros dois e deverá somar R$ 8 bilhões ao longo de três anos. No encontro ficou decidido que será feita uma capitalização por ano.

PDG Realty (PDGR3, R$ 1,84, -1,60%)
De acordo com o Valor, a PDG Realty e o Bradesco protocolaram petição nesta semana em que pedem que o prazo para que o banco se manifeste sobre a inclusão ou não de patrimônio de afetação na recuperação judicial da incorporadora, que terminava hoje, seja estendido para 6 de julho. A publicação ressalta que não há consenso entre os bancos credores da PDG – Banco do Brasil (BB), Bradesco, Caixa Econômica Federal (CEF), Itaú Unibanco e Santander – sobre a manutenção das sociedades de propósito específico (SPE) afetadas na recuperação.

Rossi (RSID3, R$ 7,45, +2,34%)
A Rossi informou que quitou sua dívida de R$ 110 milhões com a RB Capital por meio de dação de imóveis prontos. Com isso, a empresa faz uma diminuição imediata de sua alavancagem, despesas financeiras e custo de carregamento de estoque. A dívida resultou de operações de crédito contratadas desde 2011, em que a gestora comprava terrenos e permutava com a Rossi.

Pelo acordo, a RB tinha rentabilidade mínima assegurada sobre a venda de unidades incorporadas em cada área. Como os percentuais pré-definidos não foram alcançados, a Rossi passou a ter dívida com a gestora.

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