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Dois anos que valem por séculos (por Silvana Conti)

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Silvana Conti (*)

Muitas de nós, mulheres, estavam na linha de frente como atiradoras de elite na Revolução Russa. Aleksandra Kollontai, única mulher do primeiro escalão em 1917, é um exemplo de luta e resistência que temos de lembrar, valorizar e seguir.

A Revolução Russa mostrou que, para emancipar as mulheres, é necessário fazer uma revolução que destrua o sistema capitalista e construa outra sociedade em que mulheres e homens tenham igualdade de oportunidades e de direitos, sem classes sociais, sem machismo, sexismo, LGBTfobia, racismo e qualquer outra forma de violência e opressão.

Relembro este grande momento da nossa história para desvelar os imensos retrocessos que vivemos cotidianamente, no qual ser liderança política é crime e expressar as opiniões é motivo para represálias, violências e queima de arquivo.

Em março de 2018, uma grande líder política do PSol foi assassinada brutalmente no Rio de Janeiro. Mataram Marielle. Uma mulher negra, da favela, mãe, lésbica, uma grande liderança que sofreu a barbárie de ser alvejada por cinco tiros certeiros de maneira premeditada.

O extermínio de Marielle é um recado à sociedade brasileira que vive num Brasil sem leis, sem direitos, onde a democracia nos foi roubada, abrindo caminho para o fascismo, para preconceitos de todo tipo, para a covardia e o desprezo aos direitos mais elementares de uma sociedade civilizada.

Dia 17 de Abril de 2018 demarcaremos nas ruas os 2 anos do golpe, quando nossa democracia nos foi roubada, um dia que jamais esqueceremos, pois foi o divisor de águas da invasão golpista que tomou de assalto o governo federal, imputando a Presidenta Dilma um crime de responsabilidade que ela não cometeu.

O golpe de hoje tem muitas dimensões e acentua o acirramento da luta de classes, concentrando ainda mais a riqueza em prejuízo da classe trabalhadora e roubando nossa soberania e nosso patrimônio público e natural. O cenário de fundo é a crise atual do capitalismo que promove o fascismo, como já aconteceu na história, em formato diferente, com Mussolini, Hitler, Franco e Salazar.

Neste cenário de tantas perdas e ataques, as mais prejudicadas são as mulheres e, principalmente, as negras. A violência do racismo, inclusive institucional, segue matando e massacrando as mulheres negras que  continuam sendo a maioria da população brasileira e carregam, em sua história social, a marca do crime hediondo da escravatura, dos estupros e da violência imposta por uma sociedade racista e machista.

As trabalhadoras negras são as principais atingidas pela proposta de reforma da Previdência,  pela reforma trabalhista e pelas terceirizações. No Brasil, uma mulher negra chega a ganhar 60% menos que um homem branco.

Essa afirmação, chocante é a ilustração perfeita de um sistema que se alimenta da opressão machista e racista para aumentar seus lucros.

(*) Professora aposentada da Rede de Ensino de POA, Vice – Presidenta da CTB/RS e Membro da Direção Nacional da UBM.

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