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Estoque reduzido faz Balneário “regular” vacinações de bebês

A BCG previne tuberculose em recém-nascidos. Já a polivalente é pra evitar difteria, tétano e meningite

Aplicações foram concentradas no posto central e apenas com agendamento prévio

Cidades da região já estão controlando a aplicação das vacinas BCG e pentavalente nos bebês. Isso porque o ministério da Saúde não fez a distribuição dessas vacinas em janeiro, devido à indisponibilidade de estoque, afetando todo o país. Balneário Camboriú foi a primeira cidade a sentir o drama.
Sem receber os medicamentos do governo federal, a divisão estadual de Vigilância Epidemiológica (Dive) também não pode repassar as doses pros municípios, que tão atendendocrianças com o que resta.
Em Balneário Camboriú, pra minimizar a crise dos estoques no fim, as doses restantes de BCG tão sendo aplicadas somente na unidade de Saúde Central, na rua 1500, 1100. O fornecimento é feito mediante agendamento prévio e só nas tardes de terças, quartas e sextas-feiras.
O esquema vai ser mantido até que a situação se normalize. Já a vacina pentavalente, também com repasse em atraso, tá disponível em todos os postinhos até acabar os estoques.
De acordo com Adriana Diogo, diretora do departamento de Vigilância Epidemiológica de Balneário (Deve), o agendamento pra aplicação da BCG é necessário pra ter um controle melhor das doses aplicadas. “A vacina da BCG vem em frasco com 10 doses e tem um prazo de validade após aberto. Dessa forma, se houver um agendamento, não corremos risco de desperdiçar essas doses e assim vacinaremos o máximo de crianças possível”, explica.
A centralização do atendimento na unidade Central foi decidida após reunião com representantes da Deve, da diretoria de Atenção Básica e do hospital Ruth Cardoso. Foi acordado que todos os frascos disponíveis da vacina ficariam concentrados na unidade.
Em janeiro, foram quase 500 vacinas da BCG aplicadas em recém-nascidos na cidade. Não foi informado quanto ainda resta no estoque.
Para agendar o atendimento, os pais devem entrar em contato com o posto de saúde Central assim que saírem da maternidade. O endereço da unidade será anotado na carteirinha de vacinação das crianças nascidas na maternidade do Ruth Cardoso.
A BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é dada em dose única em recém-nascidos pra prevenir a tuberculose. Já a pentavalente, também aplicada a bebês, é dada em três doses a partir do segundo mês de nascimento. A imunização age contra a difteria, tétano, pertussis e hepatite B, além de proteger contra a haemophilus B, bactéria que provoca meningite e pneumonia, entre outras doenças.

Itajaí tá de boa
Até ontem, a secretaria de Saúde de Itajaí não tinha registrado falta das vacinas nos postinhos. O último repasse pro município foi no início do mês e o atendimento tá normalizado.

Estado sem novas doses
A diretoria epidemiológica do Estado informa que não tem mais nenhuma dose de BCG e pentavalente na central estadual pra repassar pras cidades neste mês.
Segundo o comunicado da Dive, o secretário de Saúde, Acélio Casagrande, mandou ofício pro ministério da Saúde pedindo a normalização da entrega. A responsabilidade de abastecimento é do governo federal, uma vez que as vacinas fazem parte do calendário nacional de imunização.
A Dive adiantou que, assim que a situação for regularizada, será feito o envio imediato das doses para as gerências regionais de Saúde abastecerem os municípios e normalizarem os estoques na rede básica.
No Estado são, em média, 6500 doses de BCG e outras 20 mil de pentavalente aplicadas por mês, em crianças de até seis meses de idade.

Fabricação tá interrompida
O desabastecimento no país foi porque o laboratório fornecedor, a fundação Ataulpho de Paiva (FAP), do Rio de Janeiro, tá com a produção de BCG suspensa desde 2017 para se adequar às normas de fabricação da agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A FAP disse, em nota, que trabalha pra cumprir as determinações e retomar a produção o quanto antes.
Pra atender a demanda, o ministério da Saúde comprou nove milhões de doses de um laboratório internacional, mas só parte disso – cerca de três milhões – já chegaram. O primeiro lote foi liberado pra distribuição no final de janeiro. Já o envio da vacina pentavalente aguarda liberação da Anvisa. São cinco milhões de doses previstas.
Conforme nota do ministério da Saúde, a previsão é normalizar a distribuição pros estados ainda este mês, com o envio de 1,8 milhão de doses de BCG. Pra Santa Catarina seriam cerca de 50 mil doses.

Camboriú também enfrenta o problema

O agendamento pra aplicação da BCG também tá sendo feito em Camboriú. As doses estão centralizadas nas unidades de Saúde Central e no Caic desde quinta-feira passada. O esquema foi adotado desde o comunicado do ministério da Saúde dando conta do desabastecimento.
O objetivo é o mesmo: evitar o desperdício após a abertura dos frascos. “Com o agendamento, garantimos o aproveitamento de 100% e impedimos que algumas crianças fiquem sem a vacinação”, explica a diretora de Vigilância em Saúde, Josiane Farias.
A vacina BCG será aplicada duas vezes por semana, nas terças-feiras nos postinhos do centro e nas quinta-feiras no Caic do bairro Monte Alegre, mediante agendamento dos pais.
No município ainda restam cerca de 100 doses de BCG. Sobre a vacina pentavalente, a secretaria de Saúde informou que ainda há uma boa quantidade – cerca de 220 doses – e a aplicação tá sendo normal. “Só teremos mudança caso este desabastecimento se mantenha por um longo período”, completa Josiane.

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