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Ministro da Saúde sugere alterar recomendação de calorias diárias

Segundo Ricardo Barros, alterar a recomendação máxima de calorias seria uma forma de evitar o excesso de peso em pessoas sedentárias

Por
Giulia Vidale

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27 jun 2017, 18h00

Para o ministro da Saúde Ricardo Barros, alterar a recomendação do consumo diário de calorias para adequá-la ao estilo de vida de uma pessoa sedentária seria uma forma de combater a obesidade. Segundo o ministro, a tecnologia e o estilo de vida atual contribuem para o sedentarismo da população, logo, um limite de ingestão calórica compatível com essa rotina seria uma forma de prevenir o excesso de peso. A sugestão foi feita pelo ministro durante um debate sobre o impacto do consumo de açúcar na saúde da população realizado no Ethanol Summit 2017, em São Paulo.

Segundo Eduardo Leão de Souza, diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), essa é a primeira vez que o tema é incluído no evento e a decisão foi motivada pela “vilanização” do alimento, que tem prejudicado o setor. De fato, há um excesso de açúcar na alimentação do brasileiro. Dados do Vigitel mostraram que cada pessoa consome cerca de 30,07 quilos de açúcar por ano no país, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma ingestão máxima de 18,25 quilos anuais, o que equivale a 10% das calorias diárias (cerca de 50 gramas por dia).

Sedentarismo e má alimentação

Porém, esse não é o único culpado pelo aumento da obesidade e do sobrepeso no Brasil. Conforme ressaltaram o cardiologista e nutrólogo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia Daniel Magnoni e o preparador físico Marcio Atalla durante o evento, a má alimentação em geral do brasileiro com o baixo consumo de alimentos do reino vegetal e o sedentarismo contribuem para esse quadro.

“Há um foco excessivo em achar um vilão na alimentação, um culpado para a obesidade, porque é mais fácil proibir um alimento do que fazer alterações no estilo de vida. Enquanto não houver um combate ao sedentarismo, não conseguiremos frear a obesidade.”, afirmou Atalla.

O especialista chama atenção para as recomendações da OMS. Segundo ele, todos se preocupam com as recomendações da entidade relacionadas à alimentação, como a quantidade máxima de açúcar ou sódio, mas ninguém dá importância para a orientação referente ao mínimo de atividade física.

“O sedentarismo é um problema de saúde pública e o meio ambiente atual com toda a tecnologia disponível contribui para essa propagação. É simples incorporar ações ao dia a dia que combatam a falta de atividade física, por exemplo, é possível substituir o elevador pela escada e fazer caminhadas de 3 minutos após uma hora sentado.”, afirma Atalla.

Uma pesquisa realizada com 1 200 pacientes do Instituto Dante Pazzanese mostrou que a maioria das pessoas que consome açúcar diariamente, mas também realiza atividade física não está com sobrepeso nem obesidade. “Açúcar, de forma moderada, não é causa direta das doenças cardiovasculares, do diabetes e da obesidade”, ressalta Magnoni.

Ações do governo

Para o deputado federal Evandro Roman, presidente da Frente Parlamentar Mista de Combate e Prevenção da Obesidade Infantojuvenil, é necessário uma união de ações para combater a obesidade na infância e adolescência, caso contrário será como “enxugar gelo para o resto da vida”. Segundo o deputado, a frente irá trabalhar simultaneamente com três variáveis: alimentação, atividade física e qualidade do sono, fatores cruciais para enfrentar o problema.

Na ocasião, Barros afirmou também que o Ministério tem trabalhado para controlar o efeito prejudicial do excesso de sódio e açúcar na alimentação do brasileiro, como o excesso de peso e a obesidade, em medidas como a redução progressiva dessas substâncias em alimentos e bebidas industrializadas e afirmou que a pasta está estudando ações adicionais como a alteração da rotulagem para enfatizar a quantidade de açúcar nos produtos, a criação de um dosador padrão de sal e açúcar para que as pessoas saibam a quantidade consumida e a proibição de bebidas refil em restaurantes no Brasil.

Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia), afirmou que a indústria já está estudando formas de reduzir o açúcar adicionado aos alimentos, já que a substância desempenha um papel importante na estrutura físico-química dos alimentos. Segundo ele, o plano será anunciado no segundo semestre deste ano e irá incluir produtos lácteos, bebidas adoçadas, biscoitos, bolos e achocolatados.

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