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Juro menor d alvio bilionrio nas contas pblicas – Economia

Uma das vitrines da equipe econmica do governo Temer, a queda dos juros bsicos tambm vai ajudar a impulsionar uma reduo nos gastos pblicos. A conta dos juros pagos pelo governo deve fechar o ano em R$ 402,2 bilhes – R$ 4,8 bilhes a menos que no ano passado e R$ 99,6 bilhes a menos que em 2015, segundo projees da consultoria Tendncias, que levam em considerao uma taxa de 8,75% ao fim do ano.

Caso esse cenrio se concretize, a despesa do governo com juros neste ano, em relao ao PIB, ficaria abaixo dos 6,5% do ano passado e dos 8,4% de 2015.

No fim de maio, o Banco Central reduziu a Selic, os juros bsicos da economia, pela sexta vez seguida. O Comit de Poltica Monetria (Copom) cortou a taxa em 1 ponto porcentual, de 11,25% ao ano para 10,25% ao ano. Na prtica, isso significa que a dvida pblica cresce menos, j que cerca de um tero dela atrelada Selic.

Os juros bsicos esto no menor nvel desde janeiro de 2014, quando estavam em 10% ao ano. Entre o fim de 2012 e abril de 2013, a Selic foi mantida em 7,25% ao ano, no menor nvel da histria, e passou a ser reajustada gradualmente at alcanar 14,25% ao ano em julho de 2015. Apenas em outubro de 2016 o Copom voltou a reduzir a Selic.

” um impacto importante no dficit nominal (nmero que leva em conta o pagamento dos juros da dvida pblica). Os economistas costumam olhar com mais ateno para o supervit primrio (que no inclui o pagamento dos juros), mas a economia de R$ 99,6 bilhes mostra o quanto importante que o BC reduza os juros de forma sustentvel”, diz Jos Marcio Camargo, professor da PUC-Rio. “Muito se discute a velocidade do corte dos juros. verdade que a economia est em recesso, mas a poltica monetria feita olhando o futuro. Tudo que o Banco Central no quer ter de aumentar os juros quando a economia retomar.”

” um resultado que ajuda a corroborar os ajustes feitos no ltimo ano. Um movimento errado na poltica monetria no causaria esse efeito. Em 2012, os juros caram de forma forada, e o juro mdio da dvida pblica no reagiu”, lembra Fabio Klein, analista da Tendncias. Ele ressalta que o custo de financiamento da dvida pblica cai desde 2016, embalado pelas expectativas futuras de inflao.

Por mais amargo que tenha sido at agora, o ajuste fiscal promovido pela equipe econmica abriu espao para que a economia opere em um maior grau de segurana, diz Andr Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. Ele lembra que a queda dos gastos pblicos, como efeito colateral da Selic, abre espao para outros avanos. “Em um primeiro momento, esses nmeros podem no se traduzir em incentivos, mas podem nos ajudar a entender o tamanho do desequilbrio das contas pblicas.”

Mais tempo

Na avaliao de economistas ouvidos pelo Estado, a queda nos juros bsicos poderia causar um certo alvio no ajuste fiscal do governo, pois juros menores fazem com que a dvida aumente a uma velocidade menor – como uma bola de neve crescendo em um ritmo menos preocupante, mas que continua crescendo.

Eles lembram que, se o esforo do governo por um supervit primrio no se mantiver, no adianta os juros pressionarem menos.

Para Raul Velloso, especialista em finanas pblicas, o governo pode tentar ganhar tempo usando o corte de juros como um argumento a seu favor, no caso de no cumprir a meta de dficit primrio de R$ 139 bilhes para este ano. “O governo pode pleitear uma reviso da meta e justificar o no cumprimento dizendo que a recesso foi mais aguda do que se imaginava, mas que se tentou compensar diminuindo o impacto dos juros na dvida.”

J Sergio Vale, da MB Associados, diz que o desgaste poltico de Temer para tentar votar uma nova meta seria muito grande perante o mercado e que o maior problema continuar sendo mexer nos gastos primrios. “A queda de juros em si ajuda a pagar menos servio da dvida, sem dvida, mas infelizmente no entra na conta que apurada pra fazer o clculo do dficit primrio. O problema de alcanar a regra do teto de gastos e para isso ter de fazer a reforma da Previdncia continuar sendo o mesmo.”

Vale tambm avalia que preciso considerar o cumprimento das metas de gastos do governo olhando mais para 2018 do que para o mandato atual. “Temos de observar que s uma pequena parte dos atuais pr-candidatos fala da preocupao com a questo fiscal. A crise do governo Temer antecipa essa discusso.” As informaes so do jornal

O Estado de S. Paulo.

(Douglas Gavras)

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