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Em meio à recuperação, Itapemirim e Passaredo têm futuro incerto

SÃO PAULO  –  O anúncio da compra da companhia aérea regional Passaredo pela empresa rodoviária Itapemirim, feito ontem, aumentou as incertezas sobre o futuro dessa duas companhias, ambas em recuperação judicial.

Segundo o comunicado divulgado ontem (3) à noite, o Grupo Itapemirim, que atua em 22 Estados com uma frota de 1,2 mil ônibus e transportou 9,8 milhões de passageiros em 2016, adquiriu a totalidade da Passaredo Linhas Aéreas, que atende 20 aeroportos, com sete aeronaves turboélices ATR e embarcou 800 mil pessoas no período.

O plano de negócio anunciado é integrar as malhas aérea e terrestre de passageiros e de carga das duas companhias, com ampliação da frota para 27 aviões até o fim de 2018.

O primeiro ponto de interrogação que surge está relacionado ao capital que será usado, uma vez que ambas as empresas estão em recuperação judicial.

A Passaredo, com sede em Ribeirão Preto (SP), pediu recuperação judicial em 19 de outubro de 2012, cujo plano — que envolvia dívidas superiores a R$ 150 milhões — só foi aprovado pelos credores em maio de 2013 e ainda não foi concluído.

A Passaredo não divulga balanços desde 2014. Naquele ano, a aérea registrava ativos de R$ 284,1 milhões para um patrimônio líquido negativo de R$ 110,29 milhões. A receita líquida da empresa há três anos era de R$ 232,3 milhões, com lucro bruto de R$ 26,5 milhões, mas prejuízo líquido na última linha de balanço de R$ 6,14 milhões.

Em junho de 2016, a Passaredo anunciou a demissão de 300 funcionários, para 700 pessoas, e reduziu a frota, de 14 para sete aeronaves. Os destinos atendidos diminuíram de 26 para 20. A meta da empresa, em dezembro do ano passado, era sair do processo de recuperação judicial até junho de 2017 — o que não aconteceu ainda.

O caso da Itapemirim, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), tem fatores que tornam o negócio da empresa ainda mais incerto que o da Passaredo. A transportadora rodoviária de passageiros e de cargas está em processo de recuperação judicial desde março do ano passado, em um processo que envolve dívidas trabalhistas e com fornecedores de aproximadamente R$ 330 milhões e mais passivos tributários da ordem de R$ 1 bilhão.

Ao longo de 2016, a Itapemirim — que chegou nos anos 1990 a ser dona de montadora de ônibus, a Tecnobus, e fazer transporte de carga aérea, passou a se desfazer de ativos. Em junho, repassou à concorrente Caiçara uma malha de 68 linhas, das 118 que então ainda operava, recebendo em troca R$ 100 milhões.

Em novembro de 2016, o controle da Itapemirim foi então vendido à SSG Incorporação e Assessoria e CSV Incorporação e Assessoria Empresarial, dos empresários Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, em um acordo que incluiu as vendas das empresas Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

Os fundadores da Itapemirim, a família Cola — cujo patriarca, Camilo Cola, fundou a empresa em 1953 — não receberam nenhum real dos novos controladores, que assumiram todas as dívidas do grupo.

Mas os Cola mudaram de ideia e decidiram em 2017 entrar na Justiça contra o negócio, alegando que os novos controladores não honraram o acordo, deixando de pagar compromissos e usando a Itapemirim para transferir recursos a outras empresas do grupo.

No meio dessa disputa judicial, o repasse das linhas da Itapemirim à Caiçara foi anulada, e essa malha retornou à companhia.

No comunicado enviado ontem, a atual direção da Passaredo afirma que o fechamento da negociação com a Itapemirim aguarda o cumprimento de condições suspensivas. Durante esse período — estimado em 60 (sessenta) dias —, a gestão da companhia aérea será realizada de forma compartilhada, assumindo Sidnei Piva o comando executivo da empresa.

A Passaredo informou ainda que os acordos de compartilhamento de voos, com Latam Brasil e Gol, permanecem operando normalmente.

As duas companhias — Itapemirim e Passaredo — não retornaram o contato solicitado para informar como pretendem levantar recursos para implementar o plano de negócio das empresas, qual o prazo que pretendem sair dos respectivos planos de recuperação judicial ou se as pendências relacionadas ao controle da transportadora rodoviária estão superadas.

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