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Regata de Volta ao Mundo mobiliza barcos para a limpeza dos mares

A Volvo Ocean Race busca se consolidar cada vez mais como uma regata de alto nível e sensível à preservação do meio ambiente. Uma campanha está em curso para chamar a atenção do público, com a presença de barcos patrocinados por entidades focadas na manutenção do equilíbrio dos mares e ações para a redução do uso de plástico durante as 11 etapas da corrida na temporada.

Apoiado pelas Nações Unidas, o estreante Turn The Tide On Plastic disputa a competição com foco na sustentabilidade. O barco, sétimo e último colocado na classificação geral, utiliza um dispositivo a bordo que recolhe amostras de água ao longo do percurso para avaliar os níveis de plástico no oceano.

Os resultados são enviados para complementar estudos que visam alertar a população para os prejuízos do acúmulo da substância. Um deles concluiu que um caminhão cheio de plástico é despejado nos oceanos por minuto.

Os dados apontaram ainda que oito milhões de toneladas de plástico, como garrafas, embalagens e outros tipos de lixo, entram nos mares a cada ano.

– Tentamos ao máximo reduzir nosso uso de plástico na equipe e passar a mensagem a outras tripulações. Essa água é avaliada para sabermos a quantidade de micro-plástico que há nela. As garrafas, tampas, cotonetes e objetos que conseguimos ver no mar são só uma parte pequena da poluição que realmente existe. O plástico já está tão dissolvido na água que acaba inserido na nossa cadeia alimentar – explicou o velejador português Bernardo Freitas, do Turn The Tide On Plastic.

Patrocinada por uma fundação que busca criar soluções sustentáveis para a preservação dos mares, o barco americano/dinamarquês Vestas 11th Hour Racing, sexto colocado, adota ações de preservação do meio ambiente no dia a dia, como reaproveitamento de materiais e óculos reciclados para os atletas.

– Cresci no sudeste da Irlanda, em que, apesar da beleza, tem uma praia conhecida como “Praia do Plástico”. Ao me tornar velejador profissional, comecei a me preocupar mais. Há sete anos, faço parte de uma instituição que busca ensinar sobre a conservação dos mares – contou o irlandês Damian Foxall, velejador do Vestas e chefe de sustentabilidade da Volvo Ocean Race.

Durante as paradas, a organização monta uma estrutura planejada sem a utilização de embalagens plásticas. Quando os veleiros partem rumo a outro canto do planeta, há zonas de exclusão para não comprometer os ecossistemas de regiões específicas.

– Temos o cuidado de proteger os habitats. Quando viajarmos de Itajaí em direção a Newport (EUA), passaremos por zonas sensíveis, algumas em momentos críticos – completou Foxall.

Itajaí, de onde as equipes partirão para a pitava etapa da corrida, foi a primeira cidade da América do Sul a assinar um compromisso das Nações Unidas por limpeza dos mares.


COM A PALAVRA


Torben Grael

Campeão da Volvo Ocean Race 2008/2009

Temos um modo de vida insustentável

A preocupação com a sustentabilidade vem crescendo muito. Temos um modo de viver hoje que não é sustentável por muito tempo. Grandes mercados entraram no consumismo com o pé no acelerador, como China e Índia, e é difícil mantermos esse padrão de consumo, gerando tanto lixo. É preciso fazer uma mudança de conceito. A regata está se prestando como uma divulgação importante para a questão das águas, do plástico. Chamar atenção para o problema é essencial. Interfere na alimentação da vida marinha, trazendo consequências para todos nós. Nós, que estamos na água, somos afetados mais fortemente do que quem não navega ou frequenta os mares com a mesma assiduidade. As prefeituras até fazem um sistema eficiente de recolhimento do lixo, mas acho que deveriam parar de fazer um pouco, só para as pessoas verem a quantidade de lixo que vai parar nas praias diariamente. Na Nova Zelândia, você vai em parques, praias, e não tem lata de lixo. O conceito é cada um levar para casa de volta o que levou. Isso está muito distante daqui ainda.


Barcos largam para os EUA

A largada para a oitava etapa da Volvo Ocean Race, de Itajaí a Newport (EUA), acontece neste domingo, às 14h (de Brasília). Os sete veleiros que disputam a corrida foram confirmados ontem na disputa. O Scallywag, de Hong Kong, conseguiu se preparar a tempo após a morte do britânico John Fisher, que caiu no mar na perna entre Auckland (ZNE) e a cidade catarinense.

O chinês Dongfeng lidera a classificação geral, com 46 pontos, seguido pelo espanhol MAPFRE, que tem um a menos. O holandês Brunel é o terceiro, com 36, seguido pelo AkzoNobel, da brasileira Martine Grael, com 33.

* O repórter viaja a convite da Volvo Ocean Race


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