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Macron ameaça “bombardear” a Síria se se comprovar uso de armas químicas por Assad

O Presidente de França ameaçou na terça-feira “bombardear” a Síria caso surjam provas concretas de que o governo de Bashar al-Assad está a usar armas químicas contra civis, repetindo uma promessa feita há um ano. “Vamos atacar o local de onde estes ataques são lançados ou onde são organizados”, prometeu Emmanuel Macron aos jornalistas, garantindo que, para já, os serviços de informação franceses ainda não encontraram provas de que as forças de Assad tenham usado este tipo de armamento proibido.

Os comentários surgiram em resposta a uma série de notícias sobre o alegado uso de gás de cloro pelas forças sírias em vários ataques contra a população em janeiro e já no início deste mês, quando nove pessoas tiveram de receber tratamento médico por causa de dificuldades respiratórias na sequência de um ataque a Saraqeb, uma cidade da província de Idlib controlada pelos rebeldes.

A oposição síria garante que um helicóptero do governo largou uma bomba química sobre aquele bastião rebelde. O governo continua a desmentir o uso de armas químicas e a garantir que não ataca civis. Apesar de ainda não terem sido reunidas provas concretas contra Assad, Macron garantiu na terça-feira em Paris que o uso de armamento químico e biológico é a “linha vermelha” que o seu governo não vai aceitar que seja pisada por Assad.

“Hoje, as nossas agências, as nossas forças armadas, ainda não apuraram que tenham sido usadas armas químicas [proibidas] nos nossos tratados contra a população civil. Assim que houver provas desse uso, faremos o que eu prometi”, declarou o Presidente, antes de acrescentra que a atual “prioridade” na Síria é “lutar contra os teroristas”.

No ano passado, num encontro com o homólogo russo, Vladimir Putin, Macron já tinha garantido que, se Assad ultrapassasse essa “linha vermelha”, França ia “responder imediatamente”. Na sexta-feira, num telefonema com o grande aliado do governo sírio, Macron disse-se preocupado perante “indicações que sugerem o possível uso de gás de cloro” contra civis nas últimas semanas.

Em 2013, no rescaldo de um violento ataque com armas químicas contra um bairro dos arredores de Damasco, os EUA e a Rússia alcançaram um plano para remover e destruir todas as reservas de armamento químico da Síria de Assad no espaço de um ano. Contudo, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) continuou a documentar o uso deste tipo de armamento na Síria até hoje.

Em abril de 2017, num dos ataques do regime Assad que mais atenções internacionais angariou, a cidade de Khan Sheikhoun, controlada pelos rebeldes, foi alvo de bombardeamentos que deixaram centenas de pessoas a sofrer de sintomas associados à exposição a um agente nervoso. Testemunhas garantiram à data que foram aviões do governo que largaram as bombas sobre a cidade, divulgando vídeos onde se viam várias vítimas, muitas delas crianças, com convulsões e a espumarem da boca.

Mais de 80 pessoas morreram nesse ataque, que mereceu como resposta um ataque com mísseis ordenado pela administração de Donald Trump contra uma importante base aérea das forças de Assad. O Presidente sírio e Putin garantem até hoje que esse incidente foi “fabricado” e que os civis foram expostos ao agente nervoso porque um dos ataques aéreos atingiu um armazém dos rebeldes onde estes guardam armamento químico.

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