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iPhone, o produto que mudou tudo, completa 10 anos | EXAME.com

(Victor Caputo/EXAME.com)

O iPhone nasceu por conta de um medo da Apple, que previa que mais cedo ou mais tarde alguma outra empresa criaria um telefone celular com uma espécie de iPod embutido. O reprodutor de mídia havia trazido cerca de 45% das receitas da Apple em 2005, o que explica a preocupação da Apple. O plano inicial era trabalhar em conjunto com outra fabricante para oferecer esse produto. A escolhida foi a Motorola.

O resultado foi um modelo da linha ROKR que trazia um iPod dentro. Conhecido pelo seu alto grau de exigência e pela completa falta de delicadeza, Steve Jobs desistiu de continuar com parcerias do tipo após o primeiro lançamento. O biógrafo Walter Isaacson descreve a reação de Jobs. “Estou cansado de trabalhar com essas empresas estúpidas como a Motorola”, teria dito Jobs a outro executivo. A solução seria que a Apple trabalhasse em seu próprio smartphone.

Inicialmente, a Apple testou uma rodinha similar à que estampava a frente do iPod. O resultado, no quesito usabilidade, era pobre e frustrante. Foi preciso trazer inspiração de outro projeto secreto da casa: o iPad. Apesar de ter sido lançado posteriormente, o tablet começou a ser desenvolvido antes do que o iPhone. Ele era uma resposta a um produto que vinha sendo criado dentro da arquirrival de Steve Jobs, a Microsoft. Um funcionário da empresa de Bill Gates teria se gabado repetidas vezes a Jobs sobre um tablet que viria equipado com uma caneta stylus.

O espírito competitivo de Jobs aflorou e ele pediu ao time de desenvolvimento na Apple que criasse um tablet que funcionasse sem o auxílio de uma caneta ou de qualquer outro acessório. “Vamos mostrar como se faz.” Assim nasceu a ideia de uma superfície coberta de vidro e que tivesse um teclado virtual. A solução serviria bem no iPhone e acabou sendo escolhida.

Alguns testes com teclados físicos foram feitos, mas a solução não agradava àqueles envolvidos no desenvolvimento, sobretudo a Jobs. “Pensem em todas as inovações que seríamos capazes de implementar se usássemos um teclado na tela com software. Vamos apostar nisso e então encontraremos uma maneira de fazer funcionar”, teria dito Jobs quando optou por não usar um teclado físico, como os modelos BlackBerry.

Tim Cook anuncia o iPhone 6 em 2014

“O iPhone definiu o que um smartphone é. O padrão, até então, era de teclados físicos, como os usados pela Nokia e BlackBerry”, diz Nguyen. “Todos os smartphones que vemos hoje ainda são muito mais parecidos com o que era o primeiro iPhone.”

A mudança mais significativa era a tela de 3,5 polegadas–enorme pelos padrões da época. Ele ainda trazia um sensor que virava a tela quando o iPhone fosse deitado. A câmera, de 1,9 megapixel, tinha boa performance mesmo em ambientes de baixa iluminação. O primeiro iPhone substituía uma dezena de outros gadgets–ao longo da década seguinte, ele poderia substituir muitos outros produtos.

Ao longo dos anos, o iPhone evoluiu e se transformou–até pela pressão de empresas concorrentes, que não ficaram paradas assistindo ao sucesso do iPhone [relembre cada modelo de iPhone lançado pela Apple]. As câmeras ficaram cada vez melhores e possibilitaram a chegada de apps como o Instagram e o Snapchat. Sensores internos fizeram com que ele substituísse o GPS para usuários de ambientes urbanos.

Com o iPhone 5s, a Apple popularizou os sensores de impressões digitais. O NFC, que, verdade, chegou tardiamente, serviu como base para o Apple Pay, serviço de pagamentos digitais da empresa. Outros sensores possibilitaram o uso do iPhone para controle da saúde.

O visual também mudou. A partir do iPhone 5, a tela deu uma esticadinha, chegando a 4 polegadas. A empresa demorou a assimilar a ideia de que o mercado queria displays ainda maiores. Foi somente em 2014 que o iPhone passou a ter dois modelos, o regular (com tela de 4,7 polegadas) e a versão Plus (com tela de 5,5 polegadas).

“Acredito que por mais promissor que o iPhone fosse, ninguém imaginaria o tamanho da mudança que traria”, fala a EXAME.com Breno Masi, gerente de produto da PlayKids. Masi ficou famoso globalmente após ser o primeiro a desbloquear um iPhone 3G. “Na minha vida foi um divisor de águas. Primeiramente, quando vi a oportunidade de desbloquear e utilizar o telefone no Brasil, e no ano seguinte, com o desenvolvimento de aplicativos que revolucionaram o dia-a-dia e a vida das pessoas.”

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