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Supremo do Peru ordena libertar ex-presidente Humala no caso Odebrecht

O ex-presidente do Peru Ollanta Humala e a ex-primeira-dama Nadine Heredia deixam a sede do Partido Nacionalista em Lima, Peru – GUADALUPE PARDO / REUTERS

LIMA – O Tribunal Constitucional do Peru revogou nesta quinta-feira a prisão preventiva do ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, no caso de recebimento de recursos ilícitos da empreiteira brasileira Odebrecht. Há nove meses presos sob suspeitas de lavagem de dinheiro, eles agora aguardarão o processo em liberdade.

No âmbito da investigação, o juiz Richard Concepción Carhuancho ordenou 18 meses de prisão preventiva contra ambos em julho passado, enquanto avançava a investigação sobre o recebimento de US$ 3 milhões da empreiteira para sua campanha eleitoral de 2011.

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Os Humala apresentaram neste ano um recurso de amparo (habeas corpus) para enfrentar o processo em liberdade, mas o tribunal — que equivale ao Supremo peruano — não havia chegado a um consenso até abril.

“Amigos, conseguimos! O TC decidiu a favor do habeas corpus de Ollanta Humala e Nadine Heredia e eles serão libertados”, escerveu no Twitter César Nakazaki, advogado do casal.

O ex-casal presidencial deve ser libertado ainda nos próximos dias, após serem cumpridos trâmites burocráticos.

CASAL INVESTIGADO EM CONJUNTO

Presidente de 2011 a 2016, Humala (de gola verde) é preso por corrupção: ex-governante nega envolvimento em esquema com a Odebrecht – Martin Mejia / AP

Humala e Nadine estão presos há mais de nove meses a pedido da Procuradoria Geral do país, enquanto o órgão vinha recolhendo informações e provas para acusá-los de lavagem de dinheiro. Os US$ 3 milhões teriam sido entregues a Humala a pedido do Partido dos Trabalhadores (PT), segundo depoimento do ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, a procuradores peruanos.

Aliado de partidos da centro-esquerda latino-americana, Humala governou o Peru de 2011 a 2016 e é um dos quatro ex-presidentes do país investigados pelo escândalo de corrupção com a Odebrecht. No entanto, é o único preso.

  • Alberto Fujimori durante entrevista em setembro de 1995 Foto: Greg Baker / AP

    Alberto Fujimori (1990-2000)

    Foi condenado a 25 anos de prisão por múltiplas violações dos direitos humanos e casos de corrupção. Tem 79 anos, e após ficar anos preso na base policial da Direção de Operações Especiais do Peru, recebeu indulto do presidente Pedro Pablo Kuczynski.

  • Alejandro Toledo durante campanha para eleições presidenciais em 2000 Foto: Dolores Ochoa / AP

    Alejandro Toledo (2001-2006)

    Está foragido da Justiça peruana, que já pediu sua extradição aos Estados Unidos. Foi acusado de receber suborno milionário da empresa Odebrecht. Toledo, de 71 anos, nega as acusações de lavagem de dinheiro.

  • Ex-presidente do Peru, Alan García, durante evento no Brasil em 2012 Foto: Marcos Alves / Agência O Globo

    Alan García (1985-1990 e 2006-2011)

    Depois de concluir o seu primeiro mandato, foi investigado pelo Congresso peruano. Aos 68 anos, é investigado na Justiça por acusações de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

  • Ollanta Humala durante entrevista coletiva em Lima, em abril de 2006 Foto: Mariana Bazo / Reuters

    Ollanta Humala (2011-2016)

    O ex-presidente também é suspeito de envolvimento com a Odebrecht. Ele recebeu uma ordem de prisão preventiva de 18 meses ao ser acusado, junto com a mulher, de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

  • O presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski Foto: MARIANA BAZO / REUTERS

    Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018)

    Eleito em 2016 com a força do voto antifujimorista, o presidente renunciou menos de dois anos depois sob pressão dos partidários de Fujimori no Congresso. Acusado de receber quantias milionárias da Odebrecht por consultorias, perdeu margem de manobra para escapar do impeachment. As investigações presseguem a partir da renúncia.

Os outros investigados são Pedro Pablo Kuczynski (recém-renunciado), Alan García e Alejandro Toledo — este último enfrenta um pedido de extradição dos Estados Unidos.

— Seremos firmes na luta contra a corrupção. A transparência será um pilar de nosso mandato — disse o novo presidente peruano Martín Vizcarra, que era vice de Kuczynski e assumiu quando este renunciou para evitar sofrer impeachment, em fevereiro.

Manifestante carrega bandeira contra ex-presidentes peruanos – CRIS BOURONCLE / AFP

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