You are here

Meta de inflação será de 4,25% para 2019 e 4% para 2020


BRASÍLIA. Após 14 anos de meta em 4,5%, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu nessa quinta-feira (29) estabelecer uma referência menor para a inflação brasileira. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou que a meta de inflação para 2019 será de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual, para mais ou para menos. Isso significa que o Banco Central, em 2019, vai perseguir os 4,25%, mas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – o índice oficial de inflação – poderá ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a instituição tenha descumprido o objetivo. Para 2020, a meta central é de 4,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

Um decreto publicado nessa quinta-feira (29) “Diário Oficial da União” (DOU) determinou que a meta de 2020 também seria decidida na mesma data. Até então, as metas de inflação de cada ano eram sempre definidas até a metade do segundo ano anterior. A partir de agora, serão decididas até o fim de junho do terceiro ano anterior. “A finalidade dessa extensão de prazo é porque estamos gradualmente iniciando convergência para padrões internacionais que têm horizontes mais longos ”, completou.

Meirelles lembrou que o IPCA em 12 meses chegou a 3,6% em maio e ressaltou a credibilidade da política monetária do Banco Central. O governo considera a inflação deste ano sob controle e com possibilidade de fechar 2017 abaixo de 4%. Apesar de comemorar, o mercado indica que a inflação está baixa mais por uma questão de demanda reprimida por causa da crise e do desemprego.

Desde 2005, sem interrupções, o CMN vinha estabelecendo uma meta de 4,5% para a inflação. Essa é, inclusive, a referência para 2017 e para 2018. Só que o fato de a inflação para anos à frente estar ancorada abriu espaço para que o conselho, desta vez, estabelecesse um valor menor. Desde 3 de abril deste ano os economistas do mercado financeiro projetam, conforme o relatório Focus, do Banco Central, inflação de 4,25% para 2019. Assim, ao estabelecer a meta neste patamar, o CMN não gera nenhum custo adicional para o BC, em matéria de política monetária, para conduzir as expectativas. A meta menor indica também que o governo espera reduzir a taxa básica de juros Selic, que hoje está em 10,25%.

Especialistas discordam que uma meta ainda mais baixa em um momento em que, supostamente, o país estará crescendo possa requerer doses mais altas de juros para conter os preços. Embora admitam que a queda brutal da inflação se deva também à recessão, eles dizem que a volta do crescimento não significa, necessariamente, o retorno da Inflação. “Se o país estiver se preparado para isso, lidando com algumas restrições de oferta da economia, como o investimento, dá para ter crescimento alto e inflação e juros mais baixos”, diz Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Haitong.

O controle dos gastos públicos também é condição fundamental para sustentar a meta de inflação de 4%. Alberto Ramos, diretor de pesquisa do Goldman Sachs, diz que as novas metas são críveis, mas devem ser acompanhadas de esforço fiscal e da adoção de reformas que tornem a economia mais flexível e produtiva. Além de atrair investimentos para o país.


IGP-M registra no país a terceira deflação mensal seguida


SÃO PAULO. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou a terceira deflação mensal consecutiva ao ter queda de 0,67% em junho após recuo de 0,93% em maio, divulgou nessa quinta-feira (29) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado de junho, o IGP-M entrou no campo deflacionário também no acumulado em 12 meses, que teve retração de 0,78%. Essa é a primeira queda em 12 meses do indicador desde janeiro de 2010 (-0,67%).

No ano, o recuo já acumula 1,95%. Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) reduziu levemente a deflação, ao sair de -1,56% em maio para -1,22% em junho. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) teve a primeira queda desde julho de 2013 (-0,03%) ao ficar em -0,08% neste mês. Em maio, o indicador do varejo havia subido 0,29%. O IGP mede a inflação no atacado e no varejo.


Déficit primário. O governo central registrou déficit primário de R$ 29,371 bilhões em maio, o pior desempenho para o mês desde 1997. O resultado, que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central, sucede o superávit de R$ 12,570 bi de abril.

Mais impostos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não descarta aumentar impostos para cobrir o rombo das contas públicas.




Ipea prevê reação mais tímida do PIB


BRASÍLIA. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou suas projeções macroeconômicas diante do aumento da incerteza nos últimos dois meses. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 ficou em 0,3% enquanto a de 2018 em 2,3%. No mês passado, o instituto previa crescimento do PIB em 0,7% neste ano e em 3,4% no ano seguinte. Apesar disso, o Ipea avalia que a economia brasileira manteve a trajetória de retomada gradual da atividade.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também mudou, passando de 3,9% para 3,5% neste ano e de 4,5% para 4,3% em 2018. “Em que pese o fato de que boa parte deste recuo veio por conta da forte queda nos preços dos alimentos”, disse o relatório.

Source

Related posts

Leave a Comment