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Por 10 votos a 6, tombamento estadual do Nutico rejeitado

Existe proposta de demolição da área não tombada para a construção de empreendimento no local, como um estacionamento com 800 vagas. A medida é cercada de polêmica.

A decisão de rejeitar o tombamento estadual foi tomada na sede da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), localizada no edifício do cineteatro São Luiz, no Centro da Capital. Ao total foram 10 votos contra, seis a favor e três abastenções. A votação terminou às 11h50min desta quarta-feira.

O engenheiro eletricista Aderbal Aguiar Junior, integrante do movimento Náutico Urgente, explica que o tombamento municipal por si só protegeria o prédio da especulação imobiliária, por exemplo. Mas de acordo com ele, “houve um entendimento entre a Procuradoria Geral do Município e a Diretoria do clube, no sentido de dar uma interpretação distinta da que constava no documento do tombamento”. Segundo o engenheiro, no acordo se negociou “bens e direitos indisponíveis da sociedade”.

Aderbal explica que existe uma homologação – objeto de anulação – no Supremo Tribunal de Justiça, para que a ministra Regina Helena, com o parecer favorável do Ministério Público Federal, anulem o acordo firmado entre a Procuradoria Geral do Município e a diretoria do Náutico. O engenheiro ressalta que há a possibilidade deles obterem sucesso pois, “além da ilegalidade do acordo”, existe uma ação popular e civil pública contra o que foi decidido. 

O engenheiro destacou que após o resultado adverso, o próximo passo é focar no processo eleitoral que ocorre em fevereiro. Ele destaca que o movimento tem cerca de 35% dos votos, e que vão “fazer um esforço” para obter o controle da direção do clube. 

Neton César de Vasconcelos, presidente do conselho deliberativo do Náutico, explicou que foram realizadas três assembleias gerais com os sócios do clube para discutir sobre os problemas que cercam o Náutico. De acordo com ele, 85% dos sócios aprovaram as decisões da diretoria e do conselho. 

O presidente destaca que a construção de empreendimentos irá ajudar no que se refere aos problemas financeiros do Náutico, que soma um total de R$ 61 milhões em dívidas, e que atualmente o clube “não pode pagar”. “Antes tínhamos cerca de 18 mil sócios, hoje contamos apenas com 1.500”, destaca. 

A rejeição do tombamento foi vista por Neton como um ato de “sensibilidade do conselho”, pois para ele, o grupo percebeu que um “clube como o Náutico não pode ir a leilão, e a única forma de evitar isso é conseguindo uma forma jurídica e arquitetônica, para aqueles que tenham o direito de construir do outro lado do clube, paguem as dívidas”.

 

Ressaltou também que o Náutico não deixará de ter o que possui hoje (piscina olímpica, ginásio coberto, quatro quadras de tênis), além de ganhar um estacionamento no subsolo com mais de 800 vagas, que geraria uma renda de R$ 600 mil por mês, contribuindo com a renda do clube. “O processo de tombamento dificultaria isso. Com essa perspectiva de renda, podemos recobrar a possibilidade de nos reencontrarmos”. 

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