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Ilan: meta e alogamento de horizonte permitem ao BC lidar melhor com choques

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reservou parte de seu discurso nesta sexta-feira, 30, para falar das mudanças da meta de inflação anunciadas na quinta-feira, 29, destacando que o “aperfeiçoamento foi uma mudança estrutural” e permite o planejamento e juros de longo prazo mais baixos. A mudança na política econômica no último ano reduziu a inflação e permitiu o corte da meta, disse ele.

“O regime de metas de inflação tem 18 anos, já atravessou várias fases e ciclos, está maduro para essa mudança.” A meta de 2019 foi reduzida para 4,25% e a de 2020 foi fixada em 4%. Com as mudanças anunciadas na quinta, Ilan ressaltou que há algumas consequências importantes. “Primeiro, com horizonte mais longo a política econômica poderá balizar as expectativas de inflação para prazos mais longos, o que reduz incertezas e melhora a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo.”

Outra consequência positiva é que com expectativas de inflação mais longas ancoradas em patamares mais baixos, a economia pode almejar de forma sustentável juros de longo prazo mais baixos, destacou o presidente do BC.

“Com expectativas de inflação mais longas ancoradas, a política monetária pode acomodar mais facilmente choques de curto prazo promovendo mais estabilidade”, disse o presidente do BC. Assim, a política monetária pode se concentrar apenas nos efeitos secundários dos choques.

Ao falar de outros países com regimes de metas de inflação, Ilan destacou que a experiência internacional mostra que a maioria dos mercados tem metas em horizontes até mais longos que dois anos e meio. Na quinta, o Conselho Monetário Nacional (CMN) resolveu alongar o prazo de validade da meta para 3 anos. “A política econômica tem hoje as condições de inflação necessárias, a transparência necessária, e a credibilidade necessária para se comprometer com metas de inflação de mais longo prazo.”

Ilan destacou ainda em seu discurso, que a inflação em 12 meses só acaba subindo por uma questão de efeito base. A inflação caiu da casa dos 11% para 3,5%, disse ele, destacando que a previsão é que a alta este ano fique em 3,8%.

A meta de 2020 foi fixada em 4% e o presidente do BC ressaltou que a mudança está sendo feita de forma gradual. “Se fizéssemos algo diferente, elevaríamos as expectativas”, disse ele, destacando que isto é a última coisa que o BC quer.

O presidente do BC destacou ainda que a política econômica no último ano passou por mudanças importantes, que permitiu a queda do risco Brasil do patamar de 500 pontos para menos da metade, considerando o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos, uma espécie de seguro que protege contra calotes. Estas mudanças, disse ele, permitiram reancorar as expectativas de inflação e permitiram a redução da meta na quinta-feira.

lan participou nesta sexta-feira, 30, do prêmio Estadão Finanças Mais e Broadcast Analistas e Projeções, na capital paulista.

Juro real e nominal

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que o juro real, quando se desconta a inflação, está em queda no Brasil e na casa de 4,5%, batendo em mínimas históricas. Em termos de taxas reais e nominais, o dirigente disse que o País está em uma trajetória sem surpresas e que as taxas devem continuar em queda.

Ilan destacou que a taxa básica de juros, a Selic, está em processo de queda por conta das expectativas de inflação ancoradas em torno da meta, da inflação baixa e do alto grau de ociosidade na economia. A Selic recuou 400 pontos-base nos últimos meses e há expectativa de quedas adicionais à frente, afirmou o dirigente no final de seu discurso.

O presidente do BC ressaltou em seu discurso alguns cálculos para mostrar em quanto estaria hoje a taxa de juros real no Brasil. Dependendo da forma como se calcula, o patamar atual de juro real oscila entre 4,2% a 5,0%. É um nível baixo do ponto de vista histórico, observou o presidente da autoridade monetária. “A taxa de juros real na economia brasileira oscilou nas últimas décadas, mas apresenta tendência de queda”, disse ele, destacando que na década de 90 as taxas superaram os 20%, caindo para a casa dos 10% na década seguinte. Mais recentemente baixaram da casa de 9% para o atual patamar de 4,5%.

Agenda BC+

Na abertura do evento em São Paulo, Ilan Goldfajn destacou também a importância Agenda BC+. “Eu já falei demais sobre números aqui, mas o BC tem uma agenda chamada BC+”, disse o banqueiro central ao introduzir o assunto depois de ter feito longa explanação sobre o momento atual da economia nacional e internacional e das novas metas de inflação fixadas para 2019 e 2020.

Ilan explicou que o primeiro pilar da Agenda BC+ é o investimento e apoio da autarquia na ampliação da educação financeira. Para ele, a educação financeira interfere diretamente no mercado de crédito. “A educação financeira é uma agenda que recebe menos atenção da sociedade, mas ela é muito importante”, reiterou o presidente.

O segundo pilar da Agenda BC+, de acordo com Ilan, se propõe a aumentar a eficiência do mercado financeiro. Ele citou algumas medidas que vêm sendo tomadas neste sentido, mas destacou a simplificação do depósito compulsório.

TJLP e TLP

Ilan Goldfajn destacou também dentro da Agenda BC+ a mudança promovida recentemente na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que passou a se chamar Taxa de Longo Prazo (TLP). “A nova TLP servirá de base para os novos empréstimos do BNDES, proporcionando maior potência à política monetária, reforçando a queda da taxa de juros estrutural da economia, incentivando o financiamento privado de longo prazo e o mercado de capitais”, disse o banqueiro central.

Ele disse ainda que a TLP contribui para melhorar a dinâmica das contas públicas, dando maior agilidade na administração dos empréstimos pelo BNDES. Segundo Ilan, a TLP continua sendo atrativa aos investidores e, por ter ficado mais próxima das taxas de juros do mercado, se mostra também mais eficiente.

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