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Flip 2017: 5 temas imperdíveis da Festa Literária Internacional de Paraty | Flip 2017

Evento que abre nesta quarta e vai até domingo tem recorde de convidados negros. Vídeo mostra assuntos que devem ser destaques.

5 temas imperdíveis da Flip 2017

5 temas imperdíveis da Flip 2017

Um recorde de escritoras e escritores negros (30%) dos convidados; uma homenagem ao “injustiçado” Lima Barreto; um espaço considerável a autores independentes (ou “dos subúrbios”, como diz a curadoria); dois nomes estrangeiros premiados (um deles, com obra candidata a polêmica); e a “volta da literatura” ao centro dos debates.

Devem ser esses os destaques da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa nesta quarta-feira (26) e vai até domingo (30).

O G1 selecionou os cinco temas que certamente vão dominar as discussões ao longo de todo o evento. Veja no vídeo acima.

Veja, abaixo, os 5 temas imperdíveis da Flip 2017:

1. Recorde de escritoras e escritores negros

A escritora Conceição Evaristo, convidada da Flip 2017 (Foto: Divulgação/Flip)A escritora Conceição Evaristo, convidada da Flip 2017 (Foto: Divulgação/Flip)

A escritora Conceição Evaristo, convidada da Flip 2017 (Foto: Divulgação/Flip)

A Flip 2017 é considerada a mais negra de todas as edições do evento: 30% dos convidados da programação principal são escritores negros ou escritoras negras. O dado vai contra o histórico recente do evento: no ano passado, por exemplo, não havia um único negro sequer na programação principal – tanto é que a Flip chegou a ser chamada de “arraiá da branquidade”. Na época, a curadoria reconheceu o que chamou de “lacuna”.

Já a curadora da atual edição cita ainda que esta é a “Flip da diversidade”. Isso porque, pela primeira vez, a programação principal tem mais mulheres do que homens: dos 46 convidados, são 24 mulheres e 22 homens.

“Dessa paridade de gêneros aí eu tive de tomar conta, porque você acaba recebendo mais sugestões de autores homens, no sentido de que os editores publicam mais homens, os homens historicamente escreveram mais, publicaram mais, foram mais premiados e ainda por cima viajam com mais prontidão”, afirmou Joselia Aguiar ao G1.

2. Lima Barreto, o homenageado

Lima Barreto será homenageado na Flip 2017 (Foto: Divulgação/Flip)Lima Barreto será homenageado na Flip 2017 (Foto: Divulgação/Flip)

Lima Barreto será homenageado na Flip 2017 (Foto: Divulgação/Flip)

O autor de “Triste fim de Policarpo Quaresma” é o homenageado da Flip 2017 – e já fazia tempo que Lima Barreto (1881-1922) vinha sendo pedido. Ele vai ser tema de diversos debates ao longo desta edição.

Na sessão de abertura, que acontece na noite desta quarta-feira (26), a historiadora e escritora Lilia Schwartz faz uma conferência sobre o autor. Ela é autora da biografia recém-lançada “Lima Barreto: Triste visionário” (Companhia das Letras). Junto com Lilia, vai estar o ator Lázaro Ramos, que vai ler trechos da obra. A cenografia é do diretor de teatro e dramaturgo Felipe Hirsch.

De acordo com a organização da Flip, “a edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor”.

3. A Flip das margens – ou dos subúrbios

O escritor islandês Sjón, um dos convidados da Flip 2017; ele já escreveu letras para um disco da cantora Björk (Foto: Divulgação/Flip)O escritor islandês Sjón, um dos convidados da Flip 2017; ele já escreveu letras para um disco da cantora Björk (Foto: Divulgação/Flip)

O escritor islandês Sjón, um dos convidados da Flip 2017; ele já escreveu letras para um disco da cantora Björk (Foto: Divulgação/Flip)

Dos 46 convidados da Flip 2017, apenas quatro escrevem em inglês. Isso diz algo (ou muito) sobre uma das marcas da edição: a forte presença de escritores que não são astros internacionais e já conhecidos no Brasil. Considerando o histórico do evento, é um diferencial.

“Tenho um certo cuidado de falar de [escritores que vêm da] margem”, diz a curadora. “Brinco dizendo que a gente foi na direção do subúrbio, como o Lima Barreto. Então, prefiro subúrbio, porque margem porque dá ideia de literatura marginal ou marginalizada.”

Joselia Aguiar destaca também o maior número de editoras pequenas no cardápio. “Estamos com um total de 56 editoras, e no ano passado eram 24. Mas a gente está fazendo uma conta diferente, que considera todos os livros do catálogo dos autores convidados, e não os lançados no mês da Flip”, afirma, citando por fim que há “mais editoras pequenas com autores internacionais”.

4. Os premiados: Marlon James e Paul Beatty

O escritor jamaicano Marlon James, primeiro anunciado para a Flip 2017 (Foto: Jeffrey Skemp/Divulgação)O escritor jamaicano Marlon James, primeiro anunciado para a Flip 2017 (Foto: Jeffrey Skemp/Divulgação)

O escritor jamaicano Marlon James, primeiro anunciado para a Flip 2017 (Foto: Jeffrey Skemp/Divulgação)

Dos escritores mais conhecidos e premiados da Flip 2017, destacam-se dois: o jamaicano Marlon James, ganhador do Man Booker Prize 2015, e o americano Paul Beatty, que levou o mesmo troféu no ano seguinte. Na festa, os dois participam de um mesmo debate (a mesa se chama “O grande romance americano” e está marcada para o sábado).

James é autor de “Breve história de sete assassinados” (Intríseca), inspirado num caso real – um complô para assassinar Bob Marley antes de um show pela paz em 1976 em Kingston, na capital da Jamaica. O livro tem 686 páginas e mais 75 personagens, que se alternam no papel de narrador. O texto tem gírias jamaicanas e do Harlem, em Nova York. Tráfico de drogas e viciados em cocaína estão no texto.

Já o Paul Beatty escreveu “O vendido” (Todavia). O protagonista é um homem negro que promove segragação de brancos em uma cidade californiada. Ele também tem um idoso como uma espécie de escravo.

5. A ‘volta’ da literatura

O rapper e escritor luso-angolano Luaty Beirão (Foto: Divulgação/Flip)O rapper e escritor luso-angolano Luaty Beirão (Foto: Divulgação/Flip)

O rapper e escritor luso-angolano Luaty Beirão (Foto: Divulgação/Flip)

Ao longo dos anos, a Flip sempre abriu espaço a convidados de outras áreas, como cineastas e músicos. E também a arquitetos, cientista, matemático, fotógrafa, um líder indígena, humoristas. Desta vez, a curadoria quis fazer diferente.

“É uma Flip que traz de volta a literatura para o centro”, explicou Josélia Aguiar ao G1. “Porque a gente tem mais mesas dedicadas mesmo à literatura, e não a outros assuntos. Existem muitas discussões, mas todas tendo como principal eixo a literatura. Os autores ou são de outras áreas artísticas ou têm algum outro talento artístico além da literatura.”

Ela cita como exemplo o luso-angolano Luaty Beirão, “que é rapper, escreve letras, e também escreveu um diário da prisão como ativista político.”

Veja, abaixo, a programação da Flip 2017:

  • 19h15: Mesa 1 – Sessão de abertura – “Lima Barreto: Triste visionário”. Com Lázaro Ramos e Lilia Schwarcz.
  • 21h30: Show de abertura – André Mehmari apresenta a “Suíte Policarpo”, inspirada na obra de Lima Barreto
  • 12h: Mesa 2 – “Arqueologia de um autor”. Com Beatriz Resende, Edimilson de Almeida Pereira e Felipe Botelho Corrêa.
  • 15h: Mesa 3 – “Pontos de fuga”. Com Carol Rodrigues, Djaimilia Pereira de Almeida e Natalia Borges Polesso.
  • 17h15: Mesa 4 – “Fuks & Fux”. Com Julián Fuks e Jacques Fux.
  • 19h15: Mesa 5 – “Odi et amo”. Com Frederico Lourenço e Guilherme Gontijo.
  • 21h30: Mesa 6 – “Em nome da mãe”. Com Noemi Jaffe e Scholastique Mukasonga.
  • 12h: Mesa 7 – “Moderno antes dos modernistas”. Com Antonio Arnoni Prado e Luciana Hidalgo.
  • 15h: Mesa 8 – “Subúrbio”. Com Beatriz Resende e Luiz Antonio Simas.
  • 17h15: Mesa 9 – “Na contracorrente”. Com Pilar del Río e Niéde Guidon.
  • 19h15: Mesa 10 – “A contrapelo”. Com Carlos Nader e Diamela Eltit.
  • 21h30: Mesa 11 – “Por que escrevo”. Com Deborah Levy e William Finnegan.
  • Sábado (29)
  • 12h: Mesa 12 – “Foras de série”. Com Ana Miranda e João José Reis.
  • 15h: Mesa 13 – “Kanguei no maiki – Peguei no microfone”. Com Luaty Beirão e Maria Valéria Rezende.
  • 17h15: Mesa 14 – “Mar de histórias”. Com Alberto Mussa e Sjón.
  • 19h15: Mesa 15 – “Trótski e os trópicos”. Com Leila Guerriero e Patrick Deville.
  • 21h30: Mesa 16 – “O grande romance americano”. Com Marlon James e Paul Beatty.
  • 12h: Mesa 17 – “Amadas”. Com Ana Maria Gonçalves e Conceição Evaristo.
  • 15h: Mesa 18 – “Livro de cabeceira”. Autores convidados leem trechos de suas obras favoritas. Com Alberto Mussa, Ana Miranda, Djaimilia Pereira de Almeida, Patrick Deville, Paul Beatty, Scholastique Mukasonga e William Finnegan.

Quando: de 26 a 30 de julho

Ingressos: R$ 55 para cada mesa (com meia-entrada);

Onde comprar: durante a Flip, entre 26 e 30 de julho, a venda aocntece só em Paraty, na bilheteria oficial localizada em local próximo à Praça da Matriz, no Centro Histórico; nos dias 26 a 29 de julho, das 10h às21h30, e em 30 de julho, das 10h às 15h30.

Vendas exclusivas para moradores de Paraty: 28 e 29 de junho, das 10h às 18h, na Agência Paraty Tours: Avenida Roberto Silveira, 479. Pagamento somente em dinheiro e mediante apresentação de comprovante de residência e documento de identidade. Sem taxas de conveniência.

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