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Faturamento de operador de Cabral caiu 99,7% com fim do governo, diz MPF | Rio de Janeiro

Ex-governador do Rio foi denunciado pela décima vez, por novos atos de lavagem de dinheiro. Amigos e familiares usaram empresas para repassar dinheiro, segundo procuradores.

Gráfico mostra queda do faturamento da empresa de Carlos Miranda, operador ligado a Sérgio Cabral (Foto: Reprodução)Gráfico mostra queda do faturamento da empresa de Carlos Miranda, operador ligado a Sérgio Cabral (Foto: Reprodução)

Gráfico mostra queda do faturamento da empresa de Carlos Miranda, operador ligado a Sérgio Cabral (Foto: Reprodução)

A décima denúncia contra Sérgio Cabral, aceita na sexta-feira (2), acusa o ex-governador do Rio de lavagem de dinheiro, através de empresas de parentes e de amigos. Uma delas, a de Carlos Miranda — que seria o operador do esquema criminoso, segundo o MPF — teve o faturamento reduzido em 99,7% ao fim do governo.

De R$ 2,5 milhões em 2010, com três anos da gestão Cabral, caiu para R$ 7 mil em 2015, primeiro ano completo sem o ex-governador, que deu lugar a Luiz Fernando Pezão em abril de 2014.

A empresa de Miranda, Gralc/LRG Agropecuária, é de fachada, segundo as investigações. Logo no primeiro ano do governo, o faturamento era de R$ 770 mil e passou dos R$ 2 milhões em 2012.

“O sucesso da Gralc/LRG Agropecuária chama a atenção. A empresa passou a receber, imediatamente após seu registro na Junta Comercial, pagamentos por consultoria na razão de milhares de reais por mês, findando o seu faturamento justamente a partir do momento em que Sérgio Cabral renuncia ao cargo”, observam os procuradores.

Defesa critica ‘fracionamento dos fatos’

Em nota, os advogados de Miranda afirmaram que as informações são continuidade de outros fatos já noticiados e serão esclarecidos no curso da ação penal.

“A defesa repudia o fracionamento dos fatos em diversas ações, quando na realidade se tratam dos mesmos fatos que se alongam no tempo.”

Faturamento sem funcionários

Dados da Receita Federal mostram que a empresa teve, no máximo, um funcionário entre 2011 e 2014. Durante três anos — mesmo auferindo lucros altos — não tinha nenhum.

“Chega a merecer um estudo de caso nas instituições de ensino de economia e administração. Uma empresa com investimento perto do zero foi imediatamente alavancada ao píncaro das empresas de consultoria com um faturamento, já em 2007 – primeiro ano de Cabral – de R$ 770 mil”, diz a denúncia.

Para o MPF não restam dúvidas: as operações financeiras “são, na realidade, lavagem de ativos da organização criminosa”, como consta na denúncia.

Assim como Miranda, o MPF acusa Susana Neves, ex-mulher de Cabral; e Maurício Cabral, irmão do ex-governador, de atuações semelhantes a de Miranda, através de empresas de fachada. São denunciados ainda Flávio Werneck, da FW Engenharia, e Alberto Conde (veja abaixo).

Gráfico mostra envolvidos em esquema de corrupção denunciado pelo Ministério Público Federal (Foto: Reprodução)Gráfico mostra envolvidos em esquema de corrupção denunciado pelo Ministério Público Federal (Foto: Reprodução)

Gráfico mostra envolvidos em esquema de corrupção denunciado pelo Ministério Público Federal (Foto: Reprodução)

A denúncia desta sexta cita o pagamento de R$ 1,7 milhão em propina. O dinheiro teria sido lavado por meio de empresas de fachada. O MPF pede condenação de Cabral e mais dois por 36 atos de lavagem de dinheiro.

No início do mês passado, dois endereços ligados a Susana Neves foram alvo de busca e apreensão. Os outros citados ainda não foram localizados.

O dinheiro seria lavado usando a empresa Survey Mar e Serviços, ligada a Flávio Werneck. É de Werneck a empreiteira FW Engenharia, que prestou serviços como obras do PAC em Manguinhos. A empresa aumentou 37 vezes a participação em obras nos anos de Cabral e, para isso, teria passado a pagar propinas ao então governador.

Conde era contador da FW Engenharia e a Survey foi registrada no nome de sua filha e de um ex-funcionário. Flávio, por sua vez, orientava os pagamentos da FW Engenharia à Survey. Esta repassava para as empresas de Susana Neves, Maurício Cabral e Carlos Miranda. O total chegou a R$ 1,7 milhão. No final das contas, o dinheiro da FW Engenharia chegava a Cabral.

A partir de fatos apurados nas Operações Calicute e Eficiência, identificou-se que Suzana Neves teria comprado, em nome de sua empresa Araras Empreendimentos Consultoria e Serviços Ltda, um imóvel em São João del Rei por R$ 600 mil sem que, aparentemente, tivesse recursos de origem lícita compatível.

Entre outubro de 2011 e dezembro de 2013, foram identificadas 31 transferências bancárias de recursos oriundos do grupo de empresas da empreiteira FW Engenharia, por intermédio da empresa Survey Mar e Serviços Ltda, que realizou pagamentos à Araras Empreendimentos a título de serviços de consultoria em valor quase duas vezes maior que a sua renda bruta declarada.

Em diligências de busca e apreensão autorizadas durante a Operação Calicute, foram apreendidas diversas anotações que indicam o pagamento de propina pela empreiteira FW Engenharia em benefício da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral.

Em nota, a defesa de Susana Neves Cabral afirmou que “ela jamais escondeu obras de arte ou qualquer outro objeto em sua propriedade”. A defesa destacou ainda que o imóvel localizado em Araras não é dela, pertence à sua mãe e ao seu falecido pai, desde a década de 70. Susana está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários à investigação.”

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