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Conselho Monetário pode estipular para 2019 a menor meta de inflação desde 2005 | Economia

Expectativa do mercado é que, em anúncio do CMN nesta quinta-feira, meta central de inflação, alta para padrões internacionais, seja reduzida de 4,5% para 4,25%.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anuncia nesta quinta-feira (29) a meta de inflação para o ano de 2019, que terá que ser buscada pelo Banco Central.

A expectativa de economistas do mercado financeiro é de que a meta possa ser reduzida para 4,25%. Desde 2005, está em 4,5%.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou na última sexta-feira (23) que a meta de inflação para 2019 pode ser menor. Mesmo que isso aconteça, a meta continuará em patamar alto para padrões internacionais (veja mais abaixo nesta reportagem).

Meirelles, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, formam o CMN e são responsáveis pela definição da meta. A decisão está prevista para ser anunciada após as 18h.

O sistema de metas de inflação brasileiro prevê uma meta central e um intervalo de tolerância, para cima e para baixo. Para 2017 e 2018, por exemplo, a meta central de inflação é de 4,5% e, o intervalo, de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

Deste modo, o Banco Central cumpre formalmente a meta de inflação definida pelo CMN se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficar entre 3% e 6%.

Para perseguir essa meta de inflação, o principal instrumento usado pelo Banco Central é a Selic, a taxa básica de juros da economia.

Quando a inflação está alta e foge da meta, o Banco Central sobe a Selic. O objetivo é tornar o crédito mais caro e inibir o consumo, o que tende a fazer os preços baixarem. Quando a inflação está dentro da meta, o BC reduz os juros.

Nos últimos meses, com a queda da inflação, a Banco Central vem reduzindo a Selic. Na sua mais recente reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, cortou a taxa em 1 ponto percentual, para 10,25%. Foi o sexto corte seguido.

A redução da Selic é comemorada pelo comércio e pelo setor produtivo pois tende a baratear o crédito e estimular a retomada do consumo num momento em que o pais enfrenta crise econômica e alto desemprego.

 (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

Com a inflação bem comportada neste ano, o país passa por uma situação conjuntural favorável para diminiur a meta central de inflação de 2019, segundo análise do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

“A gente tem que tomar cuidado. Tem que cortar a meta de inflação, porque uma meta de 4,5% não é baixa, mas essa discussão teria de ser encaminhada de forma mais ampla. Que não seja tão amarrada, muito draconiana, forte”, disse ele.

Para Perfeito, a meta central de 4,25% para 2019 é factível, porque representaria um corte modesto. Ele apontou, porém, que o Brasil poderia ampliar a discussão para a adoção do chamado “núcleo de inflação”, por exemplo.

De acordo com o Banco Central, o núcleo de inflação elimina, a cada mês, as maiores e menores variações dos preços que compõem o índice cheio. Com isso, permite distinguir, nos preços, “movimentos transitórios e pontuais” de “alterações persistentes e generalizadas, fornecendo uma informação mais precisa sobre a tendência dos preços.”

Ter o núcleo como alvo para as metas é uma forma de evitar, por exemplo, que aumentos de preços de “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como minério de ferro e petróleo) pressionassem a inflação. A medida pode reduzir a necessidade de aumento dos juros.

Meta de inflação do Brasil é alta

Para padrões internacionais, a meta de inflação brasileira é elevada, de acordo com levantamento do site Central Banking News, especializado sobre o assunto.

Os sistemas, porém, não são iguais em todos os lugares. A grande maioria dos países adota um sistema igual ao do Brasil (meta central e intervalo de tolerância para cima e para baixo), mas parte das nações indica apenas a meta na qual a autoridade monetária do país está mirando ao fixar os juros básicos. Outros estabelecem um intervalo de tolerância, sem meta central.

Dos 64 países que adotam o sistema de metas de inflação, 20 possuem metas mais altas do que a brasileira, entre elas Argentina, Belarus, Gana, Geórgia, Cazaquistão, Quênia, Kirguistão, Malawi, Mongólia, Moçambique, Paquistão, Ucrânia, Zambia.

Outros 40 país possuem metas mais baixas, entre eles Estados Unidos, Chile, China, Canadá, República Tcheca, Hungria, Islândia, Israel, Japão, México, Peru, Rússia, Reino Unido, Tailândia, Suíça e Coreia do Sul. Nestes casos, o teto também é menor do que o brasileiro, que é de 6%.

Três nações têm, neste ano, uma meta central igual à do Brasil: Paraguai, Jamaica e Honduras.

Dificuldades em atingir a meta

Números oficiais motram que a inflação ficou bem acima da meta central do governo em 11 dos 18 anos completos de existência do sistema de metas. A inflação ficou abaixo da meta central somente em quatro anos: 2000, 2006, 2007 e 2009.

Entre 1999 e 2016, a inflação média do país foi de 6,83%, enquanto a meta central “média” foi de 4,72%. Ou seja, o IPCA ficou, pela média, 45% acima da meta central desde a início do sistema de metas.

Nos últimos cinco anos, o IPCA tem ficado bem distante do centro da meta de 4,5% e mais próximo ao teto de 6,5%. Entre 2012 e 2016, a inflação variou de 5,84% a 10,67%.

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