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Maior buraco negro já detectado engole o equivalente a um Sol a cada dois dias

Pode colocar a música Super Massive Blackhole do Muse para tocar enquanto lê esta matéria. Afinal, a canção da banda Inglesa tem um título apropriado para o fato de que existe um buraco negro supermassivo recentemente detectado por astrônomos australianos, cujo crescimento já se tornou o mais rápido já vislumbrado no vasto universo.

É possível que os buracos negros supermassivos que existem nos centros das galáxias se tornem absurdamente enormes, atingindo massas bilhões de vezes maiores que o nosso Sol. Todavia, este buraco negro supermassivo específico chamou a atenção pela taxa com que vem crescendo. Seu nome, por sinal, é igualmente inflado: QSO SMSS J215728.21-360215.1, ou apenas J2157-3602 (o que ainda é grande).

O buraco negro gigante descoberto por astrônomos da Universidade Nacional Australiana (ANU) está localizado a 12 bilhões de anos-luz da Terra. Para observá-los, foram usados três instrumentos diferentes: o satélite Gaia da ESA, o satélite Explorador para Pesquisa com Infravermelho em Campo Amplo da NASA, e o observatório de Siding Spring da ANU.

A equipe observou que o J2157-3602 é do tamanho de cerca de 20 bilhões de sóis, e está crescendo a uma taxa de 1% a cada milhão de anos. A cada dois dias, esse buraco negro supermassivo devora uma massa equivalente ao nosso Sol, engolindo poeira, gás, pedaços de destroços celestes e tudo mais o que pode ser absorvido por sua poderosa influência gravitacional. Os astrônomos também notaram que o seu crescimento é recorde, sendo considerado o buraco negro mais rápido em questão de crescimento, e também o maior já detectado. Para completar, o este buraco negro supermassivo está expelindo luz ultravioleta e raios-x a uma taxa que, teoricamente, tornaria toda a galáxia estéril.

Para entender melhor como seria se o J2157-3602 estivesse em nossa Via Láctea, Christian Wolf, principal autor do estudo e astrônomo da ASU, explica que, nessa hipótese, o buraco negro supermassivo pareceria 10 vezes mais brilhantes do que a Lua cheia, e apareceria como uma estrela incrivelmente brilhante no céu, capaz de ofuscar todas as outras. “Novamente, se esse monstro estivesse no centro da Via Láctea, provavelmente tornaria impossível a vida na Terra, por conta das enormes quantidades de raios X que emanam dele”, acrescenta.

Isso significa que não é preciso se preocupar com isso por hora, muito embora ainda seja um mistério como esses buracos negros supermassivos alcancem um crescimento em uma velocidade tão rápida desde o Big Bang. Por sinal, os cientistas ainda esperam encontrar outros que estejam aumentando ainda mais rapidamente do que o J2157-3602 e, portanto, as pesquisas continuam.

As pesquisas neste campo visam descobrir um pouco mais sobre como eram as condições no início do universo, e como os elementos eram formados, em especial os metais. Além do mais, os pesquisadores buscam entender como os buracos negros primitivos podem ter gases ionizados ao redor deles.

Fonte: Gizmondo

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