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Saiba se você deve ou não fazer a cirurgia bariátrica! 

Você sabia que há vários tipos de cirurgia bariátrica? E que a volta da ingestão regular de alimentos tem que respeitar várias etapas? Sim, os maus hábitos alimentares contemporâneos levam a uma situação em que essa medida, para muitos casos, acaba sendo necessária. Para falar sobre esses e muitos outros aspectos, como a obrigação do SUS de cobrir as cirurgias plásticas complementares, o iSaúde traz uma entrevista com a médica nutróloga Paula Whyte.

iSaúde – Para quais casos é indicada a cirurgia bariátrica?

Paula Whyte – As indicações formais para a bariátrica são:

– De 18 a 65 anos, com IMC a 40kg/m² ou 35kg/m², com uma ou mais comorbidades graves relacionadas com a obesidade.

– Documentação de comprovação de que o paciente não conseguiu perder peso ou manter essa perda, apesar de cuidados médicos realizados regularmente há pelo menos dois anos (dietoterapia, psicoterapia, tratamento farmacológico e atividade física).

– Após os 65 anos, é preciso uma avaliação específica, considerando o risco cirúrgico e anestésico, para verificar a presença de comorbidades, os benefícios da perda de peso e as limitações da idade, como dismotilidade esofágica, sarcopenia, risco de queda e osteoporose. Nos idosos, o objetivo da operação é, principalmente, melhorar a qualidade de vida.

iS – O que são as técnicas laparoscópicas?

Paula Whyte – As técnicas laparoscópicas são equipamentos que a gente utiliza para realizar uma cirurgia, que, por meio de câmeras e monitores de vídeo, permitem o acesso a todos os órgãos do corpo humano. Durante a intervenção cirúrgica, é feita uma incisão de, aproximadamente, 10mm na região umbilical, por onde é inserida a fibra ótica com uma câmera de vídeo. E, às vezes, é preciso fazer outras incisões pequenas, de três a cinco, dependendo da cirurgia, na cavidade abdominal. A via laparoscópica está associada a menos complicações na ferida operatória, dor, tempo de internação hospitalar e recuperação mais rápida, com a mesma eficácia da laparotomia. A escolha deve respeitar características do paciente e a experiência do cirurgião.

iS – Há diferentes tipos de cirurgia bariátrica? O que caracteriza seus tipos (restritivos, mistos, disabsortivos etc.)?  

Paula Whyte – Existem tipos diferentes de cirurgia bariátrica. No tipo restritivo, a cirurgia, como o próprio nome diz, restringe o tamanho do estômago, fazendo com que a pessoa não consiga ingerir a mesma quantidade de alimento que ingeria antes. Outro exemplo do tipo restritivo é o “sleeve” (gastroplastia vertical), que reduz, em cerca de 70% a 80%, o tamanho do estômago. Há também a banda gástrica, que hoje tem sido menos utilizada, e a colocação de balão intragástrico, que é feito via endoscopia, restringindo o tamanho do estômago.

Além disso, existe a cirurgia bariátrica do tipo disabsortivo, em que é feita a eliminação de um pedaço da alça intestinal, o que leva à redução do tempo de contato dos nutrientes com as células intestinais, dificultando a absorção dos nutrientes. Um exemplo é a cirurgia por derivação biliopancreática, de Scopinaro, técnica que tem sido menos utilizada.

Existem, ainda, as cirurgias mistas, que contam com um componente disabsortivo e um componente restritivo. Essa é a mais utilizada hoje no Brasil, que é chamada de gastroplastia com derivação em Y de Roux ou by-pass gástrico, também muito utilizada nos Estados Unidos. 

iS – Como é a recuperação desse tipo de cirurgia? Depois de quanto tempo o paciente pode voltar a ingerir alimentos? E quanto tempo depois da cirurgia o paciente começa a perder peso?

Paula Whyte – Hoje em dia, a recuperação desse tipo de cirurgia tem sido bem tranquila. O paciente recebe alta em 24 horas ou 48 horas após a cirurgia. No mesmo dia em que operou, ele já começa a ingestão de líquidos – cerca de 50ml de líquido, a cada 30 minutos. Essa dieta líquida se mantém nos três dias iniciais. Depois, tem início a dieta pastosa, com duração de cerca de 15 dias. Após esse período, começa uma dieta branda, com alimentos bem cozidos, pelos próximos 15 dias. Após 30 dias da cirurgia, o paciente volta a comer a dieta de consistência usual. A perda de peso tem início no pós-operatório imediato. Em geral, nos primeiros 18 meses após a cirurgia, o paciente chega a perder 40, 50 e até 60% do excesso do peso. Isso depende da técnica a ser utilizada, mas a perda de peso é muito grande.

iS – O que significa dizer que a cirurgia bariátrica é uma cirurgia metabólica? 

Paula Whyte – A cirurgia bariátrica é considerada uma cirurgia metabólica porque ela melhora o controle do diabetes tipo 2. Muitos pacientes, inclusive, deixam de ser diabéticos, após a perda de peso que ocorre com a cirurgia bariátrica. Então, ela é uma cirurgia que, além de melhorar o diabetes, tem uma influência importante no controle da pressão arterial e, também, de dislipidemia.

iS – Quais são os critérios para que alguém consiga fazer essa cirurgia pelo SUS? Isso inclui também as cirurgias plásticas posteriores para retirar o excesso de pele?

Paula Whyte – A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) especifica que, em obesidade mórbida, a cobertura é obrigatória em casos de: 

1. Obesidade mórbida com IMC igual ou maior que 40kg/m², sem comorbidades e que não responderam ao tratamento conservador (dieta, psicoterapia, atividade física etc.), realizado pelo menos dois anos.

2. Obesidade mórbida com IMC igual ou maior do que 40kg/m² com co-morbidades que ameaçam a vida.

3. Pacientes com IMC entre 35 e 39,9 kg/m², portadores de doenças crônicas desencadeadas ou agravadas pela obesidade (diabetes, apneia de sono, hipertensão arterial, dislipedemia, doença coronariana, osteoartrites e outras).

Após a bariátrica, é previsto, tanto pelo SUS quanto pelos planos de convênio, que o paciente tenha o direito de fazer a cirurgia plástica corretiva, para a retirada do excesso de pele. As cirurgias contempladas são a braquioplastia (braço) mamoplastia, a abdominoplastia e a dermolipectomia crural (retirada do excesso de pele da coxa, principalmente da parte interna). Às vezes, pode acontecer de o plano de saúde embargar e não autorizar a operação, mas, em geral, quando esses pacientes recorrem à Justiça, conseguem fazer a cirurgia.

iS – O que se recomenda para quem passou por essa cirurgia, para que não apresente problemas gastrointestinais no pós-operatório e nem volte a engordar novamente?

Paula Whyte – No pós-operatório imediato, logo nos primeiros dias e meses, é fundamental que o paciente seja orientado sobre comer devagar, mastigar bastante os alimentos antes de engoli-los e fazer, no mínimo, seis refeições por dia em pequenas quantidades. É preciso evitar a ingestão de líquido durante a refeição – somente até meia hora antes e meia hora após ter se alimentado. 

É importante, também, que o paciente faça um acompanhamento com o nutrólogo, o nutricionista, o cirurgião e o psicólogo. Inclusive, ele deverá fazer reposição de vitaminas e minerais e seguir um cardápio balanceado, conforme essa orientação. É importante frisar que o paciente, após dois anos da bariátrica, pode começar a ter reganho de peso. Então, esse acompanhamento precisa ser feito para toda a vida.

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