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Mauro Cunha deixa conselho da Mahle Metal Leve – Economia

Rio, 01 – Aps dois anos e meio no conselho de administrao da Mahle Metal Leve S.A., o presidente da Associao de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Mauro Rodrigues da Cunha, entregou no ltimo dia 26 sua carta-renncia ao cargo. No documento endereado ao presidente do colegiado, Peter Grunow, ele argumenta que sua sada decorre de discordncias fundamentais em relao a decises recentes do rgo. Ele segue destacando sua preocupao com a persistente irrelevncia do conselho nos processos decisrios da companhia, sobretudo no que diz respeito a gesto de risco, controles internos, transaes com partes relacionadas e superviso da gesto.

Em maio, Cunha manifestou em ata seu desconforto e decepo com a deciso da maioria do conselho de votar contra as novas regras do Novo Mercado, mais alto segmento de governana corporativa da B3 (antiga BM&FBovespa). A Amec sempre defendeu a reformulao das regras. A companhia alegou poca que as novas regras significariam uma governana mais abrangente, mas iriam requerer custos adicionais s empresas participantes do segmento.

Ao comentar o episdio em seu Blog da Governana, o ex-diretor da Previ e especialista no tema Renato Chaves alertou que os investidores da companhia de autopeas devem ver a atitude do conselheiro com muita preocupao. Para Chaves, os recentes e constantes escndalos corporativos no Pas reforam o sentimento de que os conselhos vm falhando nas suas principais atribuies: definir estratgias, em lugar de referendar cegamente estratgias definidas pelo presidente da companhia, e escolher e monitorar executivos.

O presidente da Amec tem se destacado por no temer embates em sua atuao como conselheiro. Durante os dois anos em que esteve no colegiado da Petrobras (2013 a 2015), onde chegou por indicao de acionistas minoritrios, ele foi uma verdadeira pedra no sapato dos demais conselheiros. Entre outras coisas, props a excluso da OAS e da Mendes Jnior de licitaes e questionou os valores de ativos declarados pela estatal, como a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), uma das principais obras investigadas pela Operao Lava Jato.

Cunha votou contra a aprovao das demonstraes financeiras da companhia em 2013. A estatal foi obrigada a divulgar sua posio com crticas s prticas contbeis adotadas. Segundo a Petrobras, a deciso de Cunha teve como pano de fundo a demora no envio de informaes para anlise do colegiado, da aparente inadequao da contabilizao de investimentos no parque de refino e ainda discordncia quanto poltica de hedge accounting, mais tarde questionada por ele na Comisso de Valores Mobilirios (CVM).

Em maro de 2015, Cunha desistiu de concorrer reeleio ao conselho da petroleira e saiu dizendo que os acionistas minoritrios precisam defender a Petrobras de abusos e da incapacidade do governo na gesto da empresa. Ele atribuiu a deciso de sair sua frustrao pessoal diante da incapacidade do acionista controlador em agir com o devido grau de urgncia para a reverso dos inmeros problemas que trouxeram a Petrobras sua atual situao.

(Mariana Duro)

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