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Planalto teme impacto de tenso eleitoral na reforma da Previdncia – Politica

(foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)
(foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)

 O Palcio do Planalto teme que a disputa entre os pr-candidatos Presidncia Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Henrique Meirelles (PSD) e a crescente tenso eleitoral possam atrapalhar a aprovao da reforma da Previdncia, marcada para o dia 19 de fevereiro. O elogio feito pelo emedebista ao governador de So Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), teve como principal objetivo, segundo fontes do Planalto, brecar um incio de atrito entre o presidente da Cmara dos Deputados e o ministro da Fazenda.

Maia e Meirelles se colocam como possveis candidatos do governo na eleio presidencial deste ano e, ao lado de Alckmin, buscam se apresentar como o nome de centro na corrida pelo Planalto. O jornal mostrou que Maia trabalha para minar Meirelles em meio a seus movimentos pela eleio, j tem equipe e articula alianas.

Temer ficou preocupado com a possibilidade de o embate entre Maia e Meirelles prejudicar a votao da reforma da Previdncia, meta principal do Planalto para este ano.

Na sexta, a agncia de classificao de riscos Standard & Poor’s informou que rebaixou a nota de crdito do Brasil em razo de “constantes” atrasos justamente na aprovao das novas regras nas aposentadorias e citou uma mudana, j descartada, na “regra de ouro”, que impede a Unio de se endividar acima do volume de investimento.

Na semana passada, Meirelles e Maia se desentenderam publicamente sobre a regra de ouro. O ministro disse ser contra a forma como o tema foi apresentado e o deputado reagiu ordenando que a flexibilizao fosse retirada da Proposta de Emenda Constituio (PEC) que vinha sendo elaborada.

De acordo com colaboradores do presidente, Temer chamou Maia para uma conversa no Planalto logo depois do atrito para dizer que a prioridade absoluta a reforma da Previdncia.

O presidente, na entrevista, tentou ainda esfriar as pretenses de Maia e Meirelles dizendo preferir ver o ministro na conduo da economia e que a prioridade do deputado deve ser a reeleio para a presidncia da Cmara – se reeleito deputado federal, Maia poder concorrer a mais um mandato frente da Casa.

Afago

Temer distribuiu elogios a Alckmin, cuja pr-candidatura ainda sofre o impacto da entrevista de Fernando Henrique Cardoso, na qual o ex-presidente disse que o governador ainda precisa provar que tem capacidade de aglutinar o centro e “transmitir uma mensagem” que viabilize suas pretenses eleitorais.

Temer foi na direo oposta de FHC, disse que a posio omissa de Alckmin diante da aceitao das denncias feitas pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot “ficou para trs” e que o governador preenche os requisitos de transmitir “segurana e serenidade” ao eleitorado brasileiro. Temer espera abrir a porta para o governador embarcar.

A avaliao do Planalto agora de que Alckmin trabalha para minar a concretizao da grande aliana de centro que, na pretenso de Temer, uniria todos os partidos da base, conseguiria a maior parcela de tempo na TV e resultaria em mais recursos do fundo eleitoral para enfrentar os lderes nas pesquisas Luiz Incio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Dividendos

Na estratgia palaciana, a aprovao da reforma da Previdncia seria o passo final para concretizar essa grande aliana. Fontes do Planalto tm dito que os recursos provenientes da reforma seriam investidos ainda neste ano em obras e realizaes que podem trazer dividendos eleitorais para todos os partidos aliados.

Assessores de Temer argumentam tambm que a mudana nas regras da aposentadoria traria mais estabilidade econmica, o que tambm pode se traduzir em votos, e teria um carter simblico de coeso que pode ser levado para a eleio.

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