You are here

Operação padrão deve terminar hoje

Felipe Galdino e Jéssica Petrovna
Repórteres

Desde o dia 19 de dezembro passado em um movimento de aquartelamento, os policiais e bombeiros militares devem retornar ao patrulhamento regular nas ruas hoje. Durante um período de 21 dias, os militares se recusavam a sair em rondas nas ruas sob o pretexto de não haver condições de trabalho adequadas. Os agentes questionavam o estado de conservação de viaturas, armamento, equipamentos de segurança, como coletes balísticos, e até o fardamento. Apesar de negarem ser a prioridade, os salários e o 13º salário atrasados também eram uma reivindicação.

Em reunião com as associações, Robinson Faria garantiu o pagamento de salários dia 12, aumento de diárias e do vale alimentação, e que não haverá punições aos policiais

Em reunião com as associações, Robinson Faria garantiu o pagamento de
salários dia 12, aumento de diárias e do vale alimentação, e que não
haverá punições aos policiais

Segundo informou o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar (ACS-RN), Roberto Campos, hoje, às 10h, policiais e bombeiros militares se reúnem no Clube Tiradentes para oficializar a volta às ruas. Ontem, representantes de associações militares já indicavam o retorno às ruas após o Governo do Estado garantir, dentre outros pontos, a não punição de policiais e bombeiros que participaram do movimento e o pagamento dos salários de dezembro no dia 12 de janeiro.

A negociação entre policiais militares e representantes do Governo do Estado teve como base 17 pontos de reivindicação divulgados pelos servidores no dia 4 de janeiro. No documento, a categoria exigia que o Executivo pagasse o vencimento de dezembro a toda a categoria até o dia 12 de janeiro e solucionasse as questões de deficiências estruturais, que se refletem nas condições de trabalho.

Os agentes também cobravam do Governo a garantia de não serem penalizados com processos administrativos pelo período em que não saíram às ruas regularmente, já que o movimento foi considerado ilegal pela Justiça, que determinou a punição para quem apoiasse ou incitasse o que foi chamado na decisão de “greve”.

Essas eram as prioridades elencadas pelos PMs, mas questões referentes à carreira e benefícios também estavam na pauta, como: implementação imediata dos salários correspondentes a novas graduações para policiais que foram promovidos e pagamento retroativo dessas promoções; aumento no valor do vale alimentação de R$10 para R$20, e das diárias operacionais de R$50 para R$107,50; abertura de uma mesa de negociação para reajuste salarial e ampliação do Centro Integrado de Apoio ao Policial (Ciasp).

Ontem, com o Executivo Estadual dando garantias de que cumpriria os pedidos, por meio da assinatura de um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), os policiais optaram pelo retorno normal às ruas. A pauta já havia sido discutida em uma reunião entre representantes da categoria e do Governo, realizada na segunda-feira (8).

A discussão durou cerca de seis horas e, de acordo com informações passadas pela diretoria da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar e dos Bombeiros Militares do Rio Grande do Norte (ASSPMBMRN), o governador já havia dado a palavra sobre o cumprimento das principais reivindicações, como pagamento do salário de dezembro até 12 de janeiro e melhoria nas condições de trabalho. Robinson Faria também prometeu que, ao longo dos próximos dias, deve abrir mesas de diálogo para discutir o ajuste salarial.

Negociações
Com as garantias do governo acertadas, a categoria se reuniu em uma assembleia na manhã de ontem (9). As discussões começaram por volta das 11h30 com um orações e um minuto de silêncio em homenagem ao cabo da Polícia Militar, Carlos Alberto Araújo, 48, que foi morto a tiros na tarde deste último domingo. No decorrer da assembleia, os ânimos se exaltaram e uma jornalista, que cobria a reunião para uma TV local, foi expulsa.

Ao final, a proposta do Governo foi parcialmente aceita e uma contraproposta foi apresentada em seguida. As novas exigências geraram impasse, pois vão de encontro ao projeto de ajuste fiscal que foi encaminhado à Assembleia Legislativa. Os militares queriam ficar fora da suspensão de promoções e do aumento da alíquota previdenciária. De acordo com o projeto de ajuste, a contribuição dos servidores para Previdência deve aumentar de 11% para 14%.

O presidente da ASSPMBMRN, Eliabe Marques, mostrou ter ficado satisfeito após a reunião com o governo. Ele confirmou que as promoções dos militares estão garantidas e que não há previsão de militares entrarem no aumento de alíquota para a Previdência potiguar. “No caso das promoções, o governo está se comprometendo a cumprir rigorosamente a Lei de Promoção de Praças e, no caso da Previdência, em princípio a Mensagem 118 exclui policiais e bombeiros militares do aumento da alíquota de 11% para 14%”, afirmou Marques. O presidente da Associação de Bombeiros Militares, Dalchen Viana, considerou o diálogo com o Estado positivo: “Essa foi a primeira vez que o governador se mostrou sensível às nossas condições de trabalho e disposto a discutir ponto a ponto todas as nossas reivindicações”.

Números
6
horas foi o tempo que durou a negociação entre os representantes das polícias e o governador Robinson Faria
17 reivindicações das Associações de militares estaduais foram discutidas e, parte delas, atendida pelo governo

Source

Related posts