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Ex-médico Farah Jorge Farah é encontrado morto em casa – Tribuna Hoje – O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje

O ex-médico Farah Jorge Farah, de 68 anos, foi encontrado morto em sua casa, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, nesta sexta-feira (22), informou a polícia. Condenado a 14 anos e oito meses de cadeia por matar e esquartejar uma paciente em 2003, ele deveria ser levado de volta à prisão após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar, na quinta, a imediata execução provisória de sua pena.

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, um chaveiro foi chamado para abrir a porta da casa do ex-médico quando a ordem de prisão chegou. Ao entrarem, os policiais encontraram Farah deitado na cama, com um corte profundo na perna. Uma equipe médica tentou socorrê-lo, mas ele já havia morrido.

O delegado acredita que Farah usou um bisturi para se matar. Segundo o policial, ele criou um “ritual” para morrer. “Ele colocou uma música sinistra, uma música de terror, coisa estranha, fúnebre. Ele se vestiu com roupas de mulheres, colocou seio, colocou essas coisas, e atentou contra a própria vida. “

Segundo Nico, Farah injetou silicone no peito e nas nádegas. “O legista disse que ele se injetou silicone. Isso foi recentemente, mas não sei quando”, disse o delegado. O corpo do ex-médico foi levado ao Instituto Médico-Legal central.

Na madrugada desta sexta, Farah foi visto entrando em sua casa com uma sacola com pães em uma das mãos e uma bengala na outra.

Farah foi condenado em 2014 a uma pena de reclusão em regime fechado pelo assassinato e esquartejamento de Maria do Carmo Alves, que era sua paciente e amante. Apesar disso, uma decisão de 2007 do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que ele recorresse em liberdade.

Em agosto, o relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, já havia atendido a um pedido do Ministério Público (MP) de São Paulo e votado pela imediata prisão do ex-médico.

No entanto, houve um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior, que levou a conclusão do julgamento para esta quinta-feira. Sebastião decidiu acompanhar o voto de Nefi Cordeiro. O STJ também negou recurso da defesa de Jorge Farah que pedia anulação do último júri.

O crime

Farah cometeu o crime em 23 de janeiro de 2003 na clínica dele, em Santana, na Zona Norte da capital paulista. A vítima tinha 46 anos quando foi atraída para o local e morta pelo então médico, que queria pôr fim à relação conturbada que tinha com a vítima.

De acordo com a denúncia da Promotoria, Farah matou Maria após ela ir a seu consultório com a falsa promessa de que a submeteria a uma lipoaspiração. Em seguida, ele dispensou sua secretária e sedou a vítima.

Segundo o MP, após constatar a morte dela, Farah passou a esquartejar o corpo para dificultar a identificação. Ele colocou as partes do corpo em sacos plástico e escondeu no porta-malas de seu carro. Os órgãos e o pescoço da vítima nunca foram encontrados pela Polícia Civil.

Dois dias depois, ele se internou numa clínica psiquiátrica e confessou o crime à família e à polícia. Posteriormente, indicou o local onde havia deixado o corpo de Maria.

A defesa de Farah alegava que seu cliente havia matado a paciente e amante para se defender dela. Maria teria tentado atacar o então médico, que teria se defendido com uma faca. Segundo os advogados, Maria perseguiu o então médico por mais de quatro anos, o que teria levado o réu a um “estado alterado”, a ponto de matar para se proteger.

Em razão do crime, Farah foi proibido de trabalhar como médico anos antes dos dois julgamentos. Em 2006, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) determinou que ele não poderia mais fazer cirurgias.

Em 2010, o G1 entrevistou o ex-médico no campus Leste da Universidade de São Paulo (USP), onde ele estudou gerontologia. “Eu tenho minhas amizades. Agora, na maior parte do tempo, eu fico solitário. Eu gosto de conversar com as pessoas, mas estou aqui para estudar”, disse.

Além de gerentologia, ele cursou direito da Universidade Paulista (Unip). Ele afirmou que foi alvo de hostilidades de seus colegas. “Tem gente que nunca conversa comigo, não vai com a minha cara e não admite que eu faça faculdade”, disse na ocasião. “Infelizmente, as pessoas sobem em um pedestal.”

Julgamentos

Farah passou por dois julgamentos pelo assassinato de Maria. O primeiro ocorreu em 2008, quando ele foi condenado à pena de 12 anos de reclusão. Mas esse júri foi anulado em novembro de 2013.

A Justiça atendeu recurso da defesa e marcou novo júri, que ocorreu em 15 de maio de 2014. Naquela ocasião, o ex-médico havia sido condenado a 16 anos de prisão em regime inicial fechado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

No ano passado, a Justiça diminuiu a pena para 14 anos e oito meses por ele ter confessado o crime.

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