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Hospital que trata de bebê em estado terminal volta a recorrer à Justiça

Londres, 7 jul (EFE).- O hospital infantil Great Ormond Street, situado em Londres, no Reino Unido, que pretendia desligar os aparelhos que mantêm vivo o bebê em estado terminal Charlie Gard, voltou a recorrer à Justiça nesta sexta-feira, depois que especialistas de vários países defenderam a realização de um novo tratamento para a sua doença.

O centro de saúde pediu ao Tribunal Superior de Londres, que autorizou anteriormente o desligamento dos aparelhos, que realize outro julgamento que leve em conta “algumas afirmações sobre a existência de novas experiências relativas a um tratamento potencial para a doença” da qual sofre o bebê.

“Dois hospitais internacionais e seus pesquisadores nos comunicaram nas últimas 24 horas que têm novos testes sobre o tratamento experimental que propõem”, declarou um porta-voz do centro pediátrico britânico.

“Acreditamos, assim como os pais de Charlie, que é correto analisar esses testes”, afirmou o porta-voz, que também enfatizou que a opinião do hospital de Londres “não mudou” e que o mesmo acredita que cabe à Justiça decidir de maneira “objetiva” e “com base nos fatos” o que é melhor para o menino.

Anteriormente, as Justiças britânica e europeia tinham coincidido em que era melhor deixar o bebê de 11 meses morrer com dignidade e desautorizaram sua transferência para outro país para que fosse submetido a um tratamento experimental de consequências imprevisíveis e que, segundo outros especialistas, lhe causaria dor desnecessária.

Charlie Gard, cujo caso motivou ofertas de apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, e do papa Francisco, sofre com uma doença degenerativa incurável resultante de uma anomalia genética, ao ter herdado de seus pais, Connie Yates e Chris Gard, o gene RRM2B defeituoso.

A doença, uma variedade mais grave de encefalopatia mitocondrial, causou danos cerebrais ao bebê e o impede de realizar qualquer atividade.

A decisão do hospital de Great Ormond Street de retornar aos tribunais se deve a duas cartas que recebeu, uma das quais foi difundida pelos pais da criança, na qual cientistas de Reino Unido, Itália, Estados Unidos e Espanha defendem que um tratamento experimental seja testado no bebê.

Na carta remetida pelo hospital infantil do Vaticano Bambino Gesú (Menino Jesus), os especialistas assinalam que poderia existir uma possibilidade de relativa melhora para o bebê com um novo tratamento conhecido em inglês como “deoxynucleoside therapy” para deficiência de RRM2B, mas que sequer foi testado em ratos.

Os signatários da carta divulgada hoje reconhecem que não há tempo para efetuar esses testes em roedores, mas pedem ao Great Ormond Street que reconsidere oferecer o tratamento a Charlie.

Segundo a emissora pública britânica “BBC”, assinam a carta europeia um neurologista do hospital italiano, um cientista da universidade inglesa de Cambridge e dois pesquisadores do Institut de Recerca Vall d’Hebron de Barcelona.

Através de uma campanha na internet, Connie Yates e Chris Gard conseguiram arrecadar 1,3 milhão de libras esterlinas (1,5 milhão de euros) para financiar o tratamento de seu filho em um hospital americano ou de outro país. EFE

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