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Kroton deve ir às compras no setor de educação básica, após veto do Cade | Negócios

A companhia não vai recorrer da decisão do Cade na Justiça, apurou o G1.

A Kroton, maior empresa de ensino do país, deve voltar às compras, mas desta vez mirando escolas particulares. A empresa não vai recorrer na Justiça da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica de vetar a aquisição da universidade Estácio, apurou o G1.

O negócio, avaliado em R$ 5,5 bilhões, daria origem a uma gigante com valor de mercado de mais de R$ 27 bilhões. Juntas, as duas teriam 1,5 milhão de alunos, 1.080 polos de ensino a distância e 213 campi.

O mercado aposta que, além de grupos de educação básica, a Kroton também deve procurar incorporar universidades regionais, especialmente no Nordeste, Norte e Sul. Essa é a visão do analista Bruno Giardino, do Santander, que acompanha o setor.

“A Kroton seguramente vai olhar novas aquisições menos complexas”, afirmou Giardino, lembrando que a empresa tem uma situação financeira confortável – ela encerrou o primeiro trimestre com R$ 1,3 bilhão em caixa.

A empresa também vai buscar crescimento orgânico, com abertura de polos de ensino à distância (EaD) e novas unidades presenciais, conforme apuração do G1.

A Kroton já tem protocolados junto ao Ministério da Educação (MEC) 60 pedidos de abertura de campi. O plano é solicitar mais 100.

O grupo é dono das marcas Anhanguera, Fama, Faculdade Pitágoras, Unic, Uniderp, Unime e Unopar, além da LFG, de preparatório para concursos.

Tem 114 unidades de ensino superior em 76 cidades brasileiras de 16 estados e 910 polos de EaD, que abarcam mais de 1 milhão de alunos.

Apesar de o presidente do conselho da Estácio, João Cox, ter declarado à Reuters que a empresa deve partir para aquisições , ela continua sendo vista no mercado como vendedora, e não compradora, avalia Giardino, do Santander.

“Especula-se muito que a Estácio seja comprada pela Ser [Educacional]. O mercado trabalha forte com essa possibilidade”, disse.

A Ser estava na disputa antes pela Estácio antes do fechamento do acordo com a Kroton, em agosto do ano passado, e chegou a declarar que “tomaria as medidas cabíveis” para embargar a operação.

O presidente da companhia, Jânyo Diniz, disse que vai “reavaliar com muito cuidado” uma possível fusão com o grupo carioca, mas que esse não é seu foco atual.

O empresário Chaim Zaher, um dos principais acionistas da Estácio, também estudou a compra do controle da empresa e era contrário à venda para Kroton. Depois que o negócio foi fechado, ele concordou com os termos renunciou ao assento que tinha no conselho. Agora que a transação foi cancelada, ele pretende pedir a cadeira de volta, apurou o G1.

A Estácio gastou cerca de R$ 30 milhões no frustrado processo de venda.

O sinal vermelho do Cade para a união da Kroton e da Estácio deve provocar um aquecimento das fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no setor de educação, de acordo com Giardino.

“O mercado de M&A vai sim ficar diferente, porque tem dois atores importantes voltando para o páreo. A competição por ativos vai aumentar”, afirmou.

A Kroton é a maior empresa de educação no Brasil e a Estácio, vice-líder no setor. A união das duas daria origem a uma gigante com valor de mercado de mais de R$ 27 bilhões. De 2011 para cá, o Cade só barrou 8 negócios, incluindo esse. No período, mais de 4,5 mil fusões e aquisições foram feitas no Brasil, segundo relatório da PwC.

Se a transação fosse aprovada sem ressalvas, o que era extramamente improvável, o grupo originado teria 1,5 milhão de alunos, 1.080 polos de ensino a distância e 213 campi, segundo dados de 2016. Só no ano passado, juntas, as duas faturaram mais de R$ 8 bilhões e lucraram quase R$ 2,5 bilhões.

Essa nova empresa teria 49,18% da participação de mercado entre os 10 maiores grupos educacionais, que juntos somam 46,09% do volume total de alunos no setor, segundo estudo feito pela CM Consultoria. A gigante de ensino teria 23,36% de todo o market share das empresas de educação no país, conclui o levantamento, feito em 2016.

Hoje, a Kroton, dona da Anhanguera, é líder no mercado com 2 a cada 10 alunos de toda a rede de ensino privado. Segundo o levantamento, a compra da Estácio elevaria sua participação de mercado total de 6,98% para 8,78%.

Concentração de mercado das empresas de educação no Brasil (Foto: Arte/G1)Concentração de mercado das empresas de educação no Brasil (Foto: Arte/G1)

Concentração de mercado das empresas de educação no Brasil (Foto: Arte/G1)

* Colaborou Taís Laporta

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