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O que muda na Petrobras com o reajuste diário nos preços dos combustíveis?

SÃO PAULO – A decisão da diretoria executiva da Petrobras (PETR3; PETR4) por promover reajustes diários nos preços da gasolina e diesel teve recepção positiva no mercado, que constatou riscos menores de a companhia voltar a registrar períodos de prejuízo como visto durante parte do último governo, com a política de preços administrados, e novas sinalizações favoráveis às políticas de reestruturação implementadas.

Nesta sexta-feira (30), as ações da companhia operam em alta superior a 1%, movimento também impulsionado pelo novo dia positivo para os barris de petróleo no mercado internacional.

Conforme a própria estatal informou em fato relevante, “a revisão da política aprovada permitirá maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilitará a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente”. Não haverá alteração nos princípios de que as tarifas levarão em consideração o preço de paridade internacional, as margens para remuneração dos riscos inerentes à operação e o nível de participação no mercado.

“A área técnica de marketing e comercialização da companhia terá delegação para realizar ajustes nos preços, a qualquer momento, inclusive diariamente, desde que os reajustes acumulados por produto estejam, na média Brasil, dentro de uma faixa determinada (-7% a +7%), respeitando a margem estabelecida pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços”, dizia o comunicado da Petrobras..

Para os analistas do UBS, o momento marcou um “Independence Day” para a companhia estatal, mas mais do que isso, “permitirá a ela ir adiante em seu plano de desinvestimentos em refinarias”. “Vemos esse anúncio como uma jogada inteligente da gestão, mostrando independência da participação do controlador. Acima de tudo, vemos que a gestão tem sido capaz de implementar, em um passo de cada vez, o tipo de políticas que os investidores querem ver em uma empresa racional. Agora, mais do que nunca, os resultados da Petrobras serão correlacionados aos preços do petróleo”, escreveram em relatório a clientes.

No entanto, eles dizem que ainda há dúvidas sobre a metodologia utilizada e como as margens de estabilidade se comportariam a depender do desempenho do petróleo nas bolsas mundiais. Ainda assim, os especialistas do banco suíço acreditam que a decisão anunciada nesta manhã representa um passo importante no sentido dos desinvestimentos em refino e na redução da interferência do governo na companhia.

Visão otimista também foi vista no comentário da equipe de análise do Itaú BBA, que chamou atenção para a persistência dos elevados níveis de importação. “O fato de que a Petrobras está dando mais autonomia a seu time, o que irá acelerar a capacidade da empresa para responder às mudanças do mercado, deve sinalizar bem a estratégia de recuperação de participação de mercado”, observaram.

As expectativas do mercado estão alinhadas com as avaliações da gestão da empresa. Na coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, o diretor financeiro, Ivan Monteiro, disse que a companhia vai recuperar market share com as medidas. Até o momento, parece que o mercado “comprou” a ideia.

Aldemir Bendine - Bloomberg

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