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Justiça Federal aceita denúncia e Cabral se torna réu pela 10ª vez na Lava Jato | Rio de Janeiro

Ex-governador agora responde a 9 acusações no Rio e a uma em Curitiba. Irmão, ex-mulher e mais três também foram acusados pelo MPF e se tornaram réus.

Entenda as denúncias contra o ex-governador Sérgio Cabral na Lava Jato

Entenda as denúncias contra o ex-governador Sérgio Cabral na Lava Jato

A Justiça Federal no Rio de Janeiro aceitou nova denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Sérgio Cabral, e o ex-governador se tornou réu pela décima vez. A mais recente acusação foi apresentada pelo MPF nesta sexta-feira (2) e, no mesmo dia, foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Das dez denúncias contra Cabral, nove foram apresentadas no Rio e uma no Paraná (entenda no vídeo acima).

Veja todos os denunciados e as acusações:

  • Sérgio Cabral, ex-governador: 36 atos de lavagem de dinheiro
  • Susana Neves, ex-mulher de Cabral: 31 atos de lavagem
  • Maurício Cabral, irmão do ex-governador: 1 ato de lavagem
  • Carlos Miranda, operador: 4 atos de lavagem
  • Flávio Werneck, dono da FW Engenharia: 36 atos de lavagem
  • Alberto Conde, contador da FW: 36 atos de lavagem

Ministério Público Federal faz mais uma denúncia contra Sérgio Cabral

Ministério Público Federal faz mais uma denúncia contra Sérgio Cabral

R$ 1,7 milhão em propina

A denúncia desta sexta cita o pagamento de R$ 1,7 milhão em propina, em três partes. O dinheiro teria sido lavado por meio de empresas de fachada.

No início do mês passado, dois endereços ligados a Susana Neves foram alvo de busca e apreensão. O governador Sérgio Cabral está preso desde novembro, quando foi deflagrada a Operação Calicute, também desdobramento da Lava Jato.

A partir de fatos apurados nas operações Calicute e Eficiência, identificou-se que Suzana Neves teria comprado, em nome de sua empresa Araras Empreendimentos Consultoria e Serviços Ltda, um imóvel em São João del Rei por R$ 600 mil sem que, aparentemente, tivesse recursos de origem lícita compatível.

O MPF apura se o imóvel está sendo utilizado para guardar bens de valor adquiridos com recursos ilícitos da organização chefiada por Cabral, como obras de arte, por exemplo, pois informantes relataram que, nos meses de janeiro e fevereiro de 2017, houve o descarregamento de um “container de quadros” na casa.

A Receita Federal detectou que a Araras Empreendimentos teve movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada e distribuiu lucros e dividendos incompatíveis com as receitas auferidas, nos exercícios de 2007 a 2009 e de 2011 a 2015. O levantamento demonstra que a sede da empresa é a própria residência de Suzana, no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, e que não há nenhum empregado registrado.

As investigações também apontam que Suzana utilizou sua empresa para ocultar a origem ilícita de R$ 1.266.975,00. Entre outubro de 2011 e dezembro de 2013, foram identificadas 31 transferências bancárias de recursos oriundos do grupo de empresas da empreiteira FW Engenharia, por intermédio da empresa Survey Mar e Serviços Ltda, que realizou pagamentos à Araras Empreendimentos a título de serviços de consultoria em valor quase duas vezes maior que a sua renda bruta declarada.

Quase 50% dos valores recebidos pela Survey da FW no período analisado pela investigação foram repassados logo em seguida para a empresa de Suzana Neves. Toda a movimentação aponta para lavagem de dinheiro pago como propina à organização criminosa em contratos que o governo firmou com a FW Engenharia. Em diligências de busca e apreensão autorizadas durante a Operação Calicute, foram apreendidas diversas anotações que indicam o pagamento de propina pela empreiteira FW Engenharia em benefício da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral.

Um dos contratos firmados com a empresa, no valor de R$ 35 milhões, teve por objeto a elaboração de projeto executivo e a execução de obras complementares de urbanização no Complexo de Manguinhos, comunidade beneficiada pelo PAC das Favelas. A contratação foi financiada com recursos da União provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento.

Outras duas movimentações são apontadas pelo MPF como lavagem de dinheiro. Em uma delas, houve um depósito de cheque em favor da empresa Estado Comunicação EPP, no valor de R$ 240 mil, em 24 de novembro de 2011. Maurício Cabral seria o beneficiário.

Na outra, segundo o MPF, houve 4 atos de lavagem de dinheiro, de forma habitual, mediante depósitos de cheques em favor da empresa LRG Agropecuária LTDA – EPP, de Carlos Miranda, no total de R$193.850,00. Os repasses foram feitos entre dezembro de 2011 e abril de 2012, de acordo com o documento.

As oito denúncias já apresentadas pela força-tarefa da Lava Jato no Rio revelam como Cabral instituiu, ao assumir o governo do Rio de Janeiro, em 2007, um esquema de cartelização de empresas e favorecimento em licitações, mediante pagamento de propina de cerca de 5% em todas as grandes obras públicas de construção civil contratadas junto ao ente público, quase sempre custeadas ou financiadas com recursos federais.

As investigações demonstraram que a organização desviou mais de US$ 100 milhões dos cofres públicos mediante um processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior.

A defesa de Sérgio Cabral disse que vai se manifestar no processo em curso na Justiça.

Os advogados de Carlos Miranda disseram que os fatos, que são de continuidade de outros já noticiados, vão ser esclarecidos na ação penal. Disse também que repudia a divisão dos fatos em várias ações, quando, na verdade, são os mesmos fatos, que se alongam no tempo.

Em nota, a defesa de Susana Neves Cabral afirmou que “ela jamais escondeu obras de arte ou qualquer outro objeto em sua propriedade”. A defesa destacou ainda que o imóvel localizado em Araras não é dela, pertence à sua mãe e ao seu falecido pai, desde a década de 70. Susana está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários à investigação.”

A FW Engenharia disse que não vai comentar a denúncia feita pelo MPF.

Não conseguimos contato com as defesas de Maurício Cabral e Alberto Conde.

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