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Gonorreia: Brasil e outros 76 pases tm bactria resistente a antibiticos – Cincia e Sade

 

  

s vsperas do Congresso Mundial de DST e HIV, que comear no domingo, no Rio de Janeiro, a Organizao Mundial da Sade (OMS) divulgou um relatrio alarmante. A bactria causadora da gonorreia, doena sexualmente transmissvel que afeta 78 milhes de pessoas anualmente, est se tornando cada vez mais resistente a antibiticos. Dados de 77 pases mostram que em todos eles j foram detectadas cepas sobre as quais os remdios no tm mais ao.

 

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No Brasil, de 6% a 30% das variantes bacterianas no respondem ao ciprofloxacino, uma das nicas trs drogas existentes contra a enfermidade. No h dados nacionais sobre a azitromicina, e menos de 0,1% das estirpes resistem cefalosporina de amplo espectro, a nica ainda eficaz contra a gonorreia em muitas regies do mundo. Em 26 pases, esse percentual j ultrapassa os 5%, o que se configura uma situao de risco, segundo a OMS. Independentemente do nvel de desenvolvimento econmico, todas as naes investigadas so afetadas de algum modo.

“Quando no tratada, a gonorreia tem muitas complicaes, como doena inflamatria plvica, gestao ectpica e infertilidade”, observou, em uma teleconferncia de imprensa, Teodora Wi, do escritrio de reproduo humana da OMS. Ela um dos autores do estudo sobre a resistncia da bactria Neisseria gonorrhoeae, que causa a doena, publicado na revista Plos. “Essa uma bactria particularmente esperta. Cada vez que usamos uma nova classe de antibiticos para tratar a infeco, ela evolui de forma a se tornar resistente”, alertou.

De acordo com o artigo, entre 2009 e 2014, houve um aumento geral na resistncia penicilina, tetraciclina e ciprofloxacino; aumento de resistncia azitromicina e emergncia de reduo suscetibilidade s cefalosporinas de amplo espectro. “Dos pases que monitoram a suscetibilidade ao ciprofloxacino, azitromicina e s cefalosporinas de amplo espectro, 97%, 81%, e 66%, respectivamente, descreveram cepas resistentes por ao menos um ano nesse perodo”, informou.

“Ns precisamos urgentemente de novos tratamentos com medicamentos existentes e em estudo. Em curto prazo, pretendemos acelerar o desenvolvimento e a introduo de ao menos uma dessas drogas em teste e avaliar a possibilidade da combinao de medicamentos para o uso na sade pblica”, disse, na teleconferncia, Manica Balasegaram, diretor da Parceria Global para Pesquisa e Desenvolvimento de Antibiticos, da iniciativa Drogas para Doenas Negligenciadas (DNDi). “Qualquer novo tratamento desenvolvido deve ser acessvel a todos que precisam, enquanto se assegura o seu uso apropriadamente, de forma a reduzir ao mximo possvel a resistncia a essa droga”, completou.

Segundo Balasegaram, atualmente h somente trs novas substncias em algum estgio de desenvolvimento clnico. Duas dessas drogas tambm combatem outros tipos de bactrias e tm mostrado bons resultados nos testes. O especialista lembrou que a pesquisa de novos antibiticos, embora urgente, pouco atrativa para farmacuticas comerciais. “Os tratamentos so usados por um perodo curto, diferentemente de doenas crnicas, e se tornam menos efetivos medida que a resistncia se desenvolve, o que significa que h necessidade constante de repor esses remdios.”

Preveno

A gonorreia pode ser prevenida pelo comportamento sexual seguro, particularmente o uso de preservativos. De acordo com o artigo da OMS, “hoje, a falta de ateno pblica, de treinamento de profissionais de sade e o estigma em torno de doenas sexualmente transmissveis so barreiras para o uso amplo e mais efetivo dessas intervenes”. No existem, atualmente, ferramentas de diagnstico rpido da doena e, para complicar, muitas pessoas infectadas so assintomticas, permanecendo sem tratamento. Por outro lado, a banalizao dos antibiticos — em muitos pases, eles so vendidos sem receita — faz com que algumas pessoas com sintomas se automediquem, aumentando o risco de a bactria desenvolver resistncia.

“Para controlar a gonorreia, precisamos de novas ferramentas e sistemas para melhor preveno, tratamento e diagnstico precoce, alm de um rastreamento mais completo de novas infeces, do uso de antibitico, da resistncia e das falhas de tratamento”, escreveu, em nota, Marc Sprenger, diretor de Resistncia Antimicrobiana da OMS. “Especificamente, precisamos de novos antibiticos, assim como testes mais rpidos, acurados e acessveis — preferencialmente os que indiquem qual antibitico vai funcionar naquela infeco particular — e, em longo prazo, uma vacina para prevenir a gonorreia.”

“Precisamos de novos antibiticos, assim como testes mais rpidos, acurados e acessveis — preferencialmenteos que indiquem qual antibitico vai funcionar naquela infeco particular — e, em longo prazo, uma vacina” Marc Sprenger, diretor de Resistncia Antimicrobiana da Organizao Mundial da Sade (OMS)

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