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Corinthians mantém sua insaciável sede de títulos – Prisma


O maior mérito da vitória do Corinthians, na estreia do Campeonato Brasileiro, foi o incrível foco do time. A equipe havia conquistado o bicampeonato paulista na semana passada. Derrotou o Palmeiras nos domínios do rival, diante de mais de 40 mil palmeirenses. Fez festa, noitada para comemorar a conquista. Voltou aos treinos fortes, para valer, na quarta-feira. 


Andrés Sanchez, que havia proibido a volta olímpica com a taça na arena palmeirense, para evitar briga, revolta dos torcedores, avisou. A equipe receberia o troféu após o confronto de hoje, independente do resultado.


O Fluminense havia sido eliminado do Carioca no dia 28 de março. Abel Braga teve 15 dias de trabalho duro. E sonhava começar bem o torneio para provar a si mesmo, e ao Brasil, que não terá como meta apenas não ser rebaixado.


Mas o que se viu hoje no Itaquerão foi o Corinthians muito mais forte não só tecnicamente. Taticamente, fisicamente. Fábio Carille conseguiu que seu time mantivesse a deteminação, a confiança que era capaz de mais uma vitória. Largar já somando três pontos importantes na tabela. Demonstrar que, como em 2017, não se satisfaz apenas com a conquista do bi Paulista. Quer o bi do Brasileiro. 


E Rodriguinho mostrou que é o jogador mais efetivo desse time. Não por acaso marcou os últimos quatro gols corintianos. Os decisivos contra o São Paulo e Palmeiras.E dois hoje, um no final do primeiro tempo e outro quando estava acabando a partida. Já são oito nesta temporada sem artilheiro nato.


2 a 1 para o Corinthians contra o Fluminense.


A sede de conquistas da equipe de Carille não tem fim.


Abel Braga sabia o que encontraria no Itaquerão. Aliás, há muito tempo neste país não é segredo como o Corinthians joga. É a equipe que melhor aproveita a compactação, a recomposição, o ataque e a defesa em bloco. As triangulações pelas laterais no campo. A rotatividade do meio para a frente. A velocidade na linha lateral, para abrir o sistema defensivo adversário.


Com o clube em dificuldades financeiras por causa do estádio, Carille aprendeu que tem de tirar o máximo de um elenco mediano individualmente. E transformá-lo em uma grande equipe por causa do conjunto, da aplicação tática, da força física e da visão de jogo. Há muito fez seus jogadores entenderem e admitirem a inferioridade técnica. A necessidade da aplicação da estratégia para conseguir  vitórias e conquistas surpreendentes.


“Jogar contra o Corinthians é muito chato”, gosta de brincar, Carille.


É verdade, a jovem equipe do Fluminense, outro clube atolado em dívidas, tem muita disposição física, bem montada por Abel Braga. Aplicada do início ao fim dos jogos, com suas duas linhas de marcação. Muitas vezes seu time inteiro está da intermediária para trás. Sem dar espaço para o toque de bola adversária. E com seus jogadores querendo ganhar espaço no cenário nacional.


Vencer o atual campeão brasileiro e bicampeão paulista, em pleno Itaquerão, seria um doping emocional fundamental no Brasileiro. E Abel Braga tratou de tentar surpreender com um esquema 4-4-2-1. De muita marcação à entrada de sua área. O Corinthians teria espaço para tocar a bola longe do gol carioca. Em compensação, o Fluminense abriria mão de atacar.


Carille seguiu no seu 4-2-3-1, com variação para o 4-1-4-1. Muita compactação. Pressão física. Seu time estranhou muito a falta de espaço que o Fluminense impunha. Até porque não tinha, além de um atacante de referência, Jadson não pôde jogar. Rodriguinho ficou sobrecarregado, cercado na intermediária pela marcação carioca.



O primeiro tempo foi ótimo taticamente. Mas insuportável de assistir, tamanha falta de chances. Os torcedores na arquibancada, se vingavam. E provocavam. “Uh, é Série C”, lembrando a visita que o clube fez ao inferno, em 1999.


Na única real de gol, o Corinthians aproveitou. Graças à excelente colocação na área de Rodriguinho. Romero conseguiu um cruzamento rasante. E o meia, que está se acostumando a ser centroavante, marcou de cabeça. 1 a 0, aos 45 minutos. Resultado que premiou quem mais queria vencer. Mas o time de Carille não havia feito um bom primeiro tempo.


Na segunda etapa, Abel Braga, mostrou que segue em ótima forma. E também fazendo milagre com o fraco time que possui. Ele adiantou sua marcação. E permitiu que a equipe se soltasse. Carille não esperava essa ousadia. E o Fluminense logo aos três minutos conseguiu empatar.


O gol nasceu de uma cobrança de lateral. Ayrton jogou com as mãos a bola na cabeça de Gum, o desviou procurou Pedro, que arrumou para o ótimo chute de Richard. Sua explosão muscular foi mais rápida do que Ralf, que estava tentando travar o lance. 1 a 1, em jogada ensaiada por Abel Braga.


Com o empate, as duas equipes se abriram. O jogo passou a ficar muito mais interessante para quem assistia. Os sistemas defensivos já não estavam mais tão compactados. 


Até os 30 minutos, a partida estava equilibrada. Foi quando o Fluminense cansou. Abel Braga percebeu e tratou de colocar sua equipe na defesa, sonhando em segurar o empate.


Mas aí ficou evidente a obsessão corintiana por vitórias. O time de Carille passou a pressionar. Com a santa fúria de um time que ainda tivesse de provar mais alguma coisa. O treinador havia deixado a equipe mais leve e veloz ao trocar Renê Júnior por Maycon e Matheus Vital por Emerson Sheik.


O prêmio a esta sede veio aos 40 minutos. Maycon esticou a bola para Sheik. O jogador de 39 anos correu como um menino e conseguiu cruzar. A bola chegou para Rodriguinho que estava, outra vez, colocado como um centroavante. Enquanto quatro defensores cariocas correram em direção à pequena área, ele deu alguns passos atrás. Se deslocou e com um leve toque de canhota, empurrou a bola para as redes. 2 a 1, Corinthians.


O heptacampeão brasileiro e o bi paulista quer mais.


Deu seu cartão de visita não só ao Fluminense.


Mas aos outros 18 adversários que sonham em tirar seu título.


Vai ser muito difícil…


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