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Jornal Nacional – Três mulheres tiveram papel decisivo na história da imagem de Aparecida

 Três mulheres tiveram um papel decisivo nos 300 anos de história de Nossa Senhora Aparecida: Silvana, Isabel e Maria Helena. Eles são de gerações diferentes. Mas a devoção de cada uma delas ajudou a espalhar a fé na padroeira do Brasil.

As duas se chamam Maria. São Aparecidas e têm essa cor tão brasileira. Foi da devoção à padroeira do Brasil que a Cida ganhou o nome. “A imagem e a história carregam a questão da mulher de hoje também. Não é da mulher de antes.  Da mulher que batalha, que corre, ainda mais importante, da mulher que é negra”, conta o jornalista Franco da Rocha.

O povo brasileiro também se reconhece nessa imagem. Originalmente, era uma Nossa Senhora da Conceição que foi escurecida pelo tempo que passou no lodo do rio, até ser retirada por três pescadores.

“A imagem encontrada em 1717 foi retirada do Rio Paraíba em duas partes, corpo e cabeça. É Deus querendo que a sua criação seja reconstruída”, diz o Padre Rodrigo.
A reconstrução começou pelo nome: virou Nossa Senhora da Conceição Aparecida, aquela que apareceu das águas.

“É inexplicável a sensação que a gente tem de estar presente através da imagem de Nossa Senhora”, diz a dona de casa Fernanda Carvalho.

“É uma força tão bonita, uma fé tão abençoada, que você sente que realmente o que você pede para ela é concedido”, descreve a advogada e empresária Lívia Alves Diniz. 

Três mulheres tiveram papel decisivo nesses três séculos. Silvana da Rocha, mãe de um dos pescadores que acharam a imagem foi a primeira guardiã, diz a história que ela colou a estátua com cera de abelha e a colocou num oratório em casa, onde testemunhou o milagre das velas.

“Quando Silvana da Rocha foi reacender as velas, elas se reavivaram tão fortes sozinhas, que parecia cegá-los. Naquele momento todo vilarejo percebeu que aquela imagem não era qualquer imagem”, conta Zenilda Cunha, assessora de história religiosa do Santuário.

Quase dois séculos depois, a santa negra do povo chamou a atenção da realeza. A princesa Isabel, a filha do imperador do Brasil, aquela que libertou os escravos, também precisava de um milagre.

“Existem relatos de que ela fazia várias tentativas de engravidar, tinha muita dificuldade e tem várias tentativas de se aproximar de santos, devoções, de imagens, tentando alcançar essa graça que seria o nascimento de um filho”, explica Rizio Bruno Santana, bibliotecário da Biblioteca Mário de Andrade.

A graça foi alcançada. A princesa teve três filhos. Em agradecimento, ela mandou fazer a coroa de ouro maciço, com a qual a imagem seria coroada Rainha do Brasil. O gesto significou também o reconhecimento da devoção que nascia junto com a mistura de raças.

“Aqui no Brasil nós vivíamos um tempo de exploração da vida humana. Então, no decorrer dos anos, as pessoas foram se aproximando dessa imagem. Primeiro porque a cor do barro é muito próxima também da cor daqueles que eram explorados”, conta o Padre Rodrigo.

Em 300 anos, Nossa Senhora Aparecida transformou muitas vidas. Como a de Maria Helena.
“E depois de muito tempo de indiferença espiritual, eu falei com Ela ‘olha, você me deu esse problema, me colocou esse problema nas mãos, agora você vai me ajudar a sair dele”, diz Maria Helena Chartuni, restauradora.

O problema era a própria imagem. Ela foi atacada em 1978 por um homem e ficou estilhaçada, em quase 200 pedaços. O atentado provocou uma comoção tão grande, que a Igreja teve que cometer um pequeno pecado, certamente perdoável. Espalhou que a imagem estava sendo restaurada no Vaticano. Não era verdade. Ela estava aqui no museu de arte de São Paulo, o MASP. O que os padres queriam era que a restauradora trabalhasse em paz e silêncio.
“É dentro do silêncio que eu acho que Deus fala com a gente”, diz restauradora.

E foi nessa paz e nesse silêncio que a restauradora Maria Helena foi descobrindo a história da santa e a própria fé. 

“Na minha cabeça primeiro era lenda que ela tinha sido achada na água né, eu achava que era lenda. O fato da água foi provado cientificamente ali no restauro, porque ela é de terracota. Terracota quando quebra, quebra seco, no caso dela, quando ela quebrou, ela se escamou toda por dentro, o que significa que ela ficou em lugar úmido por muito tempo.”

Trinta e três dias depois, a imagem sagrada estaria reconstruída pela segunda vez, e de novo, por uma mulher. Saiu daqui do Masp e voltou para Aparecida em num caminhão de bombeiros. Os fiéis começaram a aparecer. Em pouco tempo, era uma multidão. Um corredor humano de 170 quilômetros até a Basílica. Uma demonstração de fé capaz de mudar muitas vidas.

“A gota d’água pra mim foi a devoção das pessoas. Eu falei: ‘Meu Deus, que coisa, eu nunca tinha visto aquilo”. Então só se eu fosse muito insensível e burra que não mudasse, entendeu”, conta restauradora.

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