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Opinião: se não está seguro com Levir, por que o Santos insiste com ele? | santos

Pressão, vaias e gritos de “burro”. A recepção ao técnico Levir Culpi em uma Vila Belmiro vazia (o público divulgado foi de 4.245 torcedores) na vitória do Santos por 1 a 0 contra o Atlético-GO, no último domingo, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, não foi das melhores.

Por conta dos acontecimentos da semana, quando quase foi demitido do Santos, todas as atenções estavam voltadas para o comandante, que tinha a chance de iniciar uma nova vida no clube. Não foi o que aconteceu.

Apesar do triunfo (magro) contra o lanterna do Brasileirão, Levir cometeu velhos erros na primeira partida após ser bancado pelo presidente Modesto Roma no comando do Peixe:

  • Levou o time a campo sem um treinamento sequer após a partida contra o Sport;
  • Optou pela entrada de Lucas Crispim no segundo tempo (e foi vaiado), na vaga de Copete;
  • Abdicou do poder ofensivo e da chance de dar uma cara nova ao seu trabalho, terminando o jogo com três volantes contra o lanterna do Brasileirão.

Foram críticas atrás de críticas mesmo com o time à frente no placar durante quase toda a partida – Ricardo Oliveira fez o único gol do jogo aos 30 minutos do primeiro tempo (veja abaixo). É uma relação que caminha para o insustentável, assim como com o técnico Dorival Júnior no começo do ano.

Melhores momentos de Santos 1 x 0 Atlético-GO pela 30ª rodada do campeonato Brasileiro

Melhores momentos de Santos 1 x 0 Atlético-GO pela 30ª rodada do campeonato Brasileiro

Qualquer decisão que seja tomada pelo treinador, as vaias serão a resposta da torcida, que se mostra farta de Levir, da diretoria e de alguns atletas do elenco. Zeca e Lucas Lima, que tiveram boa atuação, são alguns exemplos. A dupla foi hostilizada a cada toque na bola.

Contra o Atlético-GO, equipe mais frágil do campeonato, o Santos criou boas chances, poderia ter feito mais gols, mas também sofreu perigo. Se não fosse Vanderlei… Ao fim do duelo, o time se mostrou satisfeito com a vantagem, terminando a partida com três volantes em campo.

Essa, aliás, foi a primeira vitória do Santos nos últimos quatro jogos. Antes, foram três empates, todos contra equipes que lutam para fugir do rebaixamento (Ponte Preta, Vitória e Sport).

A manutenção do técnico se deve à boa relação que ele tem com os atletas, que se uniram para pedir sua permanência. E aí fica o questionamento: gostam por quê? O time não tem padrão de jogo, se mostra refém de Bruno Henrique (que, lesionado, não jogou as últimas três partidas) e mal treina. Agora mesmo são dois dias de folga até a reapresentação na quarta-feira, enquanto o São Paulo, próximo rival, treinará normalmente na segunda e na terça. Rachão e muita conversa são o que dominam a agenda de “trabalhos” da equipe. Pouco para quem quer ser campeão brasileiro. Aliás: quer mesmo? Porque realmente não parece.

Modesto brincou na sexta-feira, na hora de justificar a decisão de continuar com Levir no cargo, lembrando a história do “Dia do Fico”, de Dom Pedro (em 9 de janeiro de 1822, o então príncipe regente foi contra as ordens de Portugal, que exigia sua volta a Lisboa, e ficou no Brasil). Deixando clara a influência do grupo, o presidente disse que sua decisão vinha para “felicidade geral de todos”. Faltou incluir a torcida nisso.

O mais surreal nessa história toda é a posição do Santos na tabela: apesar de todos os problemas, o time é terceiro colocado com 53 pontos, mesmo número do Palmeiras, e a seis do líder Corinthians, que joga nesta segunda, contra o Botafogo, no Rio de Janeiro. Dá para ser campeão? Matematicamente, sim. Pelo futebol que vem apresentando, não. Daí a dúvida: manter Levir, mesmo sabendo que ele dificilmente terá o contrato renovado no fim do ano, ou já buscar o técnico para 2018? A eleição no Santos será em dezembro. Modesto tenta ser reeleito. E a escolha do novo treinador pode pesar nisso.

*Colaborou sob supervisão de Juliano Costa

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