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‘Temos de ser donos de nossas escolhas’, diz CEO da Pandora – Economia

So Paulo, 14 – H quase oito anos, quando ingressou na Pandora – rede de joalherias dinamarquesa que, poca, era apenas uma startup com duas lojas no Brasil -, Rachel Maia tinha um objetivo simples: abrir uma terceira unidade, no Shopping Ibirapuera, em So Paulo. Foi pedir ajuda ao presidente global da poca. O valor era relativamente baixo, mas, mesmo assim, ouviu um no. “Ele me disse: no vou te dar dinheiro enquanto voc no me der dinheiro.”

Com a negativa, Rachel virou, mexeu, pechinchou e deu um jeito de fazer a inaugurao com os recursos que j tinha em mos. Um espao tmido, de 35 metros quadrados, mas que ainda est no “top 5” das vendas da rede, que agora contabiliza mais de cem unidades no Pas, entre lojas prprias, franquias e quiosques.

“Se a loja do Ibirapuera no desse resultado, eu perderia meu emprego, mas resolvi fazer mesmo assim. Temos de ser os donos das nossas escolhas.” A lio de que preciso arriscar e atravessar perodos amargos com otimismo foi um ensinamento que aprendeu desde cedo com a famlia.

Caula de sete irmos, Rachel foi criada na regio de Cidade Dutra, zona sul de So Paulo. “Um frango tinha de ser suficiente para todo o almoo de domingo, para 11 pessoas, pois dois primos tambm viviam conosco. Ento, minha me decidiu assim: em um ms, uma pessoa comia o peito, no outro, a coxa. Tinha de passar pela parte mais dura para ter direito coxa deliciosa. Mas se tinha sempre algo bom para esperar.”

Nos anos 1990, quando ainda dava os primeiros passos na carreira, Rachel fez sua primeira ousadia. Decidiu usar o dinheiro da resciso do emprego como contadora na finada operao da rede de convenincias Seven Eleven no Pas para fazer um curso de ingls no Canad.

“Eu estudei em escolas pblicas, ento aprendi o que estava na grade, o que era basicamente o verbo ‘to be'”, lembra Rachel. O desafio, na poca, era contar ao pai, Antnio, que parte da resciso no seria usada para ajudar nas contas da famlia. “Meu pai sempre nos ensinou o que era a vida adulta, por isso sempre tive de pagar a conta de luz ou de gua de casa.”

Aps a temporada no Canad, conseguiu um emprego na farmacutica Novartis. Queria continuar no setor indstria, mas o acaso a levou para a marca de alto luxo Tiffany’s. A empresa procurava um diretor financeiro – e o RH global exigiu que pelo menos uma mulher estivesse na disputa. E Rachel decidiu participar a pedido de um headhunter.

Ficou na companhia por sete anos, at sair para desenvolver o negcio da Pandora – marca fundada em 1982, que faturou US$ 800 milhes em todo o mundo em 2016. “Acho que a questo do currculo ajudou muito, mas eu tambm tive a sorte de estar no lugar certo, na hora certa.”

Liderana

Aps trs anos seguidos de crise, os nmeros da Pandora voltaram a melhorar no Brasil, que hoje considerado um dos mercados de alto crescimento da rede. “Cumpri minhas metas nos ltimos oito meses”, diz Rachel, que tambm faz parte de um grupo de 13 executivos globais que participa de um programa global de liderana da companhia.

“Sou uma lder, e me defino como tal”, diz Rachel. Ela participa de um grupo de WhatsApp de altas executivas e diz que “est abrindo uma picada” para a liderana feminina virar realidade no Pas – hoje, elas so apenas 4% do total de CEOs brasileiros. Alm da questo de gnero, a executiva tambm quebrou a barreira racial. “Faltam mulheres nas mesas de deciso, falta diversidade. uma mudana de cultura, mas algum tem de comear a faz-la.”

Para 2018, alm de manter a expanso da Pandora, Rachel tem planos pessoais ambiciosos. Me de Sarah Maria, de 8 anos, ela est na fila da Justia para adotar um menino. “J estava na fila para adoo quando engravidei por acaso, quando tinha 40 anos. Pedi para adiar na poca, mas agora estou perturbando o juiz para que o processo ande mais rpido.” As informaes so do jornal

O Estado de S. Paulo.

(Fernando Scheller)

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