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‘Sentimos medo’, dizem vizinhos do tríplex do Guarujá após invasão

Militantes do MTST ocuparam nesta segunda-feira, durante três horas, o imóvel que levou à condenação do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato

Por
Marcella Centofanti

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16 abr 2018, 15h55

Quatro moradores do Edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo, prestaram depoimento à Polícia Federal sobre a invasão de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ao prédio nesta segunda-feira. Entre as 8h30 e as 11h30, os manifestantes ocuparam o tríplex 164-A do condomínio, reformado pela empreiteira OAS e reservado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de pagar propina ao petista. O caso levou à condenação de Lula a 12 anos e um mês de prisão na Operação Lava Jato, pena que ele cumpre preso em Curitiba desde o último dia 7 de abril.

Moradora do Solaris, a jornalista Renata Simões, de 36 anos, contou a VEJA que bateu na porta do imóvel invadido pelo MTST. “Perguntei se eles estavam cientes de que aquele apartamento pertencia à Justiça. Eles disseram que sim”, disse. Renata conta ter ficado assustada com a chegada dos militantes, no momento em que saía para trabalhar. “Eles passaram pelos nossos apartamentos para chegar ao do Lula”, relata.

Já a aposentada Helenice Soares Medeiros, de 66 anos, criticou a ação do MTST. “Se o chefe deles está na cadeia, eles devem ir lá”, afirmou. “Nós ficamos com medo com um grupo de 100 pessoas invadindo nosso prédio”, completou Helenice. Renata Simões corroborou: “Lógico que ficamos com medo”.

Cerca de trinta pessoas, segundo a PM, entraram no prédio. Conforme os advogados do movimento, havia cerca de setenta manifestantes no imóvel, além de oitenta na rua.

Morador do Solaris há 2 anos e vizinho do tríplex, o médico Mauricy Magario, de 58 anos, disse que também ficou assustado com o barulho e ligou para a portaria. Como os porteiros estavam ocupados com a movimentação, no entanto, Magario não obteve notícias.

“Era muita algazarra, pensei que estavam quebrando o apartamento”. Ele, então, foi ver do que se tratava. “Quando abri a porta, aquela bandeira enorme [estava] sendo aberta. Fui perguntar quem era o responsável. Um deles, que se identificou como Danilo, disse que a manifestação era simbólica e pacífica, que não iam fazer nada. Mesmo assim, minha mulher, que está grávida, ficou desesperada e eu, muito preocupado”, conta o médico.

Após uma negociação conduzida por advogados do MTST e a Polícia Militar, os militantes do movimento liderado pelo pré-candidato à Presidência Guilherme Boulos (PSOL) deixaram o prédio por volta das 11h30. Boulos não estava entre os manifestantes. Ao deixarem o condomínio, os militantes gritavam “A verdade é dura, o tríplex não é do Lula” (assista ao vídeo abaixo).

Agentes da Polícia Federal deixaram o edifício às 14h10, após periciar o tríplex. Eles não deram declarações à imprensa.

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