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Tecnologia inovadora vai aumentar taxa de deteção de cancro da mama – Jornal diariOnline – Região Sul

O Algarve é a primeira região do país a realizar rastreios ao cancro da mama com uma tecnologia de última geração, apresentada ontem, terça-feira, que permitirá aumentar “significativamente” a taxa de deteção precoce. O programa-piloto de rastreio ao cancro do cólon e reto também avança na região.

O equipamento, que coloca a região na “linha da frente” europeia na área do rastreio ao cancro da mama, está instalado numa unidade móvel, recorrendo à tomossíntese (imagens a três dimensões) e ao diagnóstico assistido por computador para obter maior capacidade de avaliação nos exames feitos às mulheres com mais de 50 anos.

“Em vez de duas incidências, duas fotografias por mama, vamos ter cerca de 80, o que permite fazer um corte em pequenas dimensões, mais do que ao milímetro. Podemos avaliar qualquer lesão, por mais pequena que seja, com mais segurança e fiabilidade”, explicou Filomena Horta Correia, médica e coordenadora do núcleo de rastreio da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve.

A unidade foi apresentada pela ARS, em sessão realizada no Laboratório Regional de Saúde Pública do Algarve Dr.ª Laura Ayres, no Parque das Cidades, na presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

Para além de aumentar a taxa de deteção – de 5,5 cancros por 1000 mulheres rastreadas para 8 cancros por 1000 mulheres rastreadas, estima a ARS -, o equipamento vai reduzir os falsos positivos, o número de mulheres chamadas à consulta de aferição, a dose de radiação aplicada em cada exame e, por consequência, os custos do programa de rastreio do cancro da mama.

A nova unidade de diagnóstico para o rastreio do cancro da mama foi adquirida pela Associação Oncológica do Algarve (AOA), num investimento de cerca de 500 mil euros, obtidos graças aos donativos entregues pelos rotários.

Os médicos envolvidos no programa de rastreios e o presidente da ARS/Algarve, Paulo Morgado, fizeram questão de lembrar Santos Pereira, antigo presidente da AOA, falecido no ano passado, pelo seu contributo nesta área.

Durante a mesma ação, foi apresentado o projeto-piloto de rastreio ao cancro do cólon e reto na região, que numa fase inicial vai abranger cerca de 7 mil utentes de unidades de saúde de Faro e de São Brás de Alportel.

Este rastreio, organizado de base populacional, vai ter como público-alvo homens e mulheres dos 50 aos 75 anos, visando diminuir a morbilidade e mortalidade por cancro do cólon e reto, através da deteção e tratamento precoce das lesões encontradas, com melhoria da eficácia, eficiência da intervenção e da taxa de sobrevivência.

Todos os utentes com teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva serão encaminhados para realizar a colonoscopia de «follow up» até 30 dias após a emissão do resultado.

O projeto contribuirá para aumentar a taxa de sobrevivência, reduzir a proporção de cancros diagnosticados em fase clínica em relação ao total de cancros diagnosticados, diminuir as abordagens terapêuticas mais agressivas e melhorar a efetividade terapêutica.

Este projeto vai ser implementado pela ARS/Algarve, em parceria com o Centro Hospitalar do Algarve, utilizando um sistema de informação desenvolvido internamente pelo organismo.

Depois da fase inicial, nos concelhos de Faro e São Brás de Alportel, o alargamento do rastreio está previsto para o início de 2018, progressivamente, a todas as unidades de cuidados de saúde primários do Algarve, abrangendo cerca de 140 mil utentes.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, considerou o dia “histórico” para o Algarve, esperando que a experiência piloto do rastreio ao cancro do cólon e do reto possa alargar-se às outras regiões do país já em 2018.

O governante anunciou ainda a criação do Registo Oncológico Nacional, a partir de janeiro de 2018. “Vamos ter dados a nível nacional sobre a efetividade de terapêuticas, fármacos e rastreios, para perceber, por cada euro colocado nos rastreios, qual é o impacto e mais-valia na redução dos fármacos e na sobrevida dos doentes”, frisou.

O Serviço Nacional de Saúde gasta, por ano, 250 milhões de euros em tratamentos de doenças oncológicas, salientou o secretário de Estado.

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