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 O Barcelona-EQU em sete toques: quem é o inimigo do Grêmio

Reprodução / Flickr/Barcelona

O Barcelona-EQU busca, contra o Grêmio, a sua terceira final de Libertadores. Embora o momento no Campeonato Equatoriano seja de instabilidade — são nove jogos sem vencer —, a campanha na Libertadores inflama a torcida. Deixar pelo caminho Palmeiras e Santos, com decisões fora de casa, entusiasma os “toreros”, como são conhecidos no Equador. 

Essa, aliás, é uma referência à origem do clube, fundado há 92 anos por espanhóis, oriundos da Catalunha, é claro. Só que o Barcelona dos trópicos cresceu tanto que até se deu ao luxo de atender como “El Ídolo del Ecuador”. Uma permissão por se tratar da maior torcida do país. Conheça agora, em sete toques, quem é o adversário gremista nesta semifinal.

O time mescla veteranos e promessas equatorianas

O Barcelona é uma equipe que mescla jogadores de larga folha corrida no clube com algumas jovens promessas. O goleiro Máximo Banguera está em sua oitava temporada. O volante Matías Oyola é um argentino de 34 anos tão adaptado que, neste ano, estreou pela seleção equatoriana. Chegou em 2009 ao Barcelona e criou raízes. 

Damián Díaz, também argentino naturalizado, atuou no clube entre 2011 e 2013, saiu para o Al-Whada. Voltou no ano passado. Em seu caso, a naturalização se deu por decreto presidencial, pelos “relevantes serviços prestados com seu talento e esforço individual”.  A parcela jovem do grupo fica a cargo dos extremas Washington Vera, 23 anos, e Ely Esterilla, 24, criados no clube. 

Marcos Caicedo, 25, também extrema, foi formado no Emelec, mas desde o ano passado figura no Barcelona, depois de rodar pelo México. Os zagueiros Arreaga, 23, e Aimar, 22, foram buscados no Manta e na LDU Loja no ano passado.  

NELSON ALMEIDA / AFP

Sem Álves, a aposta é no ídolo Ariel

O nome de Ariel Nahuelpán causa calafrios até hoje nos colorados. Mas, no Barcelona, ele tem status de ídolo. Em 2013, teve passagem de uma temporada no clube e construiu excelente imagem à base de gols. Quando ficou livre no Beira-Rio, o presidente Jose Cevallos não hesitou em assinar por três anos com ele.

O cartaz de Ariel é tão grande que virou até miniatura sua à venda na loja oficial — deferência estendida também só ao goleiro Banguera, ao volante Oyola e ao meia Díaz. Ele deve ser titular contra o Grêmio, já que o uruguaio Alvez, 29 anos, está suspenso. 

Goleador do Barcelona na temporada, com 17 gols, Alvez chegou ao clube em 2016, vindo da LDU. Em janeiro, sua venda para o Necaxa_MEX, foi alinhavada, mas os mexicanos desistiram. 

Reprodução / Twitter/barcelonascweb

O goleiro de boné

Banguera, 31 anos, é ídolo. Apesar de alternar defesas inverossímeis com erros primários. Sua excentricidade, no entanto, o ajuda a conquistar a torcida. Você o verá de boné na quarta-feira à noite. Trata-se de um hábito e também de uma oportunidade de negócio.

O goleiro lançou uma grife do acessório, a MB1. Há alguns meses expandiu a linha de produtos e criou luvas para goleiros, cujo diferencial é o colorido extravagante.

Banguera é um empreendedor: tem uma agência de propaganda, uma agência que organiza competições amadoras de futebol e ainda uma clínica de fisioterapia. Além de titular do Barcelona, é o camisa 1 da seleção e esteve na Arena no 2 a 0 para o Brasil em 31 de agosto. 

Reprodução / Twitter.com/maximobanguera1

O técnico que cortou a maionese e a chuleta

Guillermo Almada  desembarcou em Guayquil na metade de 2015. Havia feito um bom trabalho no modesto River Plate, de Montevidéu, e partiu rumo ao Equador em busca de ascensão no continente. Aos 48 anos, pode-se dizer que a alcançou. O título equatoriano de 2016 e a vaga na semifinal da Libertadores o colocaram em evidência na América. 

Almada gosta de aliar força e velocidade sempre olhando para a frente, para o gol. Isso lhe valeu, do reconhecido jornalista uruguaio Jorge Sávia, o apelido de Pep. O sucesso no Barcelona, no entanto, vai além do campo. O técnico implantou métodos profissionais. Contratou, por exemplo, uma nutricionista para os jogadores e riscou do cardápio as chuletas e a salada de maionese servidos no dia dos jogos. 

RODRIGO BUENDIA / AFP

Uma torcida que é quase um país

O diretor esportivo do Barcelona, o ex-atacante argentino Alberto Alfaro Moreno, entusiasma-se e diz que o clube é dono de 70% da torcida no Equador e tem fãs em todo o país. Meia verdade. O Barcelona tem, mesmo, fãs em todos os cantos do Equador e nas Ilhas Galápagos. Mas eles não representam 70% da população. 

Em 2010, a consultoria Brandim fez pesquisa com universo de 21 mil pessoas. O Barcelona tem 37% da torcida no Equador, o que representa 5,9 milhões de pessoas. Em segundo, vem a LDU, com 23%. O Emelec, rival de Guayaquil,  é o terceiro, com 16%.

 O quarto colocado é o El Nacional, clube de Quito e fundado pelo Exército, com 4%. Essa popularidade se reflete nas arquibancadas do Estádio Monumental Isidro, quase sempre com seus 57 mil lugares ocupados. 

 O maior goleador e todas as Libertadores é o ídolo

Albert Spencer jogou uma temporada apenas no Barcelona. A última de sua carreira. O suficiente para colocá-lo na galeria dos ídolos do clube. Spencer está na história da Libertadores como o maior goleador em 58 edições da Libertadores. São 54 gols em 87 partidas pelo Peñarol entre 1960 e 1970. 

Ele chegou ao clube uruguaio em 1960 e conquistou três Libertadores (1960, 1961 e 1966), sete Campeonatos Uruguaios e duas Copas Intercontinentais  (1961 e 66). Spencer desceu em Guayaquil em 1971 e ajudou o Barcelona a conquistar seu quinto título equatoriano. 

A galeria de ídolos do clube tem ainda alguns nomes conhecidos dos gaúchos, como os ex-colorados Escurinho e Vasconcellos, e astros sul-americanos dos anos 1970 e 1980, como o chileno Caszely e o paraguaio Roberto Cabañas. 

O jogo histórico contra Di Stéfano

O Barcelona chegou duas vezes à final da Libertadores. Em 1990, perdeu para o Olimpía, em 1998, para o Vasco. Mas o grande jogo da história do clube, inspiração até de música, é o 3 a 2 sobre o Millonarios, da Colômbia, em 1949. 

O amistoso foi disputado na época para arrecadar fundos para as vítimas de um terremoto de 8 graus na escala Richter que devastou a região de Ambato, no Equador. O Millonarios era o melhor time da América, beneficiado pela permissividade da Liga Colombiana, conhecida como Pirata (por não ser reconhecida devido às suas flexibilidades, como falta de limite para estrangeiros). No clube colombiano, jogavam oito argentinos, entre eles Di Stefano e Pedernera. Em 1952, em outro amistoso, o Barcelona voltou a vencer o Millonarios por 1 a 0.

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