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Três notícias fazem Ibovespa subir e “ignorar” derrocada em Wall Street; dólar sobe para R$ 3,30

SÃO PAULO – Em um dia de agenda política e econômica movimentada, o Ibovespa passou boa parte da tarde desta quinta-feira (29) no campo negativo, mas ganhou força e virou na reta final do pregão. Enquanto a queda no mercado externo trouxe pressão para o índice, a vitória do governo na CCJ do Senado, onde foi aprovada a reforma trabalhista, além da sucessora de Janot na Procuradoria-geral da República e a revisão da meta de inflação trouxeram otimismo.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,36%, aos 62.238 pontos, sustentando pela leve valorização da Petrobras e Vale. O volume financeiro ficou em R$ 6,091 bilhões. Com isso, a B3 se descolou completamente do cenário visto em Wall Street, onde a queda das ações das empresas de tecnologia fizeram o Nasdaq cair mais de 1%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones também tiveram perdas expressivas.

No radar dos investidores, além do avanço da reforma trabalhista no Senado, destaque para a escolha da sucessora de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República e a mudança da meta de inflação para 2019. No radar corporativo, chama atenção a decisão do Cade que impediu a consolidação de um gigante educacional a partir da fusão entre Kroton e Estácio.

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 subiram 1 ponto-base, a 8,98%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 saltaram 5 pontos-base, a 10,18%. No mercado de renda fixa, os investidores observam a decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) de reduzir a meta de inflação em 0,25 ponto percentual a partir de 2019, para 4,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Os contratos de dólar futuro com vencimento em julho deste ano, por sua vez, fecharam com ganhos de 0,72%, sinalizando cotação de R$ 3,306. Já o dólar comercial valorizou 0,70% ante o real, cotado a R$ 3,3080 na venda. A moeda ganhou força diante da mudança de tom dos bancos centrais na Europa e nos EUA. A visão foi disparada pelo discurso de Mario Draghi nesta semana, sobre possibilidade de retirada dos estímulos da zona do euro.

“Aos poucos, mercado vai colocando no preço sinalização que bancos centrais estão dando de redução de postura acomodatícia”, disse Mauricio Oreng, estrategista do banco Rabobank no Brasil, para a Bloomberg.

Destaques da Bolsa
Do lado acionário, os papéis da Vale (VALE3; VALE5) tiveram leves ganhos, dando continuidade às altas dos últimos seis pregões, acompanhando o bom desempenho do minério de ferro no mercado internacional. Seguiram o movimento as ações da Bradespar (BRAP4) — holding que detém participação na mineradora — e as siderúrgicas.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiram na esteira dos preços do petróleo, cujos contratos WTI registraram sua sexta sessão seguida de ganhos, com declínio na produção da commodity nos EUA sustentando um mercado que vinha pressionado por um excesso na oferta global. No noticiário, segundo o jornal Valor Econômico, a estatal deverá contar com opinião de firmas de auditoria que não prestam serviço para ela para defender a adequação da adoção da prática de contabilidade de hedge pela empresa desde meados de 2013, que foi questionada pela área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Os papéis da Kroton (KROT3), por sua vez, viraram para alta, enquanto as ações da Estácio (ESTC3) fecharam no negativo. Ontem, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) rejeitou a fusão entre as empresas por 5 votos a 1. Proferido pela relatora Cristiane Alkmin, o único voto favorável, porém, apresentava uma série de restrições que deveriam ser cumpridas.

Em relatório, o Credit Suisse diz que o impacto do veto à fusão traz pouco impacto para a Kroton. “O papel nos parece barato quando o olhamos sozinho”, comentam os analistas, que seguiram com recomendação “outperform” (desempenho acima da média) para a ação, com preço-alvo em R$ 16,00. Já quando olham para a Estácio, a percepção dos analistas é de que os próximos dias ainda podem ser marcados pela saída de investidores do “spread”, podendo o papel sofrer mais um pouco.

Logo após a decisão, diversas casas revisaram suas recomendações. A Estácio foi reduzida de overweight para neutra pelo JPMorgan e para recomendação equivalente à venda pelo HSBC. A Kroton, por sua vez, foi reduzida para manutenção. O Santander espera pequena correção em Kroton e Estácio após a decisão e destaca que a Ser poderia se beneficiar de fusão com Estácio. Isso porque, conforme ressalta o Bradesco BBI, a Estácio aparece como ‘alvo natural’ para outros players.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 FIBRIA ON 34,32 +3,84 +10,26 71,14M
 JBSS3 JBS ON 6,30 +2,44 -44,56 84,57M
 KROT3 KROTON ON 14,50 +2,40 +10,29 658,23M
 MRVE3 MRV ON 13,16 +2,25 +25,72 57,21M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 14,19 +2,01 +2,61 37,07M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 ELETROBRAS ON 12,11 -4,27 -42,66 30,88M
 CSNA3 SID NACIONALON 6,87 -3,92 -36,68 75,05M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,26 -2,75 -6,69 38,71M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 34,00 -2,44 -1,00 29,94M
 CMIG4 CEMIG PN 8,09 -2,18 +7,79 109,93M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 KROT3 KROTON ON 14,50 +2,40 658,23M 140,53M 40.819 
 VALE5 VALE PNA 26,88 +0,49 481,45M 527,71M 21.778 
 PETR4 PETROBRAS PN 12,18 +0,83 294,77M 511,57M 23.781 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 36,51 +1,00 274,92M 354,92M 15.742 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,65 +0,47 177,30M 266,31M 12.938 
 NATU3 NATURA ON 25,72 -1,79 162,30M 50,66M 5.637 
 BBAS3 BRASIL ON 26,56 +0,64 136,80M 214,21M 14.182 
 VALE3 VALE ON 28,90 +0,38 124,07M 151,06M 10.233 
 QUAL3 QUALICORP ON 28,65 -1,48 117,45M 76,30M 12.576 
 ABEV3 AMBEV S/A ON ED 18,25 -0,27 113,66M 294,83M 14.436 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
IBOVESPA

Reformas no Congresso
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou ontem, por 16 votos a favor, 9 contrários e 1 abstenção, o relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR) favorável à reforma trabalhista. Os senadores também rejeitaram todas as sugestões de emendas que foram destacadas para serem analisadas separadamente.

Sob protestos da oposição, o colegiado aprovou o regime de urgência para o projeto ir para plenário. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), já comunicou que pautará a matéria imediatamente. Assim, ela poderá ser analisada já na sessão extraordinária convocada para as 10h de hoje (29) ou ficar para a próxima terça-feira (4), caso não haja quórum.

Para garantir a aprovação, o presidente Michel Temer encaminhou aos senadores uma carta na qual reafirmou seu compromisso de vetar seis pontos acordados previamente por Jucá com os senadores da base aliada. A regulamentação desses pontos será feita posteriormente por meio de medida provisória. 

Em meio ao cenário de instabilidade, a reforma da Previdência ficou em segundo plano. Contudo, ressalta o jornal O Globo, os assessores do presidente resistem em jogar a toalha e acreditam ser possível votar a proposta até o fim deste ano.

Segundo a fonte ouvida pelo jornal, a intenção é insistir na votação do texto aprovado na comissão especial que tratou do tema no início de maio. De forma tímida, as conversas com os deputados estão recomeçando. Já o Planalto prefere dar um tempo antes de pautar a reforma: a ideia é só intensificar as conversas com os partidos após o recesso parlamentar de julho para avaliar os impactos da denúncia na base aliada.

Crise política e PGR
Ainda no cenário político, destaque para a escolha de Raquel Dodge para a PGR no lugar de Rodrigo Janot, cujo mandato termina em setembro. Dodge será a primeira mulher a ocupar PGR e é vista como rival do atual procurador-geral da República.

Segundo informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, aliados de Temer comemoraram o fato de ele ter seguido à risca a estratégia de escolher rapidamente a sucessora de Janot. Com isso, dizem, “o Planalto jogou um balde de gelo na xícara de café” do procurador-geral, que prepara novas denúncias contra ele. Sobre as denúncias, o líder do governo na Câmara Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que elas devem ser votadas juntas. 

Aliás, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, envia ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a denúncia contra Temer nesta manhã. Ontem, o relator da Lava Jato, Edson Fachin, decidiu enviar a acusação diretamente aos deputados, sem ouvir a defesa de Temer.

Já o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou, no final da tarde de ontem, a liderança do PMDB e anunciou independência do governo, alegando não ser “marionete”.

PIB dos EUA
A economia dos Estados Unidos cresceu 1,4% no primeiro trimestre, em taxa anualizada, informou o Departamento de Análise Econômica em revisão divulgada na manhã desta quinta-feira (29). A mediana das estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg apontava para uma alta de 1,2%. Apesar da revisão levemente acima das expectativas do mercado, o resultado marca uma desaceleração em relação ao desempenho registrado no trimestre anterior, quando o PIB saltou 2,1%.

Contribuíram para o resultado positivo da economia norte-americana no período o desempenho mais forte das exportações (+7%) e um aumento nos gastos dos consumidores (+1,1%), sobretudo em questões relativas à saúde e serviços financeiros. Por outro lado, poucas alterações foram vistas do lado dos investimentos, estoques e gastos do governo.

(Com Bloomberg, Reuters, Agência Estado e Agência Brasil)

Analistas

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