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Manifestantes em Roraima ateiam fogo em abrigo de venezuelanos – Brasil


Protesto em Roraima começou por volta das 17h de segunda-feira (19) e foi organizado após a suposta rixa
Reprodução/ Facebook

Protesto em Roraima começou por volta das 17h de segunda-feira (19) e foi organizado após a suposta rixa

Moradores de Mucajaí, em Roraima, atearam fogo aos pertences de venezuelanos que vivem em um abrigo municipal na zona central da cidade. O ato ocorreu durante uma manifestação de moradores revoltados com a morte de um brasileiro, que supostamente ocorreu durante uma briga com venezuelanos, no último sábado (17), em um bar do bairro Sagrada Família.

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De acordo com a Guarda Municipal, o protesto em Roraima começou por volta das 17h de segunda-feira (19) e foi organizado após a suposta rixa. “A manifestação estava marcada e era para ser pacífica, mas, infelizmente, foi usada para outra finalidade”, disse o comandante da Guarda Municipal, Wanited Correia Oliveira.

Em vídeo que circula na internet, os manifestantes pediam justiça durante o protesto. “Somos brasileiros, dignos, temos caráter. Eles [os venezuelanos] estão abusando demais”, dizem no vídeo.

Nas redes sociais, moradores dizem que a cidade passou a enfrentar problemas com a chegada dos venezuelanos. “Temos que tomar uma atitude. Infelizmente, no meio de gente trabalhadora há muitos que não prestam, que são ladrões, violentos e são uma ameaça para nossa família”, disse um internauta. Em outra postagem, uma pessoa afirma que a invasão ao abrigo dos venezuelanos foi uma resposta à morte do brasileiro assassinado no sábado, em Mucajaí.

Outra internauta, venezuelana, rebate o ataque e diz que “há pessoas da Venezuela que deixaram seu país para trabalhar pelo amor de sua família”.



Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a população de Mucajaí era de 14 mil pessoas, aproximadamente. No ano passado, o órgão estimou em 16.852 o número de habitantes – o cálculo é parcial. 

A prefeitura de Mucajaí informou que vai apurar os fatos para poder se manifestar. A Polícia Civil e as secretarias estaduais de Justiça e Cidadania e Segurança Pública não se posicionaram até o momento. 

“Êxodo venezuelano”

Durante a visita do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ao Brasil, nesta terça-feira (20) o presidente Michel Temer disse que o êxodo venezuelano perturba os países da América Latina e que deseja a pacificação política do país.

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“O êxodo venezuelano, para o Brasil e para a Colômbia, perturba os países da América Latina e nós fizemos questão de evidenciar que a nossa relação com a Venezuela é institucional, é de Estado e Estado, mas não significa que nós patrocinemos o que está acontecendo na Venezuela sob foco político”, disse Temer à imprensa após reunir-se com Santos no Palácio do Planalto.

“O que queremos é a pacificação política na Venezuela, a democracia plena nas eleições e a não agressão aos que se opõem ao regime que ora está constituído”, acrescentou.

Por sua vez, Santos ressaltou que os presidentes fazem um apelo ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para que aceite a ajuda humanitária ofertada por países como a Colômbia e Brasil. “Não entendemos como recusam esse tipo de ajuda quando a crise humanitária se agrava dia após dia”.

De acordo com a organização não governamental (ONG) Conectas, 600 mil venezuelanos entraram na Colômbia nesse último período de crise, mas o país tem fechado a fronteira em alguns momentos e passou a exigir passaporte dos imigrantes.

No Brasil, cerca de 32 mil venezuelanos já pediram refúgio ou residência temporária desde 2015, quando começou o fluxo migratório para o país, informou a Casa Civil. Mas o fluxo na fronteira é ainda maior, já que muitos deles voltam à Venezuela para buscar familiares ou para levar dinheiro para quem ficou. Por dia, entram de 600 a 800 venezuelanos no Brasil, mas eles não necessariamente se estabeleceram aqui.

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Em Roraima, a chegada de venezuelanos a se intensificou nos últimos dois anos como resultado da crise no governo chavista de Nicolás Maduro no país vizinho. De acordo com os cálculos da Prefeitura de Boa Vista, a capital já abriga mais de 40 mil cidadãos venezuelanos, número que representa cerca de 10% da população local, que totaliza cerca de 330 mil habitantes.

* Com informações da Agência Brasil

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