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Meta de inflação menor aumenta pressão por reformas, consideram economistas | Economia

Para analistas, primeira redução em 14 anos foi discreta para gerar reação nos mercados; efeitos dependem do cumprimento da meta fiscal, avaliam.

Ilan Goldfajn lista benefícios em alongar metas da inflação

Ilan Goldfajn lista benefícios em alongar metas da inflação

A primeira redução da meta de inflação em 14 anos aumenta a pressão para o avanço das reformas defendidas pelo governo no Congresso, acreditam economistas ouvidos pelo G1. Na visão deles, a queda dos juros esperada pelo governo com esta medida depende do cumprimento da meta fiscal.

Nesta quarta-feira (29), o Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu a meta central de inflação dos atuais 4,5% ao ano para 4,25% em 2019 e para 4% em 2020. É a primeira redução desde 2005.

Limites da inflação, meta (Foto: Arte/G1)Limites da inflação, meta (Foto: Arte/G1)

Limites da inflação, meta (Foto: Arte/G1)

“Essa decisão aponta para uma forte pressão do governo para a aprovação das reformas, na expectativa de que tudo se converta no futuro a uma situação mais favorável”, afirma o economista da gestora Infinity Jason Vieira.

Em sua avaliação, a expectativa de queda dos juros com uma meta mais rígida de inflação só é factível se o governo conseguir cumprir a meta fiscal, que em 2017 foi estipulada em R$ 139 bilhões. “É uma sinalização de que as reformas vão dar sustentação para baixar mais os juros sem que o impacto da inflação seja tão grande nos preços”.

“Não adianta mexer só na inflação se continuar gastando em excesso porque vai ter que continuar emitindo títulos. Mas as manobras serão mais realistas, próprias da necessidade da economia, e mais rápidas porque o topo da meta da inflação ficou menor”, diz Maurício Godoi, professor de economia da Saint Paul Escola de Negócios.

Teto, centro e piso da meta de inflação (Foto: Arte/G1)Teto, centro e piso da meta de inflação (Foto: Arte/G1)

Teto, centro e piso da meta de inflação (Foto: Arte/G1)

Para ele, o governo terá de fazer mais esforços para atingir seu objetivo e pensar no longo prazo, monitorando mais de perto os três tipos de inflação, que é a de demanda (consumidor), de custos (variação de preços de dólar e energia, por exemplo) e a inercial, que são os preços indexados. “Com a redução do centro da meta, tende a ter menos inflação contaminando de um ano para o outro”, conclui.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que a redução para 4,25% em 2019 foi “suficientemente discreto” para não gerar uma distorção na curva de juros (expectativa do mercado). “O sistema de metas tem que ser atualizado de tempos em tempos. A redução gradual de 4,25% para 4% entre 2019 e 2020 foi cômoda e não deve gerar grandes alterações”, diz.

Godoi defende também um intervalo de tolerância menor (faixa para cima e para baixo), em 1 ponto percentual, para que as empresas consigam fazer seus planejamentos financeiros no país com mais segurança”. O governo manteve a faixa em 1,5 ponto percentual pelo Conselho Monetário Nacional. Ele defende a redução para 1 ponto percentual.

Para Godoi, as poucas vezes em que o centro da meta foi atingido no país foi por conta de intervenções artificiais dos governos anteriores, segurando os preços dos combustíveis e da energia elétrica, por exemplo.

Números oficiais mostram que a inflação ficou bem acima da meta central do governo em 11 dos 18 anos completos de existência do sistema de metas. A inflação ficou abaixo da meta central somente em quatro anos: 2000, 2006, 2007 e 2009.

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