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Jornal Nacional – Segundo dia de desfiles no Rio tem homenagens, comida e enredo crítico

O segundo dia de desfiles do Grupo Especial no Rio teve um pouco de tudo: as delícias da culinária brasileira, a história dos judeus no Nordeste, a força da mulher negra. Mas foi também, novamente, uma noite marcada por protestos.

Entenda a noite como a continuação de algo grandioso, um segundo ato dividido em seis capítulos. O primeiro capítulo vai se chamar Miguel Falabella – o grande homenageado da Unidos da Tijuca. Ao longo da avenida, o teatro, os programas de TV, as minisséries, os muitos sucessos agora, numa roupagem mais baiana.

Miguel Falabella saiu no carro “Embarque na Fantasia” e lá do alto viu tudo: o carinho da Apoteose, os amigos reunidos. Foi um jeito bonito de começar a segunda noite.

Segundo capítulo: “Quando ela pisa a passarela”.

A Portela contou a história de uma grande viagem: judeus que foram expulsos de Pernambuco e atravessaram o continente para fundar nos Estados Unidos uma pequena cidade chamada Nova York.

A bordo de uma águia, a Comissão de Frente se lançou num mar de leques gigantes. É a diáspora, a fuga de um povo em busca de liberdade, sentimento que, na linguagem do samba, se expressa de um jeito particular.

O enredo também trata de trocas, intercâmbio de cultura. O casal de mestre sala e porta bandeira mostrou que na Portela é tudo junto e misturado.

O terceiro capítulo dessa história começa assim: “Alô, União da Ilha, Alô Jornal Nacional, segura a marimba”.

O enredo da União da Ilha fala sobre culinária brasileira, vamos ver se a gente consegue algo para beliscar.

Uma esperança surgiu na avenida. Assim que viu os jurados, a Comissão de Frente montou um salão e serviu um leitão.

Carros com aromas, muitas cores. A Ilha fez um desfile para encher os olhos de beleza e a boca d’água.

Um carro entra na avenida trazendo chefs de 18 estados brasileiros.

Barriga cheia. Assim como o terceiro termina, o quarto capítulo começa.

O ventre do Salgueiro é cheio de vida. Vestindo seu vermelho cor de sangue, a escolada Tijuca deu à luz um carnaval de motivos fortes.
 
É o mistério da vida, o nascimento. Um tributo às mulheres e à ancestralidade africana.

“A mulher salgueirense é uma mulher guerreira, que luta pelos seus objetivos”.

A Pietá de Michelangelo, transformada em mãe negra, carrega nos braços o filho vítima da violência.

O quinto capítulo dessa história tem título de filme, mas foi rodado na avenida: “Uma noite no museu”. Homenagem da Imperatriz Leopoldinense aos 200 anos do Museu Nacional.

A exposição carnavalesca tinha toda a diversidade que o museu de verdade tem: bichos selvagens, insetos exóticos, relíquias egípcias, fósseis pré-históricos.

Neste curioso museu você vai encontrar também a múmia mais satisfeita da história da humanidade.

Sexto e último capítulo: a crítica.

A Beija-Flor entrou na avenida trazendo um urubu, e uma comissão de ratos. Pragas de outros carnavais que insistem em nos assombrar. Ao falar sobre a monstruosidade humana, a escola de Nilópolis foi muito direta ao atacar a corrupção dos poderosos.

Vestida de pobreza e abandono, a Beija Flor transformou o prédio da Petrobras num favelão. Citou o Congresso, as empreiteiras, a miséria infantil, a violência que rouba o estudo, que mata o policial. Mazelas de um país sufocado pela natureza roedora de quem só sabe subtrair. 

Pela força do samba, pela importância da crítica, pelo carnaval que fez, por tudo isso, por nada mais a Beija-Flor deixou a avenida com a sensação do recado dado e do dever cumprido.

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