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Diretores so suspeitos de facilitar entrada de celulares nos presdios Cear, diz MPCE :: FolhaMT

Os servidores afastados de “cargos estratgicos” da Secretaria da Justia, responsvel pelo sistema prisional no Cear, so suspeitos de formar uma organizao para facilitar a entrada de celulares nos presdios e dificultar as fiscalizaes nas unidades prisionais, conforme o Ministrio Pblico do Estado.

Os servidores afastados so agentes penitencirios e diretores de unidades prisionais. Outras duas pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo durante operao realizada nesta segunda-feira (12). As armas foram apreendidas na residncia dos suspeitos, quando promotores e policiais cumpriam mandados de busca e apreenso.

Os responsveis tambm recebiam dinheiro de presos para mudar os internos de celas, conforme a vontade dos presos.

O afastamento de 60 dias. Nesse perodo, o Ministrio Pblico vai apurar os indcios dos crimes; caso sejam confirmadas as suspeitas, o Ministrio Pblico afirma que vai denunciar o grupo.

“Os suspeitos participavam ativamente da tomada de decises relevantes no sistema penitencirio, buscando a nomeao de integrantes do grupo em cargos importantes, bem como o afastamento de pessoas alheias associao criminosa de funes de direo da Sejus”, afirma o Ministrio Pblico.

“Um dos objetivos era manipular a fiscalizao sobre as unidades prisionais quando realizada por parte de autoridades competentes”, continua o rgo.

A maior parte dos crimes de homicdio no Cear tm presos com acesso a celulares como mandantes dos assassinatos, conforme a Secretaria de Segurana Pblica e Defesa Social. Na semana passada, uma operao identificou e cumpriu mandados de priso contra 45 mandantes de crimes que j esto presos.

Durante operaDurante opera

Durante operao, policiais apreenderam armas de fogo com os suspeitos (Foto: MPCE/Divulgao)

O G1 procurou a Secretaria da Justia do Cear e aguarda posicionamento da pasta.

Afastados na operao:

  1. Edmar de Oliveira Santos, agente penitencirio e coordenador da Coordenadoria do Sistema Penal (preso por porte ilegal de arma de fogo);
  2. Celso Murilo Rebouas de Mendona, agente penitencirio e coordenador adjunto da Coordenadoria do Sistema Penal;
  3. Herlano Walquer Falco Macieira, agente penitencirio e diretor da Casa de privao provisria de Liberdade II (preso por porte ilegal de arma de fogo);
  4. Paulo Ednardo Oliveira de Carvalho, agente penitencirio e coordenador de Patrimnio da Secretaria de Justia e Cidadania;
  5. Joo Augusto de Oliveira Neto, agente penitencirio;
  6. Mauro Csar Ximenes Andrade, agente penitencirio e diretor adjunto da Casa de Privao Provisria de Liberdade I;
  7. Francisca Celiane de Almeida Celestino, agente penitenciria e diretora do Centro de Triagem e Observao Criminolgica (CETOC).

iPhone a R$ 1.000

A operao realizada nesta segunda-feira leva o nome de Masmorras Abertas, em referncia ao “fcil acesso” de presos aos celulares, o que lhes permite comunicao com “parceiros do crime e agentes penitencirios”.

Os celulares inclusive eram vendidos entre os presos. Um telefone do modelo iPhone valia at R$ 1.000. Os valores eram depositados na conta do vendedor por familiares do preso que comprava o aparelho, conforme o Ministrio Pblico.

“Muitos agentes penitencirios estavam envolvidos em atos de corrupo, notadamente na entrada de celulares, armas e objetos ilcitos”, afirma o coordenador da operao, promotor Humberto Oliveira.

“Estamos fazendo uma assepsia, fazer com que o sistema funciona, eliminando ou pelo menos que a gente minore as consequncias nefastas das prticas de corrupo, que so praticadas de forma contumaz”, diz o promotor de justia de Itaitinga, onde foi realizada a operao, Lus Bezerra.

Segundo o Ministrio Pblico, foram realizadas interceptaes telefnicas com autorizao da Justia, e anlise de investigaes preliminares instauradas na Controladoria Geral de Disciplina (CGD).

Os servidores afastados tambm so suspeitos de associao criminosa, insero de informaes falsas no sistema de informao da Secretaria da Justia, corrupo passiva, omisso na fiscalizao de entrada de celulares e material proibido nos presdios e violao de sigilo profissional.

A investigao do MPCE foi iniciada em maio de 2016, logo aps a crise no sistema penitencirio. Naquele ano, o Cear registrou uma sequncia de fugas e rebelies nos presdios, aps uma greve dos agentes penitencirios.

Os trabalhos avanaram em dezembro de 2017, com a representao dos suspeitos, aps a formalizao de um Termo de Cooperao Tcnica entre o MPCE e a CGD.

Tortura de presos

Outro crime apontado pelo Ministrio Pblico que a organizao criminosa formada por agentes e diretores das unidades torturavam os presos. Quando os internos denunciavam os casos, nada era feito para apurar e responsabilizar os criminosos.

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