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Usina a carvo busca crdito na China – Economia

Braslia, 14 – A gerao de energia usando o carvo mineral como combustvel no Brasil passou a ser bancada com dinheiro chins. Sem o apoio do BNDES para financiar seus projetos, a Eletrobrs recorreu ao China Development Bank (CDB) para financiar a reforma de sua usina Candiota 3, no Rio Grande do Sul.

Paralelamente, a empresas tambm fechou um contrato de R$ 230 milhes, sem licitao, com a empresa chinesa Citic Guo Hua International, que far a reviso geral da usina. Trata-se de um valor bem acima dos R$ 130 milhes que a empresa havia estimado para o servio dois anos atrs.

O banco estatal CDB, que atua como uma espcie de BNDES chins, passou a ser mais acionado desde outubro de 2016, quando o banco brasileiro de fomento mudou suas condies de financiamento energia eltrica, dando prioridade s fontes alternativas, como a solar, e extinguiu o apoio a trmicas a carvo e a leo. O plano de renovao de Candiota 3, usina que tem 350 megawatts de potncia, prev que a planta fique paralisada por 90 dias.

A reportagem questionou a Eletrobrs sobre a deciso de contratar uma companhia de outro pas com dispensa de licitao e se outras empresas foram consultadas. Por meio de nota, a estatal informou que se trata de um “fornecedor que detm a expertise desta usina” e que a planta “opera com alto teor de cinzas”.

Sobre o valor do contrato, a Eletrobrs declarou que o custo “foi avaliado atravs de anlise de razoabilidade de preos baseada em propostas de fornecedores similares, para efeito comparativo com os preos dos equipamentos originais que foram projetados para esta usina”. Quanto ao financiamento chins, a estatal lembrou que o BNDES acabou com o apoio s trmicas a carvo e leo. A deciso foi anunciada pelo banco em outubro de 2016.

A reforma geral da usina, conhecida no setor pelo jargo de “overhaul”, est programada para ser feita at o fim deste ano.

Poltica.

Representantes do setor de carvo esperam que o BNDES reveja sua poltica de financiamento, para que volte a bancar ao menos a renovao de projetos que esto em andamento. Nas contas da Associao Brasileira do Carvo Mineral (ABCM), h cerca de 1,3 mil megawatts de gerao que podem ser alvos desses projetos, envolvendo investimentos da ordem de US$ 5 bilhes. “O apoio do BNDES vital para o setor. Temos demonstrado ao banco a relevncia dessa parceria”, disse o presidente da ABCM, Fernando Luiz Zancan. O assunto foi tema de uma reunio recente entre agentes do setor e representantes do banco.

Perguntado sobre o assunto, o BNDES confirmou que recebeu uma delegao de empresas ligadas produo de carvo mineral, alm de representantes da prpria ABCM, solicitando que o banco volte a financiar usinas termoeltricas a carvo mineral. “Porm, atualmente esse investimento no financivel, de acordo com as polticas operacionais do BNDES”, declarou.

Sobre a criao de um programa de apoio renovao desses projetos, o banco foi taxativo ao declarar que, “no momento, o BNDES no avalia isso”.

A energia a carvo, considerada mais poluente, vem perdendo espao em todo o mundo. No ms passado, o presidente da estatal norueguesa Statkraft, Christian Rynning-Toennesen, disse esperar uma transio mais rpida para energias renovveis no mundo, uma vez que o custo de novas usinas solares e elicas dever cair e se tornar mais baixo que a gerao a carvo na prxima dcada, mesmo sem subsdios. As informaes so do jornal

O Estado de S. Paulo.

(Andr Borges)

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