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Rebelião em presídio de Goiás deixa ao menos nove detentos mortos

Detentos do regime semiaberto de um presídio na Região Metropolitânia de Goiás iniciaram uma rebelião na tarde desta segunda-feira. Segundo informações do G1, presos da Colônia Agroindustrial, que fica no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, invadiram uma ala onde estão detentos rivais, dando início ao motim. A Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) informou que há mortos no local.

Segundo a Globonews, ao menos 13 presos morreram. Ao G1, o coronel Divino Alves, comandante da Polícia Militar de Goiás, disse que pelo menos nove detentos foram assassinados. Ainda não foi divulgado o número oficial de mortes.

Colchões dentro do presídio foram incendiados pelos presos, e o Corpo de Bombeiros foi chamado para conter as chamas. Ao menos dez detentos ficaram feridos. Eles foram encaminhados ao Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa).

A Polícia Militar não soube informar quantos presos conseguiram fugir durante a rebelião. Segundo o comandante da PM de Goiás, cerca de 20 internos foram recapturados ainda durante a tarde.

Agentes do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) e do Batalhão de Choque da Polícia Militares conseguiram retomar o controle do presídio. A operação contava ainda com um helicóptero, que monitora os arredores da unidade para procurar eventuais fugitivos. Familiares dos presos foram para a porta do presídio na busca por informações.

Um relatório divulgado em 2016 pelo Tribunal de Justiça de Goiás alertava para “iminente risco de nova rebelião” na Colônia Agroindustrial. Segundo o documento — intitulado “Relatório de inseção aos presídios de Goiás” — a unidade tem capacidade para 122 presos do regime semiaberto. Durante visita realizada em março de 2015, após um incêndio no local em 2014, o presídio abrigava 330 detentos. O documento relata que a penitenciária já chegou a abrigar 423 presos.

Ainda segundo o relatório, a unidade dem 10 alojamentos individuais e seis coletivos. O documento indica que presos de diferentes facções criminosas eram separados em alas diferentes por questões de segurança. A avaliação, na época, foi de que a segurança do local era ruim — “são apreendidos com frequência aparelhos de celulares e drogas de todos os tipos”, diz o documento.

No dia 28 de dezembro, um preso foi morto ao tentar fugir da Colônia Agroindustrial. Na ocasião, a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária informou, por meio de nota, que Leonardo Rocha tentava escapar pelo telhado da unidade junto com outros dois detentos. Os agentes dispararam contra os presos depois que eles desobedeceram a ordens para desistir da fuga. Rocha foi atingido e morreu no local. Os outros dois presos conseguiram fugir.

TENTATIVA FRUSTRADA DE REBELIÃO

Mais cedo, durante a madrugada desta segunda-feira, presos de outra penitenciária de Goiás renderam um vigilante com o objetivo de iniciar uma rebelião. Segundo o G1, os detentos da Unidade Prisional de Santa Helena, no sudoeste do estado, queriam agredir rivais dentro da unidade. O agente foi liberado após 1h30m de negociação. Nove presos ficaram feridos.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou que o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculado à pasta, não foi procurado pelo governo de Goiás para comunicar ou pedir auxílio nas duas rebeliões deflagradas nesta segunda-feira no estado, mas disse que está “alerta para outros eventuais episódios”. Segundo ele, a ação foi conduzida pelo governo goiano.

Na avaliação de Torquato Jardim, os dois episódios estão restritos a disputas locais e não têm similaridade com a guerra de facções deflagrada no início de 2017 e que culminou em mais de cem mortes em estados como Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Roraima.

CRISE PENITENCIÁRIA EM 2017

Há um ano, no dia 1º de janeiro de 2017, uma rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, deixou 56 presos mortos. Na época, outras penitenciárias do Norte e do Nordeste registraram atos de revolta entre os presos.

No Amazonas, presos da Unidade Prisional do Puraqueuqara (UPP) também se rebelaram, um dia depois dos detentos do Compaj. Quatro presos foram mortos nesse motim. No dia 4 de janeiro, foram registradas mortes de detentos na Paraíba. E, no dia 6, uma rebelião em Roraira deixou 33 mortos. Um novo ápice da crise penitenciária ocorreu no Rio Grande do Norte, quando 26 detentos foram mortos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, no dia 14 de janeiro. A rebelião durou 13 dias. Naquele mês, também foram registradas mortes de detentos em Maceió e São Paulo.

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