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Como o iPhone mudou a internet, nosso comportamento e a cultura pop? | Tecnologia e Games

Para especialistas em tecnologia ouvidos pelo G1, Apple não inventou novidades, mas soube unir tudo em um aparelho.

Aplicativos do Facebook e WhatsApp no iPhone (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)Aplicativos do Facebook e WhatsApp no iPhone (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

Aplicativos do Facebook e WhatsApp no iPhone (Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)

A Apple não inventou as telas sensíveis ao toque, os aplicativos para celulares ou os smartphones conectados. Mas, segundo especialistas em tecnologia ouvidos pelo G1, a empresa uniu tudo isso em um aparelho que deu outra cara para internet, influenciou modelos de negócio e mudou o jeito das pessoas se relacionarem com a tecnologia. O dispositivo em questão é o iPhone, que completa 10 anos nesta quinta-feira (29).

“É talvez uma invenção das mais brilhantes que a humanidade foi capaz”, afirma Ronaldo Lemos, que dirige o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).

“Jobs e o time de design da Apple conseguiu reunir tecnologias que já existiam em um aparelho que mudou completamente a forma como a gente se comunica, trabalha e se relaciona”.

Até o celular começar a ser vendido, a Apple havia sido a empresa que havia alterado o andamento de outras duas indústrias: a dos computadores, com o lançamento do Macintosh, em 1984, e a da música, com o iPod, em 2001.

O então presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, não esqueceu disso quando apresentou o iPhone, em janeiro de 2007 – o aparelho só começaria a ser vendido em junho daquele ano. Ele não poupou adjetivos para qualificar o novo produto como “revolucionário”.

“A Apple perfeitamente misturou uma interface para usuários, tecnologia tátil, um navegador web móvel, um poderoso processador e um celular”, afirma Brian Merchant, jornalista e escritor americano.

Ele é autor do livro “The One Device – The Secret History of the iPhone” (ainda não lançado no Brasil), em que traz detalhes do nascimento da incursão da Apple no mundo dos celulares.

Além do hardware, o ecossistema por trás do iPhone ajudou o celular a se destacar, diz Donald Feinberg, Vice-Presidente de Pesquisas e Analista Emérito do Gartner. “Não era apenas o uso do telefone celular como um computador, mas o sucesso também é creditado à grande quantidade de aplicativos disponíveis no início.”

Dados financeiros da Apple mostram que, ao menos em se tratando da empresa, Jobs não errou no prognóstico: hoje, o iPhone representa 65% da receita da Apple. Já profissionais que acompanham o mundo da tecnologia dizem que o celular não só levou a empresa a se tornar a que possui maior valor de mercado no mundo. Também fez empresas de outros setores se mexerem.

Caixas do iPhone 5 em loja de Londres (Foto: Reuters)Caixas do iPhone 5 em loja de Londres (Foto: Reuters)

Caixas do iPhone 5 em loja de Londres (Foto: Reuters)

“O iPhone foi um golpe nas empresas de telecomunicação, que tinham um controle absoluto sobre os aparelhos que se conectavam a suas redes. Isso resultava em inovação baixa, careta e devagar. Quando o Jobs cria esse produto que abre espaço para conexão, o produto era tão desejado que as próprias teles tiveram que aceitar”, explica Lemos.

No começo, os smartphones saíam das lojas com um pacote de dados junto à AT&T, algo raro na época. Hoje, é impensável assinar um plano de celular sem perguntar quais as condições de conexão.

Para Lemos, serviços conectados populares só existem graças ao celular da Apple. “O surgimento do WhatsApp e dessas novas aplicações que competem com serviços das teles é um produto direto do surgimento do iPhone. “O iPhone inaugurou a era da internet móvel”, resume Merchant.

Ao impulsionar a popularização da chegada da internet em aparelhos que podiam ser levados para todos os lugares, o iPhone acabou, dizem os especialistas, ajudando a mudar a forma como as pessoas se comportam. “É a coisa de monopolizar os sentidos e fazer as pessoas estarem ligadas em dez coisas ao mesmo tempo”, diz Sérgio Franco, diretor de criação da WMcCann.

Merchant diz que, desde a leitura de livros até o relacionamento com familiares, poucas ações feitas online escapam da tela de celulares. “A internet tem se curvado aos caprichos da experiência móvel.”

Lemos concorda: “As pessoas estudam pelo celular, leem, fazem compras, conhecem outras pessoas, fazem campanha política. Ele virou a primeira tela. Você não desgruda dele nem quando vai ao banheiro”.

Feirberg, da Gartner, diz que isso não é necessariamente bom. As pessoas usam celulares até em momentos em que deveriam se concentrar, como quando estão dirigindo, e sofrem de “dependência de apps colaborativos como o Waze”.

Os especialistas ouvidos pelo G1 acreditam até que o poder de mudança do iPhone sobre a cultura pop é ainda maior que a exercida pelo iPod. Quando foi criado, o tocador de música criou um modelo de negócio que deu sobrevida à indústria da música, que sofria com os downloads ilegais.

“O iPhone é o mais importante. iPad e iPod tiveram um voo de galinha, decolaram no início tiveram teve uma queda pronunciada. O dispositivo que veio para ficar, produz e produziu mudanças é o smartphone’, diz Lemos.

10 tecnologias do iPhone que mudaram o mundo  (Foto: Arte/G1)10 tecnologias do iPhone que mudaram o mundo  (Foto: Arte/G1)

10 tecnologias do iPhone que mudaram o mundo (Foto: Arte/G1)

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