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Prisão de ex-assessor de Temer expõe novas acusações | EXAME.com

Rocha Loures pode abalar ainda mais a situação de Temer, caso feche um acordo de delação premiada com a justiça

Por
AFP

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3 jun 2017, 15h21

A crise política no Brasil ganhou um novo capítulo neste sábado com a prisão de um homem de confiança do presidente Michel Temer, poucos dias antes do início de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar no fim de seu mandato.

O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor do presidente Michel Temer, filmado ao receber uma mala com 500.000 reais, foi preso neste sábado em Brasília, anunciou a Polícia Federal (PF).

Rocha Loures foi detido por ordem do juiz Edson Fachin, que coordena a Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-deputado foi filmado em março quando recebeu uma mala com R$ 500.000 que, de acordo com delações de executivos do grupo JBS, correspondiam ao pagamento de propina.

De acordo com pessoas próximas ao ex-assessor, citadas pela imprensa, a esposa do político, grávida de oito meses, pressiona o marido por uma delação, enquanto outros parentes são contrários à ideia.

Temer se encontra no olho do furacão desde a divulgação, em 17 de maio, de uma gravação na qual parece aprovar o pagamento de subornos para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, também preso, durante uma conversa no Palácio do Jaburu com Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Batista entregou a gravação à justiça e indicou que Rocha Loures havia sido designado diretamente pelo presidente para receber subornos em troca de favores à empresa. A filmagem com a mala foi feita pouco depois.

O caso provocou a abertura de uma investigação contra Temer e Rocha Loures por corrupção passiva, obstrução à justiça e organização criminosa.

Rocha Loures, que ocupava o cargo de deputado como suplente de um ministro, perdeu o foro privilegiado esta semana, quando o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio saiu do governo e retornou à Câmara dos Deputados.

A imprensa especula que Rodrigo Rocha Loures pode abalar ainda mais a situação do presidente, caso feche um acordo de delação premiada com a justiça.

Temer sempre defendeu o assessor e voltou a fazer isto em uma entrevista publicada neste sábado pela revista Veja, na qual afirma que Rocha Loures pode ter sido “vítima de uma armação”.

“Conheci Rodrigo já como deputado (…) É uma pessoa muito inteligente, muito preparada, de família muito prestigiada em Curitiba. Uma família que está muito bem na vida, não precisa de dinheiro. Era realmente um assessor de minha confiança”, afirmou na entrevista.

Ao ser questionado sobre a mala com R$ 500.000, Temer declarou: “Ele vai se explicar. Eu acho que ele foi vítima de uma armação, de uma armação que começou lá atrás. Ele entrou nessa armação, nessa coisa urdida, muito bem construída, muito bem pensada, tenho a impressão de que ele foi vítima”.

O episódio acontece a apenas três dias do início de um julgamento no TSE por abuso de poder e financiamento ilegal da campanha de 2014, quando foi eleita a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer.

Dilma foi afastada em um processo de impeachment no ano passado, o que levou ao poder seu ex-aliado, que ela chama de “golpista”.

O TSE retomará em 6 de junho o debate sobre quatro denúncias apresentadas entre 2014 e 2015. O julgamento deve durar três dias, mas qualquer magistrado do tribunal pode pedir vista, o que provocará o adiamento, e as sentenças podem ser objetos de recursos.

Se o TSE cassar a chapa Dilma-Temer eleita em 2014, terá que definir se Temer é afastado do cargo imediatamente ou se pode permanecer na presidência até esgotar os recursos no mesmo tribunal e no STF.

Se Temer cair, caberá ao Congresso eleger o novo presidente, no prazo de 30 dias, para completar o mandato presidencial até o final de 2018.

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