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Jornal Nacional – Funaro diz que se encontrou mais de 700 vezes com Cunha em 15 anos

O doleiro Lúcio Funaro, que se tornou delator da Lava Jato, prestou depoimento nesta sexta-feira (27), em Brasília, e falou sobre as relações dele com o ex-deputado Eduardo Cunha em negócios ilícitos. Os dois são investigados sobre irregularidades no fundo de investimentos do FGTS.

Funaro voltou a dizer que era o grande operador financeiro de Eduardo Cunha e que tinham negócios ilícitos desde 2003. Funaro e Cunha ficaram frente a frente pela primeira vez nesse depoimento.

Funaro também disse que tinha encontros periódicos com Eduardo Cunha, e que nos últimos 15 anos encontrou Cunha pelo menos 780 vezes, mas que eles eram cuidadosos. Funaro disse que, para evitar grampo, usavam até telefones celulares israelenses.

Funaro: Era tanta neurose que tinha um aparelho exclusivo para falar no Wickr. Cobria a câmera, punha chiclé no microfone pra falar com ele. Um outro aparelho…então se você quebrar o sigilo telefônico vai ter pouquíssimas ligações com o deputado Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha tinha autorização para permanecer em Brasília até esta sexta-feira (27), porque ele é réu na ação, mas como não conseguiu ser ouvido, o depoimento dele passou para o dia 6 de novembro. Ele permanece em Brasília e volta para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal.

Cunha nega as acusações e disse aos jornalistas na saída, de forma discreta, que quando prestar depoimento vai desmentir toas as informações contra ele.

Em outro trecho do depoimento, Funaro disse que o presidente Michel Temer, o ministro Moreira Franco e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves sabiam do esquema que ele e Eduardo Cunha montaram para fraudar os fundos de investimento da Caixa Econômica Federal.

A delação de Lúcio Funaro foi uma das bases da denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Temer. Esta semana, a Câmara barrou a denúncia.

O que dizem os citados

A Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto disse que o presidente Michel Temer contesta de forma categórica qualquer envolvimento de seu nome em negócios escusos, ainda mais partindo de um delator que já mentiu outras vezes à Justiça.

O ministro Moreia Franco disse quer o advogado dele não teve acesso à investigação e que toda afirmativa proveniente de delatores assumidamente criminosos não merecer credibilidade.

Henrique Eduardo Alves disse que a afirmação de Funaro é isolada e destoa de todas as provas colhidas nos autos.

A defesa de Geddel Vieira Lima informou que as acusações não são verdadeiras e que ele nunca participou de nenhuma irregularidade na Caixa Econômica Federal.

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