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Qual é a diferença entre cantada e assédio?

‘A diferença é a palavra ‘não”

“Os caras têm que aprender a perceber os contextos nos quais as investidas são bem vindas. E tem sempre limite. Porque ‘não’ é ‘não’, sem discussão!”

30 anos // Internacionalista

“Existe uma diferença entre paquera e assédio, é a palavrinha ‘não’. Quando uma mulher nega ou ignora uma investida, é a hora do homem não tentar mais nada.”

27 anos // professora e fundadora

do grupo “Indique Uma Mina”

“Na cabeça do abusador, eu devia aceitar as coisas que ele diz, sem ele ter parado para pensar que, se não houve reciprocidade, ele pode ter me assediado.”

19 anos // modelo e técnica em mecânica

“Acho fundamental que a paquera continue existindo. O ‘flerte’ é gostoso para o ego: a troca de olhar, o sorriso de canto de boca… O assédio é totalmente diferente: é agressivo, direto e aterrorizante.”

56 anos // funcionária pública

30 anos // Internacionalista

“Os caras têm que aprender a perceber os contextos nos quais as investidas são bem vindas. E tem sempre limite. Porque ‘não’ é ‘não’, sem discussão!”

27 anos // professora e fundadora

do grupo “Indique Uma Mina”

“Existe uma diferença entre paquera e assédio, é a palavrinha ‘não’. Quando uma mulher nega ou ignora uma investida, é a hora do homem não tentar mais nada.”

19 anos // modelo e técnica

em mecânica

“Na cabeça do abusador, eu devia aceitar as coisas que ele diz, sem ele ter parado para pensar que, se não houve reciprocidade, ele pode ter me assediado.”

56 anos // funcionária pública

“Acho fundamental que a paquera continue existindo. O ‘flerte’ é gostoso para o ego: a troca de olhar, o sorriso de canto de boca… O assédio é totalmente diferente: é agressivo, direto e aterrorizante.”

‘A diferença começa na intenção’

“A diferença já começa na intenção de quem faz. O cara que te aborda na rua só pra dizer que você é gostosa não está te paquerando. Ele não quer abrir um diálogo, só quer demonstrar que tem o poder de fazer isso.”

25 anos // estudante de publicidade

“Paquera ocorre quando existe uma troca e os interesses são parecidos, especialmente o desejo. Até posso entender um elogio feito de forma respeitosa, mas, sinceramente, já me sinto desconfortável. O assédio invade sua individualidade de forma ofensiva.”

“Existe uma linha tênue. Elogio não deixa uma mulher constrangida, não ofende e nem objetifica a mulher. Assédio é quando uma pessoa desrespeita meu espaço e me enxerga como mero objeto sexual à sua disposição”.

>  Vitória Régia da Silva

“O grande problema é que a maioria esmagadora dos homens acha que é super ok beijar a sua mão, alisar seu cabelo, dizer ‘nossa, que gostosa’, ou até mesmo ‘puxar papo’, sem nem ao menos se perguntar se a mulher está interessada.”

25 anos // estudante de publicidade

“A diferença já começa na intenção de quem faz. O cara que te aborda na rua só pra dizer que você é gostosa não está te paquerando. Ele não quer abrir um diálogo, só quer demonstrar que tem o poder de fazer isso.”

“Paquera ocorre quando existe uma troca e os interesses são parecidos, especialmente o desejo. Até posso entender um elogio feito de forma respeitosa, mas, sinceramente, já me sinto desconfortável. O assédio invade sua individualidade de forma ofensiva.”

>  Vitória Régia da Silva

“Existe uma linha tênue. Elogio não deixa uma mulher constrangida, não ofende e nem objetifica a mulher. Assédio é quando uma pessoa desrespeita meu espaço e me enxerga como mero objeto sexual à sua disposição”.

“O grande problema é que a maioria esmagadora dos homens acha que é super ok beijar a sua mão, alisar seu cabelo, dizer ‘nossa, que gostosa’, ou até mesmo ‘puxar papo’, sem nem ao menos se perguntar se a mulher está interessada.”

‘A chave desse suposto mistério é: consentimento’

por

A jornalista Renata Rodrigues – Bárbara Lopes / Agência O Globo

“Não cola mais, em 2018, a alegada confusão entre os termos assédio e paquera. E a chave desse suposto mistério é uma só: consentimento. Se não dei, a linha do meu desejo e da minha autonomia foi cruzada, e isso é algo que nós mulheres não devemos mais tolerar.

Éramos umas cinco amigas. Vestimos as fantasias e também dividimos as purpurinas. Até pisarmos na rua, escolher o figurino era a única preocupação. Mas bastou chegarmos perto de um bloco para sermos abordadas de forma violenta por homens que, diante de nossa negativa, usaram de vasta gama de xingamentos para nos afrontar e humilhar. Aconteceu em 2015. Eu e uma amiga tínhamos acabado de criar o Bloco Mulheres Rodadas.

Em 2016, o Data Popular divulgou uma pesquisa em que 61% dos homens afirmavam que uma mulher pulando carnaval não pode reclamar de ser cantada. Nos últimos anos, elas começaram também a requisitar o papel de sujeitas. Uma mulher que passa a se entender como agente da festa, levando um instrumento debaixo do braço ou dançando, ganha mais poder para exigir que sua participação aconteça com segurança e liberdade. Agora que o debate sobre assédio ganhou fôlego hollywoodiano, quem faz carnaval de rua também precisa entender que a pauta é de todos os blocos, não apenas das foliãs”.

* Renata Rodrigues é jornalista e fundadora do Bloco Mulheres Rodadas

‘Não é desejo sexual, é controle’

por

Juliana de Faria, criadora do movimento “Chega de Fiu fiu” e uma das fundadoras da ONG “Think Olga” – Divulgação/Fernanda Frazão

“Um flerte indica uma relação que contém consentimento. Assédio não tem. Essas abordagens são feitas de forma que assustam, amedrontam, traumatizam as mulheres. Muitas pessoas perguntam: “Se eu chamar uma mulher de linda na rua, estou ofendendo?”. A questão não é a palavra, mas o fato de que vivemos num mundo onde a violência contra a mulher é real.

Quando um homem chama uma mulher de linda na rua e faz uma abordagem que ela não está esperando, sem consentimento, ele sabe que não vai violentá-la, mas a mulher, não. Não sabe se será agredida caso negue esse assédio.

É muito difícil conversar sobre o tema, porque as pessoas querem que façamos um manual, e isso não existe. Muitas de nós somos sobreviventes de estupro e é até um pouco violento quando exigimos dessas mulheres, das próprias vítimas, que expliquem e tracem esses limites entre as situações.

Precisamos pedir que os homens colaborem, que discutam masculinidade. Não é tão difícil perceber que está incomodando. Na campanha “Chega de Fiu Fiu”, falamos de assédio sexual em locais públicos: são mulheres que são entendidas como seres domésticos que não deveriam estar na rua.

O assédio não tem nada a ver com desejo sexual, mas com controle, com mostrar que seu corpo é público, e não é seu”.

* Juliana de Faria é criadora do movimento “Chega de fiu fiu”

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