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“É preciso ouvir para compreender problemas do Porto”, diz Daniel Américo

Novo capitão dos portos quer melhorar atendimento
ao público do órgão (Foto: Irandy Ribas/AT)

Recém-chegado, o capitão de mar e guerra Daniel Américo Rosa de Menezes já tem noção do desafio que irá enfrentar nos próximos dois anos à frente da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP). Na primeira semana, além de se inteirar sobre inúmeros processos internos e externos, o novo capitão dos portos já atuou no combate a um vazamento de mais de 100 litros de óleo no navio Marcos Dias. E nos próximos dias, está prevista sua primeira participação no grupo de trabalho criado pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil para avaliar a viabilidade da concessão da gestão da dragagem do Porto de Santos à iniciativa privada. Entre suas metas na liderança da CPSP, estão a intensificação da inspeção naval e a melhoria do atendimento ao público pelo órgão. 

Qual era a sua visão sobre a CPSP antes de chegar aqui? 

A visão que eu tinha de fora é que seria um desafio porque o Porto de Santos é muito grande e as atribuições da Capitania são muito extensas, seja no volume de trabalho ou na variedade de tarefas que nós executamos, sem contar a complexidade das tarefas, que são as mais variadas. A visão que eu tinha é de desafio e hoje, já sentado na cadeira do capitão dos portos, isso só está se confirmando. São muitas coisas de uma vez só e muitos assuntos que a gente precisa conhecer, tomar pé. Têm sido dias muito agitados. 

E quais são as características que um capitão dos portos precisa ter para enfrentar esses desafios?

A primeira coisa é saber ouvir para que a gente possa compreender melhor os problemas do Porto, dos nossos usuários, das empresas que dependem dos nossos serviços. Isto é importante para que a gente possa tomar decisões bem fundamentadas e que atendam efetivamente, e com eficácia, as necessidades do Porto. É preciso estar aberto a receber, compreender as demandas para que a gente possa acertar.

Quais são as metas que podem ser implantadas neste primeiro momento?

Uma das coisas que eu acho que a gente precisava fazer é aumentar a nossa presença na inspeção naval. Nós passamos por um período de restrição de recursos e isso diminuiu um pouco a disponibilidade de meios que nós temos. Já temos compromisso com o comando superior e com órgãos técnicos que nos apoiam financeiramente. Eles estão empenhados e preocupados com o Porto de Santos para que a gente tenha uma presença maior, mais efetiva, e que possamos fazer um trabalho mais intenso no Porto de Santos. Isto depende de recursos financeiros e muito trabalho do nosso pessoal interno também. 

Meu antecessor já se preocupou com isso e é uma meta: melhorar o atendimento ao nosso usuário. De uns anos para cá, a Capitania investiu em equipamentos, informatização, melhoria dos processos. Nós tínhamos uma defasagem e já melhoramos bastante. Mas ainda há muito o que se fazer. A minha ideia é prosseguir com isso. Não estamos nem um pouco satisfeitos com o nível de serviço aqui e uma das nossas metas é melhorar esse atendimento, seja no prazo dos diversos serviços que a Capitania presta, seja na facilidade de acesso do nosso usuário à capitania. 

E quais são esses serviços oferecidos? 

Temos duas vertentes: a navegação amadora e profissional. Na primeira, nós fazemos a habilitação dos condutores, a inspeção das embarcações, a inscrição, o registro dessas embarcações. E na navegação profissional, nós fazemos mais porque somos responsáveis pela formação do aquaviário. Todo profissional de marinha mercante é formado com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo e cabem às capitanias formar esse pessoal. Não só formar, como certificar os cursos de ascensão profissional para atividades específicas. É uma gama ampla de serviços, com muitos usuários. 

Existe alguma possibilidade de ser retomada a implantação do Grupamento de Patrulha Naval Sul-Sudeste, que funcionará na sede da CPSP?

Sim, existe. O Núcleo do Grupamento foi instalado ao lado da Capitania em 2014. Só que, de lá para cá, nos últimos anos, tivemos uma crise financeira bastante grande e nós não pudemos avançar com isso. A partir do final do ano passado, esse projeto foi retomado e a gente espera que ainda este ano nós venhamos a receber o primeiro navio patrulha que ficará sediado no grupamento. 

Aí sim, vamos evoluir de um núcleo de implantação para um Grupamento propriamente dito. Por enquanto, temos dois pequenos navios, que nós chamamos de aviso. Eles são maiores do que uma lancha e menores do que um navio. Vamos atuar tanto na zona econômica exclusiva, distante dentro do limite das 200 milhas, nas áreas de plataforma, como também com a Capitania no litoral e nas áreas próximas aos portos, fazendo a inspeção naval. Está tudo caminhando para que isto aconteça no segundo semestre.

Sim, para a criação do grupamento virão novos oficiais, novas praças. Nessa fase inicial, o grupamento tem em torno de 45 pessoas. Isso envolve pessoal administrativo e a tripulação desses dois avisos de patrulha. Mas o navio que vem tem em torno de 30 pessoas. Teremos entre 75 e 80 pessoas a mais aqui com a inauguração do Grupamento. 

Desde a sua chegada na CPSP, foram recebidas batimetrias do Porto de Santos? 

Já recebemos, mas ainda não há revisão de calado prevista. Estamos com uma empresa fazendo a manutenção das profundidades no Porto. Lógico que a cada batimetria que a gente recebe tem aspectos técnicos que precisam ser corrigidos, mas nada que implique, nesse momento, redução de calado. Também não temos dragagem de aprofundamento, por isso não há previsão de aumento do calado. 

Como foi a sua trajetória na Marinha? 

Estou na Marinha há 33 anos. Entrei em 1985 no Colégio Naval e me tornei oficial em 1992, depois de oito anos de formação. A partir daí, minha primeira função como oficial foi no porta-aviões Minas Gerais, que foi desativado e substituído pelo <FI5>São Paulo. Passei dois anos nesse navio e, em seguida, fiz um curso de aperfeiçoamento, uma pós-graduação militar, voltada para a área de eletrônica. Casei e fui para Natal, onde passei seis anos e servi em navios de patrulha, como imediato e comandante, depois voltei para o Rio de Janeiro e servi na Esquadra.

Qual é a sua experiência no comando de uma Autoridade Marítima?

A minha primeira experiência na área da Autoridade Marítima foi quando fui delegado na capitania dos portos em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, na fronteira do Brasil com a Argentina. Passei dois anos e fiz exame na Escola de Guerra Naval para o curso de Estado Maior, que fiz em 2008. Fiquei como instrutor e fui designado para um curso na Escola de Guerra da França, onde passei um ano e meio. Comandei a Fragata Niterói por dois anos e fui para o comando do 8º Distrito Naval, onde fui chefe de operações e chefe de Estado Maior. Parti para Portugal para fazer o curso de Política e Estratégia e voltei designado para a CPSP.

Quer deixar alguma mensagem para pessoas que prestam serviços da CPSP? 

A gente está no verão, período em que as pessoas vão para o mar, principalmente os amadores, então gostaria de recomendar que eles se preparem em terra. É preciso verificar equipamentos, zelar pela manutenção e jamais botar embarcação no mar sem alguém qualificado, com habilitação. Isso para que tenhamos um verão tranquilo, com o mínimo de acidentes e sem consequências negativas.

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