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Sindipetro acusa Petrobras de acidente na Replan

Sindicato marcou para amanhã (3) assembleia para discutir o acidente ocorrido nesta quarta-feira (1º) na Refinaria de Paulínia

Por
Denise Luna, do Estadão Conteúdo

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2 nov 2017, 12h24

São Paulo – O Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro SP) marcou para amanhã (3) assembleia para discutir o acidente ocorrido nesta quarta-feira (1º) na Refinaria de Paulínia (Replan), maior unidade de refino da Petrobras. A Replan, que tem capacidade para processar 415 mil barris diários de petróleo, ou 20% da produção nacional, está parada desde ontem (1º), depois de uma falha técnica ter provocado problemas em quase todas as unidades que compõem o complexo, localizado a 118 km da capital paulista.

A Replan ocupa uma área de cerca de 9 quilômetros, cujo entorno ficou tomado por uma espessa fumaça tóxica, segundo o diretor do Sindipetro SP, Arthur Ragusa. De acordo com ele, esta é a terceira vez que a Replan para em menos de um mês, informou. Das outras duas vezes, a falha de se deu por falta de energia elétrica e nada ocorreu de grave. Desta vez, segundo Ragusa, a falta de ar comprimido nas unidades, devido ao rompimento de uma tubulação, prejudicou a operação de todas as unidades e provocou a emissão de gases tóxicos na atmosfera.

“O ar comprimido é usado para o controle de válvulas. Com a falta dele, a unidade de craqueamento (separação dos componentes do petróleo) acionou a reversão por segurança, e o produto que viria para dentro da unidade saiu pela chaminé e formou uma imensa nuvem de fumaça com uma mistura de gasolina, GLP e óleo diesel vaporizados, com alto grau de explosividade,” explicou o petroleiro, lembrando que poderia ter havido uma explosão se a fumaça encontrasse no caminho um maçarico, por exemplo. O alarme, disse, demorou meia hora para ser acionado.

Na Replan trabalham duas mil pessoas, de acordo com o sindicato. No momento do acidente havia cerca de 1,6 mil empregados no local, entre contratados e terceirizados. “Todos ficaram muito assustados, em pânico, e saíram correndo, mas felizmente ninguém se machucou”, afirmou.

Para Ragusa, uma das fontes do problema da Replan é a redução de cargos que foi realizada recentemente. Ele informou que no painel de controle da unidade de craqueamento, por exemplo, havia quatro postos de trabalho, reduzidos para três com a reestruturação da estatal. “O quadro hoje não consegue ter a mesma abordagem de antes, não consegue enfrentar com a mesma capacidade de serviço”, avaliou.

Ragusa disse que a “sorte” dos empregados no local foi o fato de estar ventando muito na tarde de ontem (1ª), o que dissipou a fumaça tóxica. Mesmo assim, a Petrobras deve ser multada pelos órgãos do meio ambiente, disse Ragusa.

A Petrobras confirmou a paralisação da Replan, mas ainda não deu detalhes. “A Petrobras informa que nesta quarta-feira (1º) que houve uma falha operacional, já controlada, na Refinaria de Paulínia (Replan) localizada em Paulínia (SP), que levou à parada das unidades de processo, provocando corretamente a variação da chama da tocha, um dos sistemas de proteção e segurança da refinaria. Não houve danos às pessoas nem às instalações. A Replan está trabalhando para normalizar a situação”, informou por nota. A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo foi procurada e ainda não retornou as ligações da reportagem.

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