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Sem clube, Conca recusa proposta para ser treinador e foca em retorno aos gramados | futebol internacional

Depois de chegar à Gavea com status de novo ídolo do Flamengo, Conca sequer completou uma partida com a camisa rubro-negra. O longo tratamento no joelho esquerdo não deixou com que o meia tivesse continuidade no time e acabou retornando ao futebol chinês no início de 2018, onde ficou até março deste ano. Em entrevista ao GloboEsporte.com, ele revelou um pedido do Shanghai SIPG, seu ex-clube, para coordenar ou treinar as divisões de base do time chinês.

– Eu disse que não poderia mudar de uma hora pra outra e que o meu sonho era continuar jogando – garantiu o argentino.

Conca está treinando em Miami com Ronaldo Torres (Foto: Divulgação)Conca está treinando em Miami com Ronaldo Torres (Foto: Divulgação)

Conca está treinando em Miami com Ronaldo Torres (Foto: Divulgação)

Pelo menos nas redes sociais de Darío Conca, ele ainda é jogador do Flamengo. Para o argentino que sempre preferiu a discrição, seus perfis não preocupam, mesmo que também não correspondam mais com a realidade. Próximo de completar 35 anos, Conca só pensa mesmo em voltar a jogar futebol.

– Muitas pessoas sempre falam no Brasil e na China que tenho que estar mais ativo, mas é meu jeito. Sou tranquilo, gosto de estar com a minha família, com meus amigos. Não sou de acompanhar muitas coisas. Acompanho futebol, mas prefiro ter uma conversa, estar com a família, com os filhos, brincando, do que estar na internet.

Decidido a viver novamente os bons momentos que o consagraram dentro de campo, Conca tem se dedicado a manter a forma em Miami, sob os cuidados do preparador físico Ronaldo Torres.

Conca está treinando com preparador físico particular em Miami (Foto: Divulgação)Conca está treinando com preparador físico particular em Miami (Foto: Divulgação)

Conca está treinando com preparador físico particular em Miami (Foto: Divulgação)

– Agora tem que jogar, tem que ter um Felipão para apostar nele, como apostaram no Ronaldo para a Copa de 2002 – disse Torres, que conheceu Conca em 2009 quando trabalharam juntos no Fluminense.

Em quase meia hora de conversa por telefone, Conca deixou claro que está apto para atuar e lembrou dos momentos difíceis desde a lesão delicada que sofreu no joelho, em agosto de 2016. O argentino também falou sobre a tristeza de não ter tido uma história com a camisa da Argentina e sobre a passagem frustrada pelo Flamengo.

– No Flamengo cheguei primeiro para me recuperar e depois jogar. Gostaria de ter podido ajudar muito mais. O torcedor me apoiou desde o inicio na chegada ao Rio de Janeiro, tive um respeito muito grande e lamento não ter ajudado mais. Agradeço ao Flamengo pelo respeito e por tudo que fizeram para me ajudar em um momento tao delicado – garantiu Conca.

Confira a entrevista completa com Conca ao GloboEsporte.com:

Após a rescisão do seu contrato com o Shanghai SIPG, no início de março, você teve proposta do próprio clube para seguir em outra função. De que maneira eles queriam contar com você?

– O Shanghai queria que eu ficasse no clube mesmo após a rescisão, mas falei que não. Era para ajudar na base do clube, e até no profissional. Eles me propuseram ser treinador, coordenador. Agradeci, mas não era o que eu queria naquele momento. Eu disse que não poderia mudar de uma hora pra outra e que o meu sonho era continuar jogando. Não poderia mentir para eles, pois também não estava preparado para as funções.

No Flamengo, foi um ano com praticamente nenhuma chance. Foram apenas 27 minutos em campo durante 11 meses. Como você está se sentindo agora, está pronto para voltar a jogar?

Conca em treino do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)Conca em treino do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Conca em treino do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

– Eu me sinto apto para jogar e me sinto bem. Consegui me recuperar. Não foi uma lesão fácil, não foi nada simples. Agora estou treinando com o Ronaldo Torres. Fisicamente estamos fazendo um trabalho forte e estou respondendo bem. No futebol não é tão simples chegar, entrar e jogar. Tem que estar pronto, bem fisicamente, e hoje eu me sinto pronto, e espero essa oportunidade para fazer o que sempre fiz e amo fazer. Ultimamente, depois da lesão, não tive muitas oportunidades, mas faz parte do futebol. Tenho que estar bem para quando aparecer essa oportunidade eu dar conta do recado.

Mês que vem você completa 35 anos. Para um jogador que historicamente nunca teve problemas sérios de lesões, como é conviver psicologicamente com esse período?

– Sabia que não seria fácil. No começo você fica tentando fazer mais do que você na verdade pode, de tentar se recuperar o mais rápido possível. Eu fiz uma cirurgia no Colorado, nos Estados Unidos, (em 2016) com um cirurgião espetacular, ele me passou muita confiança e me explicou que iria demorar para eu me recuperar. Tive um bom tratamento no Flamengo, vou agradecer sempre aos fisioterapeutas e massagistas, a todo mundo.

Conca fazendo tratamento no CT do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)Conca fazendo tratamento no CT do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Conca fazendo tratamento no CT do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

– Eles foram muito importantes para essa recuperação também. Daqui a um mês vou fazer 35 anos, e eu sempre fui de superar dificuldades. Tive uma lesão no tornozelo quando estava com 19 anos e naquele momento também pensava que possivelmente não poderia voltar a ser o mesmo. No primeiro momento de uma grande lesão você pensa nas dificuldades que vai ter, você se preocupa se vai voltar igual, mas isso você supera com trabalho, supera com a confiança das pessoas que estão do seu lado também.

Um jogador de quase 35 anos ainda alimenta novos sonhos no futebol?

– Sempre. Vivi momentos muito bons no futebol, fui muito feliz. E isso poderia acontecer de novo. Acho que para viver alegrias não tem idade. O mais importante é saber que o futebol te proporciona coisas muito boas, coisas que você nunca imaginou. Entrar em um estádio tão importante, com torcida, comemorar um Campeonato Brasileiro. Esse sonho você nunca perde. São coisas que tive a sorte de viver e com certeza todo jogador tem o sonho de conquistar coisas importantes independentemente da idade.

O Campeonato Brasileiro começou neste fim de semana. Já deu tempo para sentir saudades da competição? Espera voltar a atuar no Brasil?

Conca viveu sua melhor fase da carreira com a camisa do Fluminense (Foto: Matheus Andrade / Photocamera)Conca viveu sua melhor fase da carreira com a camisa do Fluminense (Foto: Matheus Andrade / Photocamera)

Conca viveu sua melhor fase da carreira com a camisa do Fluminense (Foto: Matheus Andrade / Photocamera)

– Saudade todo jogador tem até nas férias do futebol. Com certeza começa um campeonato difícil. Tive a sorte de jogar em clubes como o Vasco, Fluminense, Flamengo, que me permitiram participar de um campeonato tão importante, vestir camisas importantes. Com certeza que bate uma saudade, viver aquele clima que tem a competição, aquela pressão. Mas estou tranquilo, tentei sempre dar o meu melhor, e agora desejo sorte para todos os clubes.

– Se aparecer um proposta será bom, mas caso não chegue procurarei outro lugar onde também me sinta bem. Todo jogador gostaria de jogar no futebol brasileiro. Mas isso com calma, se não acontecer também fico feliz por um dia ter participado.

Até por ter ter casa em Miami, você vê com bons olhos atuar no futebol dos Estados Unidos?

– Com a experiência, aprendi que no futebol não devemos fechar portas. Não posso falar nunca jogarei aqui. Eu nunca imaginei jogar na Ásia, essa é a verdade. E depois aconteceu que eu joguei durante 4 anos e meio na China. Hoje têm algumas conversas aqui no futebol dos Estados Unidos. Se eu sentir confiança que vou estar feliz, eu iria tranquilamente, não teria nenhum problema. Na China, lamentavelmente, o clube esperou até fechar a janela pra rescindir o contrato para não permitir que eu fosse para outro clube de lá. A nova janela abre em junho na China. Existem também outros contatos na Argentina, eu tenho alguns amigos que vêm me falando algumas coisas, pra ir para alguns times. É esperar e achar o lugar certo para estar feliz, e minha família também estar feliz.

Ronaldo Torres está treinando Conca nos EUA (Foto: Divulgação)Ronaldo Torres está treinando Conca nos EUA (Foto: Divulgação)

Ronaldo Torres está treinando Conca nos EUA (Foto: Divulgação)

Agora, olhando para trás. No Brasil você fez muito sucesso. Mas mesmo assim não conseguiu chegar a jogar pela seleção argentina. Como é não ter tido uma história com a camisa do seu país?

– Eu gostaria de ter participado pelo menos de uma partida. Ter vestido a camisa da seleção argentina era um sonho. Cresci imaginado poder um dia vestir a camisa do meu país, mas não aconteceu. Eu me esforcei pra fazer o melhor em cada clube para caso tivesse a oportunidade estar bem naquele momento. Estive bem, me sentia bem para estar na seleção, mas os treinadores escolheram outros jogadores que eles achavam que mereciam mais.

– Sou tranquilo para essas coisas. O treinador tem o direito de escolher o jogador, e nós jogadores temos que aceitar. Eu não era o único jogador que ele tinha para escolher. Se escolhesse o Conca teria que deixar outro de fora.

Você sempre foi muito elogiado pelo profissionalismo, por gostar de treinar e procurar estar sempre nas melhores condições física e técnica. Mas fora de campo, você nunca foi muito de se expressar, dizer o que sente. No caso da seleção argentina, talvez isso tenha te atrapalhado? Faltou dizer que você merecia uma chance?

– Muitas pessoas falavam que eu tinha que falar mais, que eu tinha que dizer que estava pronto para ir para a seleção, que eu merecia uma chance. Mas no meu caso eu sempre pensei a mesma coisa. Se eu fosse escolhido seria pelo jeito que sou dentro de campo. Eu escolhi isso, não sou de falar muito. Não me arrependendo, essa é minha personalidade. Nunca fui de falar muito com a imprensa. Eu acho que pessoalmente isso não me prejudicou. Foi uma escolha minha e eu não vou mudar nunca. Sempre penso que me chamariam independentemente de eu falar pouco. Caso merecesse aquela chance iriam me chamar. Eu sempre respeitei o profissional que está do outro lado. Se não fui chamado foi porque eu não consegui atingir o que o treinador queria naquele momento.

Nas suas redes sociais você ainda aparece com a camisa do Flamengo. Você não é de atualizar seu perfil.

Rede social de Conca ainda tem as imagens de quando o argentino jogava pelo Flamengo (Foto: Divulgação)Rede social de Conca ainda tem as imagens de quando o argentino jogava pelo Flamengo (Foto: Divulgação)

Rede social de Conca ainda tem as imagens de quando o argentino jogava pelo Flamengo (Foto: Divulgação)

– Muitas pessoas sempre falam no Brasil e na China que tenho que estar mais ativo, mas é meu jeito. Sou tranquilo, gosto de estar com a minha família, com meus amigos. Não sou de acompanhar muitas coisas. Acompanho futebol, mas prefiro ter uma conversa, estar com a família, com os filhos, brincando, do que estar na internet. Cada um escolhe uma forma de viver e eu escolhi essa. Eu gosto de fazer o que faz me sentir mais feliz. Tento que meu filhos não sejam tão ativos nessas coisas de internet para eles poderem curtir mais a vida. As redes sociais às vezes prejudicam muito.

Você viveu momentos bem diferentes nas suas passagens pelos clubes do Rio de Janeiro. Quais são seus sentimentos pelos clubes por onde passou?

– Eu só tenho que agradecer aos 3 times, às torcidas. Eu sempre fui muito bem recebido por todos. No Rio, até a torcida do Botafogo sempre me respeitou muito, nunca tive problemas. Cheguei no vasco, estava um pouco perdido no começo, não conseguia me adaptar, e os torcedores, jogadores, o clube, me ajudaram muito naquele momento. Depois no Flu fui muito bem, tive a sorte de viver meu melhor ano no futebol (2010), fui muito bem tratado, respeitado, e é isso que fica. Todo o resto é muito difícil de explicar o que vivi. Luta contra o rebaixamento, final da Libertadores, final da Sul-americana, título do Campeonato Brasileiro…

Conca é reverenciado após título brasileiro de 2010 do Fluminense (Foto: Photocamera)Conca é reverenciado após título brasileiro de 2010 do Fluminense (Foto: Photocamera)

Conca é reverenciado após título brasileiro de 2010 do Fluminense (Foto: Photocamera)

– No Flamengo cheguei primeiro para me recuperar e depois jogar. Gostaria de ter podido ajudar muito mais. O torcedor me apoiou desde o inicio na chegada ao Rio de Janeiro, tive um respeito muito grande e lamento não ter ajudado mais. Agradeço ao Flamengo pelo respeito e por tudo que fizeram para me ajudar em um momento tao delicado.

Você trabalhou a primeira vez com o preparador físico Ronaldo Torres em 2009. Como tem sido essa parceria?

– Conheci o Ronaldo em 2009 quando estávamos brigando contra o rabaixamento no Fluminense, ele chegou com o Cuca. Depois trabalhamos em 2010 e parte de 2011. Depois a gente se reencontrou na China. O clube tinha me pedido indicação de um preparador para dar mais experiência e recomendei o Ronaldo Torres. Agora estamos trabalhando juntos. Ele me ajuda como profissional, no pessoal, pela experiência que ele tem, por tudo que ele conquistou. É muito bom ter alguém de confiança do seu lado.

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